10.7.17

Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim. 

Poema escrito por Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi um poeta brasileiro. "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho". Este é um trecho de uma das poesias de Drummond, que marcou o 2º Tempo do Modernismo no Brasil. Foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX.
o poema trata sobre o sentimento de ausência, de vazio a nossa volta é algo que acontece muito frequentemente hoje em dia e as vezes isso ocorre pela falta de alguém importante naquele momento, porém esse é um sentimento nosso, de cada um e que dificilmente sairá de nós.

Referências:
Disponível em <http://www.citador.pt/poemas/ausencia-carlos-drummond-de-andrade> acesso : 05/07/2017
CUNHA, Antonieta. Disponível em:<http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/portugues/carlos_drummond_de_andrade > acesso 05/07/2017

4.7.17

João Guimarães Rosa


João Guimarães Rosa
Guimarães Rosa (João G. R.), contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de novembro de 1967.
Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).
Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto "Com o vaqueiro Mariano", que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano". A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco Corpo de baile, Grande sertão: Veredas já foi traduzido para muitas línguas.
 Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de tex
to se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores.
Principais Obras Guimarães Rosa
·                     1936Magma
·                     1946Sagarana
·                     1947Com o Vaqueiro Mariano
·                     1956Corpo de Baile
·                     1956Grande Sertão: Veredas
·                     1962Primeiras Estórias
·                     1964Campo Geral
·                     1965Noites do Sertão
·                     1967Tutaméia – Terceiras Estórias
·                     1969Estas Estórias (póstumo)
·                     1970Ave, Palavra (póstumo)

Referencia:

http://www.academia.org.br/academicos/joao-guimaraes-rosa/biografia

22.6.17


                  William Butler Yeats

   Ontem foi aniversário de nosso grande poeta e escritor, Machado de Assis, 178 anos desde que veio ao mundo. Mas hoje vamos falar de um outro poeta, também nascido em junho, posto que de Machado de Assis muitos devem saber em nosso meio e no país, ao contrário desse outro. Estamos falando do poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939). Ele nasceu em meio a uma minoria protestante anglo-irlandesa que havia controlado a católica Irlanda social, econômica e polititcamente desde o século XVII, pelo menos. Também viveu 14 anos de sua juventude em Londres. Todavia, ele manteve suas raízes culturais irlandesas, afirmando sua identidade não como inglesa, mas irlandesa, inclusive no campo literário, onde trabalhou com as lendas e heróis nacionais.
   Yeats é um dos grandes nomes da poesia de língua inglesa dos tempos modernos, bem como da Irlanda. Foi também um intelectual engajado na causa nacional, quando os irladeses ainda estão sob domínio da Coroa britânica. Abaixo temos dois poemas seus, traduzidos e no original.


Versos escritos em desalento 

Quando é que eu vi pela última vez 
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes 
Dos leopardos escuros da lua? 
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres, 
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas, 
Suas lágrimas de raiva, fugiram. 
Os santos centauros das colinas desapareceram; 
Não tenho nada para além do amargado sol; 
Banida mãe lua heróica e desaparecida, 
E agora que cheguei aos cinquenta anos 
Tenho que aguentar o tímido sol. 

( tradução: António de Campos )



Lines written in Dejection

WHEN have I last looked on 
The round green eyes and the long wavering bodies 
Of the dark leopards of the moon? 
All the wild witches, those most noble ladies, 
For all their broom-sticks and their tears,         
Their angry tears, are gone. 
The holy centaurs of the hills are banished; 
I have nothing but the harsh sun; 
Heroic mother moon has vanished, 
And now that I have come to fifty years
I must endure the timid sun.

Com o tempo a sabedoria

Embora muitas sejam as folhas, a raiz é só uma; 
Ao longo dos enganadores dias da mocidade, 
Oscilaram ao sol minhas folhas, minhas flores; 
Agora posso murchar no coração da verdade.

(tradução: José Agostinho Baptista)



The Coming of Wisdom with Time

THOUGH leaves are many, the root is one; 
Through all the lying days of my youth 
I swayed my leaves and flowers in the sun; 
Now I may wither into the truth.

 
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