24.11.11

GENTE DE NOSSA TERRA: RITA FELCHAK



                                          



                                                     ( Nincia Cecilia Ribas Borges Teixeira)

Com arte, muita garra e manha, mesmo quando viver de arte em Guarapuava parecia impossível, Rita Felchak nunca desistiu de tornar menos monótona a paisagem da terra de Guairacá. Lembro-me de que quando conheci Rita, ela ensinava a arte do teatro no Colégio Belém, seguida pela sua fiel companheira de arte e de toda uma vida Dody, David era pequeno ainda, mas já acompanhava fascinado as performances da trupe.
Com valentia, própria de grandes mulheres, ela ensinou uma geração de Guarapuavanos a admirar o Teatro, além disso valoriza atores locais e mão de obra da cidade em suas grandes produções. Rita, por meio de sua arte, une a História às histórias de sua cidade natal, de sua região, de seu Estado, mas a dramaticidade de seu trabalho evoluiu para a universalização, ou seja, o toque regional transcende os muros da cidade e atinge a sensibilidade de todos que têm o privilégio de assistir às suas encenações.
Muito se comenta que Guarapuava só aparece na mídia quando algo negativo acontece, mas Rita Felchak e a Cia Arte & Manha levam e “elevam” o nome de nossa cidade em vários eventos nacionais, no entanto valorizar a arte não é agenda dos grandes meios de comunicação, mas isso não é motivo para Rita desistir, ao contrário, em seu currículo consta a montagem de mais de 40 espetáculos e apresentação de inúmeras performances teatrais, os atores de sua companhia já estiveram no palco mais de 3.500 vezes, mostrando seu talento e arte genuinamente guarapuavana, para um público de mais de 500 mil pessoas.
Rita Felchak, Gente de Nossa Terra, que ao unir paixão e arte, ensina ao mesmo tempo que encanta. Salve, Rita!



                                                             
                                                              

16.11.11

Guarapuava não tem cultura? Quem disse?

Passando pela rua um dia desses, encontrei um amigo. Conversa vai, conversa vem e ele desabafa indignado. “Guarapuava não tem eventos culturais, por exemplo, hoje não temos o que fazer”. A afirmação me deixou angustiado e logo comecei a pensar, mas será?

Guarapuava pode até não ter um teatro, não estar no circuito de shows nacionais dos popstars, mas convenhamos, a cidade está cheia de artistas, eventos e pessoas interessadas em produzir arte.

Este mês foi um exemplo disso. Tivemos o I Festival Cênico “Guarapuava abre as cortinas” organizado pelo artista Jones Guerra e realizado de 4 a 9 de novembro. O evento contou com o apoio do Sesc e reuniu grupos teatrais, companhias de dança e varias apresentações gratuitas. Jones destacou o evento como um marco para que aconteça mais festivais. “Tive muito apoio, faltou gente, público, mas tivemos apoio dos artistas, colégios, meios de comunicação, que seja o começo de muitos festivais ” afirmou o ator.


A última mostra neste ano do Cine Sesc em parceria com a o Grupo de Pesquisa em Cinema da Unicentro relembrou os filmes do ator Vicent Price entre 7 e 9 de novembro. De filmes como O Corvo, baseado na obra do escritor Edgar Allan Poe, até Doutor Morte, os longa metragens mostraram a ficção nos filmes de terror.

Organizado em comemoração aos 10 anos de Academia de Letras e Artes de Guarapuava, o I Salão de Artes Plásticas de Guarapuava está reunindo vários artistas daqui e de fora da cidade. As entradas são gratuitas e se encontram pinturas, esculturas a disposição de todos. Dentre eles as de Felipe Soeiro que expõe pinturas em acrílico e afirma ser uma oportunidade de mostrar o trabalho guarapuavano para fora. “Achei muito bom, porque a cidade tem uma historia, bastante pessoas lutando para que possamos ter um espaço de arte, a partir do momento que temos um salão assim reunimos artistas e levamos eles para fora da cidade” conta Soeiro.

Outra artista do Salão, é a pintora Silvia Mattos que tem dois quadros no Centro de Artes Iracema Trinco Ribeiro. Silvia elogiou o espaço e a importância do evento. “Para nós, artistas de Guarapuava é importante porque a gente não tem apoio, e o salão vem abrir muitas portas” conta a pintora. Quem faz o julgamento das obras é uma confederação de artes do Rio de Janeiro.


Muita coisa? No feriado da proclamação da república (15) o artista Dino Rocha, conhecido como Rei do Chamamé, esteve em Guarapuava apresentando a música sul-mato-grossense, pelo projeto Sonora Brasil, do Sesc. Nos dias 19 e 20, V Espetáculo de Balé. De 25 a 27, Walter Firmo, com 55 anos de carreira em fotografia estará em um workshop na cidade.

Fora tudo isso, mostras de fotografias que aconteceram em colégios de Guarapuava, como a do Colégio Tupy retratando problemas da cidade, o lançamento do livro do ex-prefeito Nivaldo Kruger no Congresso Nacional, estreias no Cine XV, o Museu da Agrária mudando de local, mostra de cinema do curso de Filosofia, enfim uma cachoeira de cultura apenas neste mês de novembro, que por sinal nem acabou.

Guarapuava tem sim, artistas conhecidos, desconhecidos, populares, do interior, aqueles que animam o culto, a missa, o baile e outros que pintam, escrevem, escultores. Enfim, o que a cidade precisa é de apoio a esses artistas tanto dos políticos, com a construção do teatro e investimento em cultura popular, como de nós, os que assistem.

A provocação que fica é: Será que Guarapuava não tem espaços culturais, ou somos nós que não participamos dos eventos, em sua maioria gratuitos, e não prestigiamos a arte de nossa cidade? Não sei, comentem.

Ou então envie um email para luaanchagas@gmail.com

8.11.11

Gente da Nossa Terra: cena 2- Madalena Nerone


                                                                             ( Por Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira)

Guarapuava acolhe pessoas que a escolhem como terra natal por adoção, nesse caso inúmeros guarapuavanos de coração  defendem nossa cidade com as mais variadas armas.  Madalena Nerone, nascida em Rebouças, é exemplo de uma cidadã adotada por nossa cidade.
Dona Madalena foi minha professora  de História,  sua paixão pelo conhecimento despertou em muitos de seus alunos o desejo de ir sempre “ além de todas as possibilidades”... Então diretora do Colégio Tupy Pinheiro, fez do microcosmo escolar uma sociedade quase ideal, promovia debates, privilegiava a arte na escola, impunha limites( tão necessários à formação do jovem). Por meio de seu amor à docência demonstrou que é possível ser feliz valorizando a Educação como mola propulsora do progresso da sociedade.
Fala-se muito sobre qualidade em Educação, muitas vezes coloca-se a culpa no sistema, Dona Madalena fez de seu trabalho como docente na escola pública um exemplo de gestão eficiente, mostrou que ao dar o direito a conhecer (arte, música,política) todos  os cidadãos podem sair de uma situação de total ignorância e almejar grandes voos... Revendo antigos colegas que compartilharam comigo dos tempos do “Tupy”, vejo advogados, biólogos, veterinários,dentistas, médicos que estimulados por uma escola pública de qualidade tiveram a chance de vencer as dificuldades por meio de uma formação intelectual sólida.  Obrigada, Professora Madalena por me ensinar a voar!!!

6.11.11

Música para aproximar

Chico Buarque

O que é a música popular hoje? Antigamente, ela carregava ideologias, força, sofrimento, verdades. Por meio dela se reivindicava, ela marcava e contava momentos históricos importantes, impulsionava as pessoas, transparecia pensamentos.

Antigamente, a música se sussurrava, mas tinha força. Não andava por aí, mas carregava a sociedade nas palavras, significava pessoas e lugares.

A música popular, hoje, se vende, existe a indústria musical, que alimenta a economia. Não há cuidado com o que se produz, não há calma e dedicação em procurar produzir algo de extrema qualidade e sofisticação.

Hoje há pressa, o mercado tem necessidade de vender, ele faz encomendas e fica cada vez mais raro encontrar em meio aos artistas atuais, arte de verdade. Algo que tenha sido produzido com o coração, sem tempo estipulado, sem encomendas.

Graças a Era digital, a música está em todo lugar, é acessível, e ninguém mais precisa esperar o CD do artista preferido chegar até a loja para ouvir as músicas. Essa facilidade banalizou a música, desvalorizou, são poucos os que pagam o preço de um álbum para tê-lo em casa, a grande maioria prefere adquirir pela internet. A pirataria acabou com a graça.

As pessoas escutam mais música, certo, mas fazem isso sozinhas, em seus fones de ouvido, em notebooks. Cada uma em seu mundo particular, isoladas. A música que antes unia as pessoas por um ideal hoje separa as pessoas por um aparelho eletrônico.

O que nos salva de tudo isso é saber da emoção de estar em um show, vendo um artista preferido, isso tecnologia nenhuma conseguiu copiar, ainda. Nada é como assistir e fazer parte daquele show, sentir aquela energia que todas as pessoas que estão ali compartilham. É a forma que nos resta de estar ainda conectados com o resto do mundo de forma física e emocional. Estamos em um lugar onde estamos juntos e sentimos que temos algo forte em comum: a música.

3.11.11

GENTE DE NOSSA TERRA: CENA 1- GRACITA MARCONDES



Em meio à crise de valores que assola Guarapuava, não podemos acreditar que tudo está perdido. Devemos lembrar de pessoas que lutaram a vida toda em prol da construção de uma Guarapuava promissora. Na recuperação de sociedades em crise, as ações privilegiam a Educação como motor de partida para mudanças. Nesse sentido, as imagens que vêm a minha mente, irremediavelmente, ligam-se às primeiras lições na escola.
Lembro-me do brilho nos olhos, no falar contagiante, na segurança no conteúdo a ser ministrado, a postura invejável de alguém que tinha orgulho da profissão, refiro-me à querida mestra Gracita Gruber Marcondes.
Professora Gracita, ao narrar com sabedoria contagiante fatos históricos, não podia imaginar que ela mesma produzia a História de Guarapuava, uma História de um povo batalhador, seguindo à risca o mito do cacique Guairacá. Uma mulher atuante numa sociedade totalmente voltada ao aspecto agrícola, Dona Gracita resolveu levantar a bandeira da mulher intelectual. Escreveu várias obras retratando uma Guarapuava, acima de tudo, formada por um povo honesto, ligado à terra, às tradições, ao orgulho de ser guarapuavano.
Com toda essa corrupção, não podemos deixar que a podridão que toma conta do cenário político de Guarapuava abafe grandes figuras de nossa cidade, que trabalharam a vida toda com a esperança de tornar nossa Guarapuava em um lugar em que todos possam desfrutar de um presente no qual o respeito deve ser a palavra de ordem.
Obrigada, Professora Gracita!

Postado por Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira

 
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