27.4.12

Parque das Araucárias: Sintonia com a natureza deixada de lado


Parque das Araucárias (Foto: Marcos Guerra)

    Algum tempo atrás, fiquei pensando sobre os vários lugares que Guarapuava possui destinados ao lazer, que, muitas vezes, não custam nada, mas que mesmo assim quase não são visitados. O Parque Municipal das Araucárias é um destes lugares, pouco lembrado pela população, é um espaço em que famílias podem passar uma agradável tarde de domingo em sintonia com a natureza. Além das trilhas existentes no parque, há também o museu de ciências naturais, que mais do que entretenimento, proporciona conhecimento a seus visitantes.

    O fato preocupante, neste caso, é que apesar de toda aprendizagem e distração que o local é capaz de proporcionar, é raro vê-lo com bastante movimento, mesmo em finais de semana e feriados, pouquíssimas são as famílias que elegem este como o passeio da vez. Talvez por preferirem programas mais "urbanos", ou por terem perdido a cultura de fazer tarefas relacionadas à natureza, a questão é que um espaço como este deveria ser  melhor aproveitado pela população.

    São 41 hectares de matas de araucária preservadas, as trilhas existentes nos auxiliam a contemplá-las melhor, e há, ainda, a possibilidade de encontrarmos os moradores ilustres do parque durante as caminhadas. Sim, é comum nos depararmos com animais silvestres, habitantes da área de preservação, alguns já estão tão acostumados com os visitantes que exibem-se sem o menor pudor diante destes.

     No museu, entretenimento e curiosidades se confundem. São inúmeras espécies de animais de pequeno e grande porte conservados e preservados à muitos anos, sem falar nos diversos tipos de rochas e minerais em geral. Uma verdadeira aula de ciências, de maneira descontraída e eficaz.

     Talvez uma divulgação eficiente, aliada à consciência ecológica, que está em alta no momento, façam com que este recanto natural recupere seu valor como ponto turístico, deixando de ser visitado apenas por grupos escolares, e voltando a ser palco de cenas nostálgicas, como um passeio em família no final de semana.
Jasmine Horst

25.4.12

Preservando a memória e cultivando as tradições

Karoline Fogaça


   Um povo sem memória é um povo que não preserva sua cultura, por isso que há quase 22 anos o grupo polonês Serce Polski vem cultivando as tradições polonesas em Guarapuava. O grupo que teve seu início em 1990, mas sua primeira apresentação em 1991 leva esse nome que significa “Coração Polonês”, pois, há tempos a cidade de Guarapuava era conhecida como cidade coração.     
   Guarapuava foi colonizada por brancos europeus que vieram para o Paraná no final do século 19. Houve uma grande imigração de italianos, ucranianos e poloneses.            
   O grupo começou porque famílias de descendentes poloneses queriam recuperar e preservar a cultura dos imigrantes que vieram pra cá. No início do século 20 nossa cidade já teve uma sociedade polonesa chamada Associação Polonesa de Guarapuava que posteriormente se tornou Clube Cruzeiro, mas chegou ao fim.           
   A preservação da memória é muito importante para que a tradição não se perca, então a partir da “Noite da Arte Folclórica” promovida pela Unicentro quando ainda era FAFIG, e pela influência mundial, a queda do muro de Berlim e fim da União Soviética, na década de 1990, fez com que o grupo polonês fosse criado na cidade na mesma época em que outros grupos étnicos surgiram com esse mesmo propósito de conservação.        
   Alguns trajes são considerados como os principais dentro da cultura, e neles podemos observar a beleza e a riqueza dos detalhes. O primeiro traje é da nobreza, com pedras, pena e tecidos finos. 

   O segundo é um traje mais usual, do cotidiano dos camponeses poloneses.



   O terceiro é nacional e um dos trajes mais importantes. O traje masculino representa a cavalaria polonesa da época medieval, em que a capital era Krakóvia, hoje a capital é Varsóvia. Ele possui um cinto com metais pendurados para que na dança, o homem faça um paço característico representando o galope do cavalo, assim o cinto representará o som dos cavaleiros da época.



   O quarto traje também é de camponeses. Ele possui variações estilísticas, em algumas regiões se usa uma bolsa de couro para guardar seus instrumentos de trabalho e em outras uma machadinha, que caracteriza os afazeres do cotidiano, indicando que quem usava era o homem do campo.    



   O grupo que já viajou para se apresentar no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e pelo Paraná, é dividido entre descendentes e simpatizantes da cultura. Qualquer um pode participar, os ensaios são todos os sábados, a partir das 16 horas, na escola Julieta Anciutti.



24.4.12

Olhe para o céu




Você já viu esse fenômeno? É o pôr-do-sol na Lagoa Dourada - Bairro Boqueirão

Todos os dias, após o trabalho, tenho o privilégio de observar o pôr-do-sol de Guarapuava. É incrível como o céu está pintado com cores e traços diferentes. Nem todos param para ver isso, a correria, a pressa, a falta de tempo faz com que muitas vezes fiquemos cegos e deixemos de reparar nas paisagens maravilhosas da nossa cidade.

Você já reparou no céu azul de Guarapuava? E no pôr-do-sol do Parque do Lago? Quando ele está se pondo, os raios parecem flutuar sobre a água, o brilho é intenso e as cores em tons quentes fazem com que o olhar se prenda naquele momento. Para apreciar momentos como este, não é preciso ir longe. A nossa cidade tem como vantagem a grande área verde e os poucos prédios.

O céu de Guarapuava não é bonito apenas durante o dia. À noite, tanto a lua quanto as estrelas são majestosas. Essa mesma lua já inspirou milhares de apaixonados, e até mesmo a composição de uma música do grupo guarapuavano de pagode, ContemplaçãoLua que é o espelho do sol que me ilumina, lua que reflete o azul dos olhos da menina, lua lua lua já não é a mesma lua como antes!

Jéssica Lange


Fotos: Emilene Dierka - Acadêmica de Arte-educação - Unicentro


Devotos do Divino promovem Folia em Pinhão

“Salve o Divino Espírito Santo, oia, oia!”. Cantarolando esse verso, o grupo de foliões chega às casas das famílias pinhãoenses. A bandeira vai à frente, o bumbo dá o ritmo, a sanfona e os vilões embelezam, ainda mais, a cantoria. O padre segue a procissão e, por meio de palavras e gestos, realiza a benção. A família acolhe a bandeira e os foliões em sua casa, acompanha tudo atentamente. Emociona-se, ora, agradece e se despende na expectativa de que no próximo ano tudo possa acontecer novamente.
A Folia do Divino Espírito Santo é uma manifestação de caráter religioso popular muito comum em algumas regiões do nordeste brasileiro. E, curiosamente, presente, também, na cidade de Pinhão, município localizado na região Centro-sul do estado, aproximadamente a 45 km de Guarapuava. O grupo dos foliões é composto por 30 pessoas, ligadas à paróquia, que cantam ou tocam determinado instrumento. A Folia tem por objetivo propagar a devoção ao Divino Espírito Santo levando a sua bandeira na casa dos devotos. A rotina de visitas acontece de segunda a sexta-feira durante as semanas que antecedem a festa em honra ao padroeiro da paróquia, o Divino Espírito Santo, dia 10 de junho, em média sete casas são visitadas por noite.

Essa devoção é bastante antiga, surgiu nos Açores, em Portugal, entre os séculos XIII e XIV, quando a rainha Santa Isabel, esposa do rei Dom Dinis, fez uma promessa ao Divino que, se a peste que assolava seu país acabasse, faria uma grande festa em sua honra. A doença acabou, e como cumprimento da promessa foi organizada a Folia do Divino. Enquanto viveu, a rainha promoveu a folia e a propagou. Com a expansão marítima promovida pelos portugueses, a devoção se espalhou pelo mundo, chegando inclusive no Brasil, principalmente na região litorânea. Como essa devoção chegou ao Pinhão não existem evidências históricas, fato é que tal piedade já se tornou tradição na cidade.


Jean Patrik Soares


23.4.12

O ESPETÁCULO PAIXÃO DE CRISTO

Itamar Abreu Turco
Em Guarapuava, é apresentado há nove anos o espetáculo Paixão de Cristo. O maior espetáculo da cidade, enquanto produção cultural, quantidade de atores e espectadores. A apresentação ocorre na Praça da Fé, localizada ao lado da rodoviária, na sexta-feira santa.
O Espetáculo Paixão de Cristo é um exemplo que é possível produzir uma cultura além da cultura. Para essa produção, diversas pessoas são envolvidas. São nove bairros da cidade envolvidos, tanto com atores como também organizadores, desde figurinos até suporte técnico.
Neste ano, foram mais de 800 atores para um público de quase 40 mil espectadores. A junção do religioso com a arte emociona e redimensiona a história da cidade.
Segundo Rita Felchak, coordenadora do evento, os atores são todos guarapuavanos, 97% são jovens. Uma novidade que foi constatada nesse ano, foi a inversão de papéis para alguns personagens. Os jovens do Bairro Industrial haviam apresentado nos anos anteriores o papel da tentação, esse ano apresentaram os anjos. Uma mudança que ficou perceptível nos ensaios, pois eles ficaram mais calmos, destaca a coordenadora.
Para Gabriel Veríssimo, coordenador dos jovens no Bairro Industrial, a troca de papéis não agradou inicialmente os jovens, só após o início dos ensaios é que perceberam que era possível apresentar também os anjos.
Para Mariel Oliveira, Mãe de um dos personagens que está há cinco anos no espetáculo, “os anjos vieram para acalmar o coração dos jovens”.
Enfim, a produção de um espetáculo mexe com os sentimentos e com a vida, antes, durante e depois da apresentação. Produzir cultura é sinônimo de ousar.

22.4.12

Mulher, sinônimo de empreendedorismo e criatividade

Karoline Fogaça



Adriane Horst
Mães, esposas, donas de casa, profissionais, terapeutas, amigas e várias outras coisas, as mulheres conseguem ser mil em uma só. Cuidar dos filhos, do marido, da casa e ainda trabalhar, conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. Dentre todas essas facetas, as mulheres têm defeitos e muitas qualidades, e quando procuramos, encontramos algumas com ideias fantásticas e inovadoras vindas das mulheres, é o caso da Adriane Schneider Cordeiro Horst.    
    Andando pelas ruas de Guarapuava me deparo com um carro diferente escrito “Boutique de Rua”, não tem como isso não chamar a atenção por onde passa. Conversando com Adriane, ele me contou um pouco sobre sua vida e sobre esse seu novo trabalho.
   Ela é professora e começou a vender roupa como sacoleira, no início de 2011, por influência das amigas. Como não consegue ficar parada em um ambiente só, se deu bem com esse novo trabalho, mas em todo lugar que ela levava suas roupas encontrava algo empecilho, pois para provar as peças suas clientes precisam de um local apropriado, um provador, um espelho. Quando ia à casa das suas clientes, às vezes, atrapalhava os maridos ou as crianças, além de que na escola onde trabalhava também não era o melhor lugar para experimentar roupas.
   A partir disso, o que Adriane queria era inovar, então, procurando pela internet, ela descobriu a Boutique de Rua. Essa é uma franquia de Curitiba e ela foi atrás dos idealizadores para ver como funcionava, “quando conheci a Boutique de Rua vi que era bem aquilo que estava procurando, pois era algo prático, a loja vai montadinha para o cliente ver”.          
     Adriane adquiriu um carro, enviou para os donos da franquia e eles fizeram as adaptações necessárias para deixar o interior e o exterior padronizado com a marca. Em outubro de 2011, a Boutique de Rua já estava rodando pelas ruas de Guarapuava e da região.       
     Roupa é algo a grande maioria das mulheres gosta e pensando nisso, a Boutique trabalha com tamanhos do número 34 ao 52, peças exclusivas e de boa qualidade. Além de ser uma loja que vai até a casa ou o trabalho do cliente, onde quem entra encontram comodidade, ambiente climatizado, boa iluminação, com provador, espelho e araras organizadas para melhor visualização das peças.        
    Abrir uma loja fixa não está nos planos de Adriane, mas talvez no futuro possamos ver mais carros da frota Boutique de Rua, pois ela tem a intenção de trazer para cá a Boutique de Rua Kids. 
Interior da loja

Adriane dirigindo a Boutique

Um ritmo que leva o corpo ao embalo


Geyssica Reis
O grupo de pagode Contemplação surgiu há cinco anos. Formou-se com o intuito de reunir os amigos e animar os churrascos da galera. Com o passar do tempo, o grupo se tornou cada vez mais conhecido. Os convites para tocarem nas casas de danças de Guarapuava e região e também em festas, principalmente dos universitários, tornaram-se mais frequentes.
O Contemplação conta com oito integrantes, Carlos Eduardo, Ezaquias de Freitas, Luiza Cezar, Renan Kuster, Bruno Rafael, Isaac Ramos, Guilherme Batera e Diego Lima. Todos possuem uma profissão, paralela a carreira de músico, alguns fazem faculdade e outros ainda já têm família. Quando questionados como conciliam todas as atividades, frisam que o Grupo não foi criado com a visão de somente gerar lucro, portanto, os shows realizados acabam se tornando uma atividade pessoal e não somente profissional.
Outro tema abordado na conversa em que tive com o grupo, é se eles ainda notam preconceito das pessoas quanto ao gênero do pagode. Responderam que quando começaram era mais difícil e eram descartáveis nas festas geralmente, mas, hoje em dia, já notam que os grupos de pagode estão ganhando força e reconhecimento. Outra característica comentada pelos integrantes é que este gênero pode ser integrado aos outro ritmos facilmente como, por exemplo, o sertanejo e o funk. Ressaltam que o ritmo é genuinamente brasileiro e traduz a cultura alegre do país.
No início, o pagode não era exatamente um gênero musical. Pagode era o nome dado às festas que aconteciam nas senzalas e acabou tornando-se sinônimo de qualquer festa regada a alegria, bebida e cantoria. Após algum tempo, o pagode começou a ser ligado ao samba e acabou se popularizando. Na década de 90, o Brasil viveu sob a febre do pagode romântico e universitário. O estilo romântico ficou marcado no mercado fonográfico por grupos como “Só pra contrariar”, “Raça Negra”, “Exaltasamba”, “Soweto”, “Karametade”, “Molejo”, entre outros. O pagode universitário, mais pop, surge em grupos formados por jovens universitários de classe média, assim como “Inimigos da HP”.
Quem sabe algum dia, o grupo guarapuavano Contemplação também não possa fazer história em cenário nacional e transmitir essa cultura animada. Na cidade, eles já estão fazendo e o integrante Zaque de Freitas garante que “quando o povo escuta a levada da galera sai, samba”.

Para quem quiser ouvir a nova música do grupo Contemplação, “Lua”, basta acessar o link: http://www.youtube.com/watch?v=k7T3gvTVb_8

7.4.12

A morte: uma abordagem na cultura guarapuavana


Morrer é muito mais que um atestado de óbito. Crentes e não crentes se unem nesse momento para tentar encontrar conforto. O velar ou vigiar com a família do falecido é uma forma cultural mundial para confortar as lágrimas dos entristecidos.
Ao vermos um tema como esse, percebemos que o assunto é pesado. Enfrentar a situação de morte não é fácil mesmo. A morte para alguns é entendida como fim, para outros é uma passagem, para outros é uma angústia.
Há diversas formas de mortes: a dos direitos, da privação de liberdade, da autonomia, dos valores, mas aqui nos referimos da morte enquanto um corpo sem vida. Há morte por doenças, há morte provocada, há morte morrida.
Em nossa realidade muitos morrem e passam despercebidos, outros na hora da morte são honrados, enfim, a morte geralmente provoca mudança.
Muitas mortes hoje acontecem pela violência ou com o outro o consigo mesmo. Mortes no trânsito, pelo uso de drogas, outras ainda dentro de casa e, portanto, a que mais gera revolta.
Quem não ficou indignado pela morte da criança guarapuavana, de um mês de idade, que foi brutalmente assassinada por seu progenitor? Que pena, enquanto muitos nem ficaram sabendo, ou até mesmo esqueceram, as sequelas dentro da família estão aumentando. Quando teremos uma sociedade que se revolte com falta de cultura, de educação, de respeito à dignidade e pense um pouco mais sobre a vida? Quais são os processos educacionais que estão faltando? Por fim, será que morte é cultura?
Que a morte de inocentes não seja cultura, que a morte por drogas seja extinta, que a morte por doenças seja remediada. Procuremos a vida, para a morte Deus dá o momento.
Itamar Abreu Turco

1.4.12

Lágrimas que sobreviveram à serpente

Foto: Karoline Fogaça

É raro o dia que não passo pela Lagoa das Lágrimas. Toda vez algo diferente chama atenção. Parando para interpretar sua importância, ela é protagonista de duas lendas da cidade.

Para a criação da Lagoa, conta-se uma história de que existiam duas tribos próximas a essa região, e uma índia viu seu amado deixando-a para lutar em uma batalha. Quando os outros homens dessa tribo voltaram derrotados, ela começou a procurar seu noivo, mas ele nunca voltaria. Em sinal de tristeza e fidelidade, ficou por ali, chorando, onde nasceu uma vertente de água, que refletia a beleza da índia que chora.

Depois dessa história da origem, ainda existe o conto de que há uma serpente em baixo daquele solo, em que sua cabeça estaria em baixo da Catedral e a cauda em baixo da Lagoa, assim que o primeiro trem apitasse, a serpente despertaria e a cidade desmoronaria, adiando por um tempo o progresso e desenvolvimento na cidade.

Passando de carro ou a pé, dando voltar incessantes, pouco se vê sobre ela. Muitas cidades têm lagoas, mas devemos dar o valor necessário a nossa própria, belezas municipais devem ser contempladas. Sentar num dia em que a grama tenha recém sido cortada, sentir o cheiro de grama aparada, observar jovens conversando, crianças brincando, namorados simplesmente namorando. O movimento dos carros e o andar dos pedalinhos sobre a água, muito pode ser observado. Até mesmo o progresso, que demorou um pouco, mas chegou aos arredores desse ponto turístico, muitos prédios emergem aos arredores da Lagoa das Lágrimas.

Seja a índia que chorou a perda se seu amado ou aquela serpente que sob ela descansa, muitas histórias se passam por ali, uma bonita área de lazer, que turistas e moradores daqui não podem deixar de visitar. 



Karoline Fogaça

 
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