27.9.12

Verdes Campos de Esperança


Terra de muitas riquezas, recantos de um Brasil abençoado. Nos campos do Terceiro Planalto  fazem ondas os cereais. O vento que neles bate me faz estremecer. São lindas as paisagens, que de tão verdes, surgem como flâmulas de nossa bandeira. Cereais cobrem as planícies vastas entre serras, rios e matas. Espigas espreguiçam suas arestas para o alto e enfileiram seus leitos para servirem de abrigo aos grãos em formação. Como mosaicosalternam-se campos de trigo, cevada e aveia deixando espaços para os dourados grãos de milho, que, depois da chuva ganham o chão. Eles marcham um a um para o solo agora úmido, como soldados, encaminhados pelas disciplinadas plantadeiras, onde em alguns dias darão origem a novas e formosas plantas.
Ao cair da tarde, as águas dos lagos em meio aos campos, refletem o manto verde que os cerca. O silêncio é quebrado apenas pelo piar das galinhas d’água, patos, marrecos e pássaros que vêm descansar nos seus esconderijos. Entre as leiras de plantas,  centenas de insetos vão servir de alimento aos pequenos animais que aparecem antes do por do sol. Tatus, ratos do banhado e preás, correm apressados  atrás dos grãos recém  depositados.   
Sentado as margens da lavoura,  o agricultor admira sua plantação. O vento, que por vezes, embala as espigas ecoa como música aos seus ouvidos. O longo período de estiagem, enfim dá lugar a dias mais úmidos que reascendem a esperança de uma colheita feliz. A algazarra de grilos e pássaros anuncia a chegada da noite. A lua vem avisar que esta na hora de voltar para casa e deixar a lavoura descansar no leito da mãe terra.


KMD

26.9.12

Crianças hoje, reflexos de um bom passado amanhã


 Dia 12 de outubro está chegando, data em que é comemorado o Dia das Crianças . Comecei a refletir sobre o tal dia e me perguntei quem são as crianças de hoje, realmente? Será que são classificadas só por um limite de idade? Há quem diga que dentro de cada um existe uma criança, não importa a faixa etária. Pensando nisso, vieram-me lembranças do tempo em que eu esperava ansiosamente por esse dia, que parecia mágico.
Mesmo sem ter muitos anos de vida, sou de uma geração que jogava futebol na rua, acordava cedo para assistir ao desenho  na Televisão e ainda colecionava figurinhas. A nova geração parece não conhecer atos como este, isso porque já nascem em um mundo muito mais tecnológico, em que o individualismo se mostra cada vez mais presente. Outro aspecto atual que contribui para as mudanças é a influência da mídia sobre os mais jovens, já que o acesso á  informação se tornou muito fácil.
Penso também que talvez o mundo esteja caminhando desse jeito porque as coisas devem de fato evoluir e muitas vezes, não conseguimos aceitar tais mudanças, o que pode gerar indignação. Vai dizer que você nunca se pegou questionando o que está mudando ao seu redor? Ora mas que absurdo, no meu tempo as coisas não eram assim. Talvez você já tenha pensado.
A nova geração e o Dia das Crianças é apenas um exemplo de como o tempo passa, o contexto muda e ficamos parados sem fazer nada vendo tudo passar diante de nossos olhos. Se conversarmos com os nossos pais ou avós, certamente vão defender que suas respectivas épocas eram melhores do que as posteriores, por isso talvez o melhor a fazer é aproveitar cada tempo que vivemos, tentar acompanhar as evoluções da vida e não se lamentar com saudades do passado, mas sim trilhar o que é válido para que se possa se adequar em cada nova rotina.


Alexandre Pessoa



24.9.12

Fazendo da arte uma fonte de renda


Karoline  Fogaça 

Hoje no Brasil, o salário mínimo é R$ 622 e só esse valor não basta para que o brasileiro consiga pagar todas as suas contas básicas e ainda tenha uma vida confortável. Por isso, muitas pessoas estão procurando fontes alternativas de ganhar dinheiro para aumentar a sua renda mensal. Pensando nisso, muitos procuram cursos de artesanato para conseguir esse aumento.

Silvana fazendo caixas de mdf
Silvana Virmond é uma empresária do ramo de artesanato em Guarapuava, tem há 6 anos uma loja, na qual oferece cursos sobre isso. Ela conta que começou a trabalhar desde cedo e teve uma empresa em outro ramo que teve que fechar: “Eu senti a necessidade de extravasar, de fazer algo diferente. Sempre procuramos algo que nos satisfaça e na realidade comecei com pintura em tela aí acabei entrando no mundo do artesanato, conhecendo outras técnicas e outros tipos de trabalho para fazer”.

Em sua loja, Silvana oferece cursos principalmente de decoupagem, que é uma técnica de colagem em madeira, tanto de papéis quanto de tecidos, oferece também cursos de arte francesa, que é uma técnica que utiliza recortes para montar uma figura com terceiras dimensões.

Pensando nessas fontes de renda alternativa, ela conta que algumas pessoas procuram os cursos para realmente vender as peças que produzem, mas também para outras finalidades: “Tem aqueles que procuram as técnicas e os materiais para utilizar em outras áreas. Temos uma procura grande homens que compram o verniz vitral, que é um verniz especial para acabamento no artesanato, para usar em recuperação de capacetes”. Hoje, o artesanato consegue abranger, pela sua variedade de materiais e aplicações existentes, muitas pessoas.

Além da restauração, o artesanato serve também para outras atividades, Silvana fala que muitas professoras procuram os cursos em época de férias para inovar em sala de aula, pois, hoje em dia, se usa muito artesanato nas escolas, e ainda quem trabalha com festas infantis, quem procura lembranças de aniversário, casamento e peças de decoração. Essa é uma arte que acompanha o vai e vem da moda, que gera renda, traz ocupação e ainda pode servir de terapia para algumas pessoas.

O artesanato é recomendado para qualquer pessoa, desde a criança que está na educação infantil, para desenvolver coordenação e a paciência, até pessoas mais de idade, que querem ter uma atividade para se ocupar. Silvana fala que tem clientes jovens e clientes mais velhas que estavam acostumadas a trabalhar, mas, depois que se aposentam, sentem necessidade de ter uma atividade, então qualquer pessoa que gosta de trabalhar com as mãos e quer aprender algo novo pode fazer.


22.9.12

Feliz dia da Árvore




Geyssica Reis

Elas estão presentes em nossas ruas, quintais, parques e em muitos dos nossos lugares preferidos. Estão em nossas vidas e, muitas vezes, passam despercebidas e nem damos a devida importância e o quanto ela faz bem, até que a tiram daquele lugar.
São as árvores, estas que nos proporcionam aquela sombra boa em um passeio no dia de domingo ou então naquela rua onde fazemos nosso percurso. Aquelas que quando éramos crianças subíamos nelas e temos muitas histórias pra contar, que nos davam as frutas que nos sujavam, mas que nos davam uma sensação maravilhosa ao “pegar a fruta no pé”. Ou então,  aquelas que nós escrevíamos o nome daquela menina ou menino, que a gente gostava na infância, circulado por um coração.
infelizmente é, muito comum, estas árvores que nos proporcionaram tantas histórias e marcaram tantos momentos bons, simplesmente não existirem mais, dão lugar a prédios, casas, enfim ao tão esperado progresso nas cidades.
Fora toda a preocupação ambiental que a falta das árvores nos causam, afinal são elas que produzem o ar que respiramos, propiciam um clima mais ameno, diminuem a reflexão da radiação solar, têm importante papel no regime dos ventos, captam partículas e gases presentes na atmosfera, conservam a biodiversidade, contribuem com a estética em ambientes construídos, além da contribuição para a saúde física e mental das pessoas.
No Brasil, cerca de 11 espécies de palmeiras correm sério risco de extinção, e duas já podem ser consideradas extintas. Uma delas, a Trithrinax schyzophylla, ainda pode ser encontrada na natureza em território paraguaio. Já a Butia leptospatha, pequena palmeira acaule de menos de 30 cm de altura, encontrada no Mato Grosso do Sul, de ocorrência exclusiva nas pequenas manchas de cerrado, nunca mais foi encontrada porque a vegetação natural foi totalmente destruída pelas plantações agrícolas.
Além dessas espécies, muitas outras correm sérios riscos de extinção. O comércio de madeira ilegal e agropecuária são dois dos principais fatores causadores de desmatamentos.
Portanto, neste dia 21 de setembro vamos olhar com atenção ao nosso redor o quanto aquela árvore tem importância na sua vida, mesmo que passe despercebida todos os dias, se tiver oportunidade curta aquela sombra, lendo um livro ou comendo uma fruta. Se proponha a plantar uma também, você só vai estar dando mais vida aquele lugar. Feliz dia da Árvore.


20.9.12

Modigliani- Imagens de uma vida


A arte é algo incrível. Até bem pouco tempo nunca havia realmente apreciado uma obra de arte como desta vez. Primeiro porque não havia me dedicado a refletir sobre a sua importância. Na semana passada, a Unicentro por meio da professora Ana Maria Melech proporcionou ao segundo ano de jornalismo um passeio ate Curitiba onde,  visitamos o MON (Museu Oscar Niemeyer). O objetivo era conhecermos as obras de Modigliani. Sinceramente o que vi lá me impressionou.   
No folheto sobre a exposição de Modigliani lia-se: “Assim, o humano que se tornou consciente de si compreende o outro tem inteligência e sabedoria, e, portanto, poderá Ser artista. Tratará e desenvolverá o mundo simbólico. ESTE É MODIGLIANI.” Refleti sobre essa frase enquanto apreciava a exposição. A cada metro que eu avançava, sentia-me entrando em um universo único. Não havia sons e ao mesmo tempo tudo dizia tanto. Fui associando a leitura sobre sua vida, seus amigos e suas paixões com o filme e conversas que tivemos em sala de aula. Cada detalhe fazia parte de um cenário no qual eu agora tomava parte. Quando parei diante da primeira obra original do artista, fiquei estática. Havia tanto a ser analisado. Embriaguei-me com o cheiro da tinta com o espaço boêmio no qual o artista vivia. Tudo aquilo parecia estar muito presente, muito real para mim naquele momento. Avancei, e confesso que não acompanhei o que meus colegas faziam a partir daí. Fiquei absorta nesse universo, nem sei por quanto tempo, mas bebi da água do artista. Acompanhava sua evolução ao longo dos anos, a influência dos amigos e também dos rivais, a sensibilidade representada pela fragilidade de sua saúde e por fim, a grande paixão.
Modigliani amava as mulheres. Ficou conhecido como o artista que retrata a alma. Em uma de suas pinturas na qual ele retrata sua grande paixão, Jeanne Héburterne, pintou-a sem os olhos. Aliás, uma característica de suas obras. Questionado por ela respondeu – “Quando conheceres tua alma pintarei teus olhos.” Jeanne era estudante da Academia Colarossi, no bairro de Montparnasse. Nos poucos anos de um relacionamento absolutamente intenso, abdicou de tudo para viver ao lado de seu grande amor. Duas das obras pintadas por ela nesse período, nas quais ela retrata a mãe, são caracterizadas por um excesso de tinta e predominância da cor azul. As obras mostram uma mãe sofrida com fisionomia e postura tristes. Seu pai desaprovava o romance, pois, o pintor era Judeu. Ela de família cristã jamais poderia envolver-se com alguém assim, além é claro, de vida mundana do pintor. Senti o conflito que se instalara em seu coração. Em outra obra colocada ao lado desta, um leito.  As pinceladas suaves apesar de cores vibrantes, demonstram uma relação intensa, mas tranqüilizante ao mesmo tempo, como quem diz, é por você que eu vivo. Este amor incondicional e sem limites chega ao seu extremo com a morte de Modigliani. Jeanne, companheira apaixonada, grávida de oito meses do segundo filho  esta com o seu vestido azul (presente de seu grande amor) arruma o cabelo, capricha na maquiagem e atira-se para a morte do quinto andar aos 21 anos de idade.  A vida e as obras de Modigliani, sejam na pintura ou na escultura (curta fase artística do pintor) são fascinantes e me ajudaram a desenvolver um pouco minha visão para o mundo das artes.

Semana Farroupilha marca as raízes do tradicionalismo


Uma vez por ano todo gaúcho, seja aquele nascido no pampa alegretense, ou longe dos pagos do Rio Grande, tira a sua pilcha do armário e olha pra sua querência amada com orgulho, lembrando tempos de heróis e festejando o orgulho das suas tradições. 

Foto: RSN
A Semana Farroupilha comemora o “precursor da liberdade”, famoso 20 de setembro. Imortalizada no hino Rio Grandense, a data remete ao ano de 1835, quando Bento Gonçalves e os revolucionários tomaram Porto Alegre, instituindo a República Rio-Grandense e dando início a Revolução Farroupilha. 

O confronto foi o mais extenso que a América latina já viu. Durante dez anos, o exército farroupilha duelou de igual para igual com o exército do império. Só vieram a sucumbir no dia 1º de março de 1945, com o tratado do Poncho Verde que previa anistia plena entre os revoltosos e a corte. 

Décadas se passaram, mas os ideais daqueles que outrora se rebelaram ainda correm pelas veias do gaúcho. 

Mas se tu é guarapuavano e preserva suas tradições no cerne pampeano herdadas pelo sangue ou simpatiza com os dogmas gaúchos saiba que por aqui a Semana Farroupilha também será comemorada. 

Então venha comemorar com a gauchada de Guarapuava. As comemorações começam no dia 20 (quinta-feira), com uma cavalgada, e encerra no dia 23 (domingo) com um fandango no CTG Fogo de Chão acompanhado pelo grupo Os Serranos.


Serviço
Mais informações sobre a programação: http://www.redesuldenoticias.com.br/noticia.aspx?id=45426

16.9.12

Politicando

Itamar Abreu Turco

Aviões voam, carros passam, bois pastam
Lógica que todos entendem
Projeto é o caminho, bem deve ser comum, política é seriedade
Silogismo que poucos entendem

Já nos tempos antigos
Ensinavam filósofos e pensadores
Política é para os vivos
Democracia exige lutadores

Discussões de um tempo, de um ano, de uma cultura
De cabeça formada, comprometimento de vida
Política é pensar sem loucura
Compor uma sociedade decidida

Vote consciente, seja analítico
Não esqueça sua ética
Do seu ser político
Vale a pena convencer que todos respiram política

Pensar política é pensar a coletividade
Dispor-se para a representatividade
Não importa a idade
O que favorece é a nossa força de vontade.

No verbo politicar
Se assim existir
É necessário participar
Mesmo diante das decepções políticas nunca desistir

9.9.12

Corpo relaxado e mente equilibrada

Tai Chi Chuan é técnica uma técnica de origem oriental que significa meditação em movimento. Em Guarapuava, a atividade é oferecida pela Universidade Aberta à Terceira Idade – UNATI, que é vinculada a UNICENTRO. Quem ministra as aulas é a professora Etel Vepel. Para a professora o Tai Chi é uma forma de se concentrar, relaxar e se centrar, tanto fisicamente como psicologicamente. A professora explicou que a prática leva o equilíbrio ao corpo através de 18 movimentos de alongamento, realizados em duas partes.

Os movimentos da atividade são feitos com leveza e cada praticante faz de acordo com as próprias limitações físicas. Essa movimentação não é especificamente um exercício, nem uma dança, isso porque não exige uma cobrança, pelo contrário, o ideal é se soltar e trabalhar a inspiração e expiração. Etel Vepel comentou que durante as aulas a música não é usada porque as pessoas precisam entender e sentir cada movimento junto com a respiração, se a música fosse usada poderia gerar uma falta de atenção.
         
          A atividade ajuda na prevenção e tratamento de várias doenças, também evita dores musculares e má circulação sanguínea. O Tai Chi pode ser praticado por pessoas de qualquer idade, inclusive por cadeirantes. Na UNICENTRO as aulas são realizadas no campus Santa Cruz, duas vezes por semana, no período da manhã para a comunidade em geral e no período da tarde para pessoas vinculadas a UNATI.  


                                                                                                 
                                                                  Alexandre Pessoa

8.9.12

Dois Irmãos - Milton Hatoum




  
No  romance Dois irmãos, publicado em 2000, a  trama gira em torno da tumultuada relação entre 2 irmaõs gêmeos, Yaqub e Omar, em uma família de origem libanesa que vive em Manaus. O ambiente que forma o pano de fundo da história é o de imigrantes que se dedicam ao comércio, numa cidade que vê aprofundar-se sua decadência, após o período de grande efervescência econômica e cultural vivido no início do século XX. 

AVANÇOS E RECUOS NO TEMPO 
A narrativa apresenta avanços e recuos no tempo, sem uma cronologia linear. Os problemas vão sendo revelados ao leitor aos poucos, conforme o narrador rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar (ou deixar em suspensão) os enigmas da história.

Uma breve introdução narra a morte de Zana, em situação de enorme angústia. Na cena descrita, o silêncio que responde negativamente à última pergunta da mulher (“Meus filhos já fizeram as pazes?”) coincide com o fim do dia.

O primeiro capítulo começa com a volta do jovem Yaqub de uma viagem forçada ao Líbano. Pode-se concluir que essa ação se passa em 1945, no fim da II Guerra Mundial, pois o porto do Rio de Janeiro está “apinhado de parentes de pracinhas e oficiais que regressavam da Itália”.

O motivo da viagem ao Líbano é esclarecido em mais um recuo cronológico: a tentativa de separar os gêmeos e evitar o conflito entre eles. As diferenças entre os personagens, que parecem vir do berço ou ter começado em sua mais remota infância, tornam-se cada vez mais acentuadas.
 

ÓDIO PERENE 
 A primeira disputa séria entre os irmãos tem como pivô Lívia, uma garota pela qual os dois se apaixonam. Numa primeira ocasião (o baile dos jovens), a mãe ordena a Yaqub que leve a irmã Rânia para casa, o que favorece Omar. O troco não demora a chegar: numa sessão de cinematógrafo na casa dos vizinhos, uma pane no equipamento deixa a sala escura. Quando as luzes se acendem, os lábios de Lívia estão colados ao rosto de Yaqub. Omar se vinga quebrando uma garrafa e cortando, com ela, o rosto do irmão. A cicatriz em forma de meia-lua será uma marca do ódio perene entre ambos.

Os pais percebem que o incidente pode despertar uma série de vinganças entre os dois e, para evitar isso, mandam Yaqub a uma aldeia remota no Líbano. A estratégia resulta inútil, pois a única coisa que não muda em Yaqub, ao voltar para o Brasil, é o ódio que sente do irmão; o mesmo pode ser dito de Omar.

Yaqub chega da viagem e se aferra aos estudos, revelando-se um matemático excelente. O irmão, que permanecera sob os cuidados da mãe, mostra-se irrequieto e indisciplinado.

Durante uma aula de matemática, o Caçula agride o professor Bolislau, o preferido de Yaqub, e é expulso do colégio dos padres. Vai para uma escola de reputação duvidosa – Liceu Rui Barbosa, o Águia de Haia, conhecido como “Galinheiro dos Vândalos”. Lá, conhece o professor Antenor Laval, admirador de poetas simbolistas franceses e defensor da liberdade.

Em contrapartida, o sucesso de Yaqub tem como prêmio uma viagem a São Paulo, a fim de que possa aprimorar os estudos. Seu professor de matemática, o padre Bolislau, ajuda-o a decidir-se pela partida, ao dizer: “Se ficares aqui, serás derrotado pela província e devorado pelo teu irmão”. Antes de seguir, Yaqub tem um encontro amoroso com Lívia.
 

PROSPERIDADE VERSUS BOEMIA 
Aos poucos, a identidade do narrador é revelada. Sua mãe, Domingas, trabalhadora prestativa e submissa, nada diz ao filho sobre quem seria seu pai.

De São Paulo, Yaqub envia cartas cada vez mais lacônicas. Forma-se em
 engenharia, prospera profissionalmente e casa-se. Enquanto isso, um Halim velho e nostálgico fala sobre o passado ao narrador. Conta como foi o nascimento dos filhos e a abertura de sua loja. Afirma, também, que a vinda dos filhos o incomodou, pois sentia que eles lhe roubavam a atenção da mulher, principalmente o Caçula.

Omar torna-se boêmio, entrega-se a festas e a bebedeiras, terminando sempre suas noitadas estirado numa rede da casa, onde permanece grande parte do dia. Na noite em que traz uma mulher para casa, isso ultrapassa os limites até mesmo de seu permissivo pai. Halim levanta-se e expulsa a desconhecida, que dormia na sala. Depois, arrasta o filho pelo cabelo, dá-lhe uma bofetada, prende-o ao cofre e parte por dois dias.

Quando Omar leva formalmente outra mulher, Dália, para casa, Zana antevê nela uma potencial concorrente, por isso a expulsa. O Caçula parte atrás de Dália, que descobrem ser uma das Mulheres Prateadas, grupo de dançarinas amazonenses que se apresentava em uma casa noturna.

Após o episódio da mulher prateada, Zana decide enviar Omar a São Paulo. Yaqub nega-se a abrigar o irmão, mas se propõe a alugar para ele um quarto numa pensão e matriculá-lo num colégio particular. O Caçula parte para São Paulo e, durante algum tempo, porta-se de maneira exemplar.

De repente, chega a notícia de seu desaparecimento. Algum tempo depois, descobre-se que ele se envolvera com a empregada de Yaqub para ter acesso à casa do irmão. Ao chegar lá, descobrira que a mulher de Yaqub não era outra senão Lívia, alvo das disputas infantis dos gêmeos. Tomado pela raiva, Omar cobrira as fotos de Yaqub e de sua mulher com desenhos obscenos. Roubara também 820 dólares do irmão, mais o seu passaporte, e viajara para os Estados Unidos.
 

MORTE DE HALIM 
Numa visita de Yaqub à família, em Manaus, o narrador observa sua mãe e o visitante de mãos dadas e desconfia ter descoberto a identidade de seu pai. De volta a São Paulo, o gêmeo mais velho prospera cada vez mais.

Omar retorna a Manaus, onde se envolve em atividades de contrabando e com uma mulata conhecida como Pau-Mulato. Depois foge de casa por longo tempo.

Halim decide procurar o Caçula, mas a busca, que dura meses, não surte resultado. É Zana quem dá o passo decisivo para encontrar o filho: procura um velho peixeiro manco, o Perna-de-Sapo, que conhecia a floresta como ninguém. Em pouco tempo, o homem descobre o paradeiro de Omar. Zana vai atrás dele e, após uma discussão, o traz para casa.

O narrador revela sua paixão por Rânia, que, no entanto, só irá conceder a ele uma única noite de amor. Halim envelhece, e a presença definitiva do Caçula o deixa pouco à vontade em casa. Zana pede a Nael, o narrador, que acompanhe o filho em suas noitadas.

Outra faceta de Omar é narrada no episódio de prisão e morte do professor Antenor Laval. Em abril de 1964, logo após o golpe militar, Laval é espancado por policiais em praça pública e preso. Dois dias depois, sabe-se que está morto.

Omar, abalado com o destino do mestre, fecha-se em luto e deixa temporariamente as noitadas. Halim se entrega cada vez mais ao passado e sai de casa frequentemente, para longas caminhadas pela cidade, sempre seguido por Nael. Até que, na véspera do Natal de 1968, só volta de madrugada, depois que todos já dormiam. De manhã, os familiares o encontram: sentado sobre o sofá, não respira mais. Omar dirige, então, grandes ofensas em direção ao corpo do pai.

Vizinhos chegam a tempo de impedir o filho de atacar o cadáver. Yaqub envia para o enterro uma coroa de flores e um epitáfio: “Saudades do meu pai, que mesmo à distância sempre esteve presente”. Zana, pela primeira vez, trata Omar com dureza e o repreende severamente.
 

PROJETO FRACASSADO 
Omar passa a trazer para casa um indiano chamado Rochiram, que pretende construir um hotel em Manaus. Zana vê aí a possibilidade de reconciliar os 2 irmãos
. O Caçula prevê as intenções da mãe e tenta esconder inutilmente o indiano. Por carta, Zana chama Yaqub, que, após algum tempo, aparece secretamente em Manaus e se hospeda num hotel isolado. Está associado a Rochiram. Numa manhã, Yaqub surge na casa e deita-se na rede, chamando Domingas para sentar-se a seu lado. Nesse instante, Omar irrompe na varanda e agride brutalmente o irmão indefeso. Rasga também seus projetos para a construção do hotel. Os planos de Zana vão por água abaixo: Yaqub tentara trair o irmão, que descobrira tudo e o teria matado se não fosse a interferência de Nael e dos vizinhos.

Para piorar a situação, o fracasso do projeto resulta em gigantesca dívida com o empresário indiano. Pouco tempo após o conflito, Domingas fica doente e morre. Antes, revelara ao filho que, no passado, fora estuprada por Omar.

Rânia prepara um bangalô para levar a mãe, que resiste a abandonar o velho lar. Um dia, Rochiram aparece e pede a casa como forma de acerto da dívida. A sugestão viera de Yaqub. Omar torna-se um foragido, porque a agressão fora denunciada pelo irmão à polícia. Nesse tempo, ocorre a morte de Zana. Uma pequena parte da casa, nos fundos, torna-se posse de Nael. “Tua herança”, afirma-lhe Rânia.

Numa tarde, Omar aparece diante de Rânia. A irmã não tem tempo de falar com ele, já que policiais estavam à espreita e o capturam, depois de agredi-lo.

O narrador cita rapidamente a morte de Yaqub. Omar sai da cadeia pouco antes de cumprir sua pena. Na última cena do romance
, chove torrencialmente e o Caçula aparece diante do narrador. Olha fixamente para Nael, parece estar a um passo de pedir perdão, mas recua e parte lentamente.

 
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