25.8.13

Sonora Brasil


      O Sonora Brasil é um projeto musical que já acontece há 16 anos em várias regiões do país, e agora veio para Guarapuava, por meio do SESC. Com entrada franca, o projeto tem como objetivo o desenvolvimento histórico da música no Brasil, incentivando novas práticas e novos hábitos de apreciação musical e a valorização da pureza do som e a qualidade das obras.
      A edição dessa vez conta com dois temas, que são Tambores e Batuques, e Edino Krieger. Nesse ano serão realizadas quatro etapas, a primeira que teve a participação do Quarteto Belmonte, do Rio de Janeiro. A segunda realizada com o Octeto Polyphonia Khoros de Santa Catarina, e na última terça-feira, 20, a terceira etapa do Sonora, que contou com a participação do Quinteto Brasília.
      Criado em 2000, o Brasília é considerado como um dos principais grupos de câmara da região Centro-Oeste e um dos poucos quintetos clássicos de sopros em atividade no país. O Quinteto composto por Sérgio Barrenechea, flauta, José Medeiros, oboé, Felix Alonso, clarineta, Gustavo Koberstein, fagote, Stanislav Schulz, trompa, possui estilo clássico, com abordagens contemporâneas. Com ênfase para o fagote, instrumento pouco conhecido pelo público e com características peculiares.
      A última etapa do Sonora será realizada no dia 22 de outubro às 20h, no auditório do Sesc Guarapuava. Com participação do Duo Cancionâncias, de Mato Grosso Do Sul.

      
Por: Diana Pretto

23.8.13

Tempo de Menino (Contos) – Domingos Pellegrini



O autor
 Domingos Pellegrini Júnior nasceu em Londrina – PR em 1949. Morou em São Paulo mas passou maior tempo de sua vida em Londrina, onde reside até hoje  O escritor é romancista, contista, poeta, jornalista e publicitário. Os gêneros literários que praticou foi conto, novela, poesia, romance e crônica. Suas principais obras são “O homem vermelho” (1977), “A árvore que deva dinheiro” (1981), “O caso da Chácara Chão” (2000). Pellegrini é, sem dúvida, um dos nomes mais significativos da prosa brasileira contemporânea. Um escritor de talento, que prefere, contudo, auto-intitular-se “um contador de histórias”. Dedicou-se progressivamente a produção de textos destinados ao público infanto-juvenil, principal interlocutor de sua obra, buscando sempre, desenvolver uma linguagem na escrita, sendo esta simples e objetiva.

Contexto histórico
Nas cinco histórias reunidas em Tempo de Menino há um claro tom de nostalgia e o delicioso sabor de descoberta do mundo. São importantes episódios cruciais na vida de seus personagens que mesclando graça, ternura, ingenuidade, amargura e falam daquele tempo fascinante em que a criança começa a perceber um mundo novo: o mundo dos adultos. Ao relatar experiências importantes na vida de qualquer garoto, Domingos Pellegrini vai revelando a complexidade das relações humanas envolvidas em situações aparentemente banais. Um livro que, por certo, vai permitir ao leitor viver e reviver todo o encantamento do seu tempo de menino. Em cinco contos, o autor reconstitui emoções vividas por alguém que - na infância ou juventude - descobre o mundo. Na leitura desta obra, há algo que se extrai em termos de amadurecimento, de conhecimento do mundo e das pessoas.
Algumas crianças têm a sorte de amadurecer aos poucos, sem traumas. Para outras, esse processo se dá através de uma experiência dolorosa – às vezes até mesmo uma perda que fere no íntimo e abala tudo ao redor. Assim são as histórias de Tempo de Menino.

A obra
Entre os cinco contos da obra, Tempo de Menino, dois deles estão escritos em primeira pessoa, nos quais os narradores são os próprios meninos-protagonistas: “Visita ao zoológico” e “Minha estação de mar”. O autor conta as histórias das histórias.
“Visita ao Zoológico”: O pai prometera levar o filho ao zoológico, mas adiava sempre, pois era preciso que ele merecesse. Estava aprontando constantemente.
Certo dia, tirara as agulhas de crochê da Vó para fazer ponta de flecha. Diante de suas reclamações, ainda respondera:
“ – Que que a senhora faz com a aposentadoria do Vô? A senhora nunca põe um tostão em casa!” Pobre Vó. Chateada, ficou três dias trancada em seu quarto. Com certeza, ele ainda teria que continuar esperando a oportunidade para ir visitar o zoológico. 

Passaram-se vários domingos e nada! Até que num dia qualquer o seu sonho se realizou. Seu pai havia sido despedido do emprego e mesmo assim  resolveu cumprir com a promessa de leva-lo ao zoológico. Falou que tinha aprendido com  seu Vô que quando as coisas não vão bem, é hora de fazer uma festa.
Seu pai não gostava de zoológico, porque os bichos ficam enjaulados e isto para ele não tinha graça, despertava tristeza.
O menino correu, brincou, observou atenciosamente os animais: tigre, gorila, girafa, zebra, cobra, jacaré. Estava na hora de voltar. Viu a onça e lembrou da mãe, porque estava sempre a ralhar por qualquer motivo. E o seu pai lhe disse que ela era uma mistura de galinha choca com  loba. Disse também que a Vó era uma mistura de raposa com cobra, na verdade, ela era apenas uma gatona velha.
No conto “Homem ao mar” em Tempo de menino (1997), Pellegrini conta a estória de pai e  filho que passaram por apuros depois que o filho caiu no mar revolto durante uma pescaria
O conto “A última janta” faz uma metáfora interessante mesclando elementos de índices e informantes. Para isso o texto narra à estória de um menino que  morava com a mãe em uma pensão onde peões vinham jantar. A descoberta do mundo e das coisas se dá por meio da mistura da comida e do processo de transformação que esta faz no  corpo humano. Em um dado momento um agenciador de nome Zé come diante do menino que, como qualquer outro da sua idade, faz muitas perguntas. Na medida que o agenciador  come e mistura o arroz, o feijão, a carne, o menino pergunta e descobre novos mundos:
– Por que a gente come, Zé?
O agenciador riu; os peões da mesa riram.
– Bom – começou – tudo o que a gente come vira alguma coisa dentro da gente.
O menino ia abrindo a boca devagar, o queixo pendendo.
– O bife vira músculo. Deixa eu ver.
Apalpou o braço de menino.
(...) – E o arroz vira o quê?
– Arroz não é branco? Vira osso, vira dente.
(...)  – E o feijão?
O feijão banhava o fundo do prato, lambuzava os pedaços de bife; num canto ia
aparecendo abobrinha picada. (PELLEGRINI, 1997: 21).
Uma das características mais marcantes do trabalho literário de Pellegrini, são as muitas histórias que envolvem crianças, na verdade, meninos, adolescentes homens ou jovens no início da idade adulta. Um viés que começou logo no início da carreira do escritor com a obra Meninos, de 1977. É importante fazer um breve parêntese para salientar a onipresença do nome “menino” em grande parte dos livros e/ou dos contos que o autor escreveu desde a década de 70. Logo após Meninos (1977), temos Os meninos crescem (1988).



Referências:
PELLEGRINI, Domingos. Tempo de menino: Contos. São Paulo: Ática 12ª ed. 2007.
ARAÚJO, Lucas Vieira de. “A construção dos personagens nos contos (1977-1998) de Domingos Pellegrini”. Disponível: http://www.uel.br/pos/letras/EL/vagao/EL1Art9.pdf. Acesso em: 30 de abril de 2013.
De: Tânia T. Marcondes

Por: Amanda bastos Maciel



O Rei da Vela - Oswald de Andrade


Autor
   José Oswald de Andrade nasceu em uma família abastada e graduou-se em direito. Contudo, sempre teve grande interesse e envolvimento com o jornalismo e a literatura.
Em 1911, antes de se formar advogado, fundou em São Paulo um semanário de crítica e humor, que utilizava para publicar seus próprios trabalhos na área do jornalismo literário.
   Fundou junto com outros intelectuais o jornal “Papel e tinta”, logo em seguida organizou a Semana da Arte Moderna de 1922. Juntando as ideias estéticas da Semana de Arte Moderna junto a ideias nacionalistas, deu início, em 1924, ao movimento Pau-Brasil. Oswald foi autor do “Manifesto Antropofágico”, onde sugeriu que as culturas estrangeiras fossem devoradas e que o Brasil criasse sua própria cultura revolucionária.
   Todavia, a vida de Oswald foi abalada pela Crise de 29, onde encontrou-se sem dinheiro e foi várias vezes levado à prisão devido às suas associações políticas.  Em 1945, tornou-se professor da USP, emprego em que permaneceu pelo resto de sua vida.
   Oswald morreu aos 64 anos e suas peças, poesias e romances foram fundamentais para a literatura brasileira, uma vez que foi fonte precursora de dois movimentos importantíssimos na cultura brasileiro na década de 60: o concretismo e o tropicalismo.


Contexto Histórico

A época em que Oswald de Andrade escreveu suas obras, principalmente O Rei da Vela, foi um período muito conturbado, principalmente no que diz respeito ao quadro político-social.
Primeiramente, a Crise de 1929, abalou financeiramente não só o Brasil, mas vários países do mundo. Depois ocorreu a Revolução de 30, um movimento armado que pôs fim à chamada República Velha com o Golpe de Estado, um golpe que culminou com a deposição do atual presidente Washington Luiz, o impedimento da posse do presidente eleito Júlio Prestes e com a ascensão ao poder de Getúlio Vargas. Mais tarde, como Oswald residia em São Paulo, teve que passar também pela Revolução Constitucionalista de 32, movimento contrário à ditadura de Vargas que exigiu que o país tivesse uma constituição e, consequentemente, uma postura mais democrática.


Resumo e Análise da Obra

O Rei da Vela é uma peça teatral apresentada em três atos que demonstra o quadro social brasileiro da década de 30. Ela conta a história de Abelardo I, um agiota inescrupuloso que tinha como principal atividade financeira fazer empréstimos e depois fazia de tudo para tirar o máximo de dinheiro possível de seus devedores, não se cansava até deixá-los sem nada.
Abelardo I é um burguês em ascensão que acumulou riquezas às custas das privações alheias. Ele tirou proveito da economia quebrada pela Queda da Bolsa de Valores de Nova York para investir nos mais variados negócios, como o café e indústria.  Mas o carro chefe dos negócios era a fabricação de velas.
Era um negócio lucrativo, pois devido a falência das companhias elétriacas todos estavam comprando velas para iluminar seus lares, e também era costume popular colocar uma vela na mão de cada morto, então Abelardo I lucrava também com a morte das pessoas. Ele era o retrato do burguês que ascendia à custa da pobreza e das crenças populares.
Abelardo I tinha uma noiva, Heloísa de Lesbos. A moça representava a classe fazendeira em decadência, pois era filha de um grande latifundiário que se afunda em perversão e vícios até ir à falência. A união dos dois é uma metáfora à fusão das duas grandes classes sociais diretamente influenciadas pelo sistema capitalista, os latifundiários em decadência e a burguesia em ascensão.
Há outros personagens na peça que também carregam grande importância na sociedade da época. Pinote representa os intelectuais e artistas da época que não sabem se seguem com seu compromisso social ou rendem-se a servir à burguesia, como é o seu caso. Outra peça importante na história é Mr. Jones, investidor norte-americano que representa a entrada do capital estrangeiro no país e revela um Brasil com uma enorme dívida com os Estados Unidos e Inglaterra.
Os personagens Heloísa, Abelardo I e Mr. Jones representam as forças locomotoras da sociedade brasileira: a aristocracia rural, que se une à burguesia nacional ascendente, para servir ao capital estrangeiro.
O primeiro ato acontece no escritório de Abelardo I e resume-se aos seguintes fatos. Entra Abelardo II, seu empregado ambicioso que pretende superá-lo, e um devedor que há anos vem sendo explorado. São mostrados vários outros devedores gritando encarcerados em jaulas enquanto Abelardo I e II analisam as dívidas de seus clientes. Após esse fato, entra a noiva Heloísa.
O segundo ato se passa em uma ilha tropical localizada na Baía de Guanabara e mostra várias cenas onde os personagens exibem certos desvios de personalidade. Heloísa e Mr. Jones flertando um com o outro; a mãe de Heloísa, Dona Cesarina, também se mostra acessível às investidas de seu futuro genro Alberto I; Totó Fruta-do-Conde, o irmão homossexual que rouba o amante, João dos Divãs, da própria irmã, Joana; Perdigoto, irmão da moça, bêbado e jogador viciado, que planeja organizar uma milícia patriótica para reestabelecer a ordem social e conter os latifundiários descontentes; e Coronel Belamino, pai de Heloísa que só faz lamentar pela decadência da aristocracia rural. A relação entre a decadência dos colonos e desvios sexuais é reforçada com a personagem Dona Poloca, pilar das tradições aristocráticas e virgem com mais de sessenta anos, sente-se tentada a dormir com Abelardo I. Além disso, Mr. Jones interessa-se pelo chofer.
O terceiro e último ato da peça ocorre no escritório de Usura. Abelardo I é roubado por seu empregado Abelardo II, fica sem nada e decide se suicidar. Antes de morrer o Rei da Vela lembra Heloísa de que ela deverá se casar com Abelardo II, o ladrão de sua fortuna, e depois fala para Abelardo II que mesmo que ele esteja morrendo o sistema capitalista continuará e a burguesia está condenada, pois um dia os proletários se unirão contra eles. A peça termina com a cerimônia de casamento de Heloísa e Abelardo II.
O vídeo contendo trechos da peça pode ajudar na compreensão da obra.

Referências:
ANDRADE, Oswald de. O rei da vela. 2.ed. Sao Paulo: Globo, 2003. 132p. (Obras completas de Oswald de Andrade).
O Rei da Vela, de Oswald de Andrade. Disponível em: <http://www.passeiweb.com/na_ponta _lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_rei_da_vela> Acessado em: 28 de junho de 2011

Oswald de Andrade – Biografia – Uol Educação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/biografias/oswald-de-andrade.jhtm> Acesso em: 15 de abril se 2013.
De: Willyan Carlos Saggio

Por: Amanda Bastos Maciel

Folclore da Nossa Terra

Todos sabemos que os costumes folclóricos estão presentes em todo o nosso País, retratam nossa personalidade e cultivam crenças que já existiram. No Paraná não é diferente. Nossas lendas e folclores giram em torno da natureza daqui.
Um exemplo disso é a lenda da Gralha Azul. Conta-se que havia, há muito tempo, uma gralha comum, que se queixava de sua cor parda e pedia aos céus que a fizesse especial. Deus, então, sensibilizado com seus pedidos, deu a ela um pinhão.
O pássaro, confuso com o presente, comeu uma parte dele e enterrou o resto para comer depois. Dias depois, voltou ao lugar e não  encontrou mais o grão, mas um pequeno broto de pinheiro, que cuidou com muito carinho, regou-o quando não havia chuva.
Descobriu, assim, sua missão: espalhar a araucária pelo Estado. Deus, vendo o esforço da gralha, resolveu presentear-lhe com algo que fizesse todos os outros animais perceberem quão especial ela era, colorindo suas penas com a cor do céu.
Marcada, a Gralha é lembrada até os dias de hoje e se transformou em símbolo do Estado, por ter feito tão nobre trabalho.
Os contos folclóricos servem, não só para perpetuar nossas crenças, como para enaltecer as belezas do nosso País ou Estados. Esta é a semana do folclore, cultivá-lo significa cultivar nossas origens.


22.8.13

Melhores Crônicas - Rachel de Queiroz

Autora
           
      Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, Ceará, em novembro de 1910. Viveu parte de sua infância na capital do estado e parte, no interior, na fazenda dos pais. Depois da seca de 1915, mudou-se para o Rio de janeiro, onde ficou por pouco tempo, transferindo-se para o Belém do Pará. Raquel de Queiroz vem a falecer no dia 4 de novembro de 2003 em sua casa no Rio de janeiro.
      Ingressou no jornalismo como cronista, em 1927. Em 1930, lançou seu primeiro romance “O Quinze” que recebeu o primeiro prêmio. Em 1977, foi à primeira escritora a ingressar na Acadêmia Brasileira de Letras, um grupo que, até então, tinha sido exclusivamente masculino.
      Suas principais obras são: “O Quinze” (1930), “As três Marias (1939), “100 Crônicas escolhidas” (1958), “Dora Doralina” (1975), “As menininhas e outras crônicas” (1976) e “Memorial de Maria Moura” (1992).


Contexto histórico
           
      No início do século XX, a literatura brasileira atravessava um período de transição, as estéticas literárias (Relismo, Naturalismo, Parnasianismo), muitas vezes se fundiam. De um lado, ainda era forte a influência das tendências artísticas da segunda metade do século XIX; do outro lado, já começava a ser preparada a grande renovação modernista, cujo marco no Brasil é a Semana de Arte Moderna (1922). A essse período de transição, que não chega a construir um movimento literário chmamos de Pré-Modernismo. Nesse sentido, deve-se dizer que é entre esse “Pré-Modernisno” e o “Modernissmo” já fixado como movimento literário que as crônicas de Rachel de Queiroz estão inseridas.                    

Obra
           
      “As Melhores Crônicas de Rachel de Queiroz” foi organizado por Heloisa Buarque de Hollanda e reúne crônicas publicadas por Raquel de Queiroz em seis livros, abrangendo um príodo que vai de 1948 “A donzela e a moura morta” à 2002 “Falso mar, falso mundo.
            Dentre as crônicas escolhoidas para este livro, têm-se grande destaque os tipos regionais e as lembranças que Rachel tem do sertão. Assim, muitas vezes estes textos apresentam um caráter autobiográfico, à medida que são baseados em lembranças e fatos reais vividos pela escritora. Percebe-se também uma linguagem simples como se fosse um diálogo com o leitor, uma característica comum às crônicas.
           
Crônicas Representaivas

O Senhor São João

            Nesse texto, a autora usa como ponto central a festa de São João para descobrir certos preconceitos  e esteriotipos mantidos pelos moradores das regiões Sul e Sudeste acerca do Norte e Nordeste. Tendo como ponto de partida a ideia de que no Norte o povo passa o ano todo dançando em uma série de festividades. Rachel de Queiroz trabalha a diferença entre diversos estado e cidades do Norte e Nordeste, dando voz aá riqueza cultural desta regiões. As lembranças da infância no Ceará tem grande importância na construção dessa narrativa.

Rosa e o fuzileiro e Vozes d’África
           
      Estes contos fazem parte de uma vasta produção sobre amores impossíveis bem ao estilo Romeu e Julieta. Em “Rosa e o fuzileiro”, Rachel conta a história de uma jovem, Rosa, que se apaixona por um fuzileiro naval e que é violentamente agredida por seu pai, que se opunha ao amor da moça. Alguns meses depois, ela reconta a história de rosa, mas dessa vez sob o ponto de vista do pai, em “Vozes d’África”.

Pátria Amada

            Após uma temporada no exetrior, Rachel de Queiroz fala sobre a sensação de voltar ao Brasil. Por mais que, ao estar em solo brasileiro, o que mais se quer é ir para e exterior e fugir de toda a bagunça de nosso país, ao se encontrar distante e se deparar com a bandeira nacional, o que se sente é saudade e vontade de voltar para casa. Rachel de Queiroz, em tom nacionalista, também reflete sobre o que é a pátria. O tema do “retorno” (seja ao Brasil, seja à casa, ou seja o retorno à infância) é um tema bastante recorrente em suas crônicas.

Sertaneja

            Nesta crônica, o saudosismo e o orgulho de sua terra-natal, o Ceará aparece com grande força para retratar a vida no sertão. O ocorrido passar do tempo em uma cidade como O Rio de Janeiro é posto em contraste com o tempo devagar e sossegado da vida no sertão. Este tema do “tranquilo passar do tempo” é discutido em diversas outras crônicas da escritora.

Não aconselho envelhecer

Rachel de Queiroz traça nessa crônica uma perspectiva sobre a velhice bastante diferente do senso comum. Primeiramente, ela discorda do termo “terceira idade”, e elenca o que considera diversos prejuízos causados pelo envelhecimento, que para ela é como uma “espécie de HIV a longo prazo”.


Referências:

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Rachel de Queiroz: coleção melhores crônicas. São Paulo: Global, 2004.

De - Ana Paula Kuchla
Por: Diana Pretto


Contos Novos – Mário de Andrade

Autor
      Mário Raul de Moraes Andrade ou simplesmente Mário de Andrade nasceu em São Paulo em 9 de outubro de 1893, vindo de uma família aristocrata, formou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Os trabalhos com literatura começou quando escrevia críticas para jornais e revistas. Morreu em 1945 aos 51 anos, devido a um enfarte do miocárdio, em sua casa.
     O poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, professor universitário e ensaísta Mário de Andrade teve muita importância sendo considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX.

Contexto Histórico

      Contos Novos foi escrito em um momento de crise pessoal, no ano de 1947 e publicado posteriormente , marcadas por uma purificação compositiva e estilística. Contos de estrutura moderna, que marcaram as décadas de 30 e 40, onde a descrição procura apontar a corrente de pensamento dos personagens.
      Contos Novos é composta por nove narrativas que evidenciam um profundo mergulho na realidade social e psíquica do homem brasileiro.
      As nove tramas do Contos Novos compõem um projeto claro de olhar para o homem comum, mostrando sua realidade. As narrativas são feitas na primeira pessoa, compostos de elementos autobiográficos e constituem uma sensível construção de memória, pessoal e coletiva.

Resumo da Obra

Vestido Preto

Juca se lembra da infância quando teve um envolvimento amoroso com sua prima Maria, foram surpreendidos no meio de um beijo pela Tia Velha. Desde então se mantiveram distantes na adolescência pelo desinteresse de Maria pelo primo. Quando adultos Juca descobre que a prima havia se casa e acabam se encontrando, ela está deslumbrante vestida de preto no momento Juca se contem e apenas diz boa noite e foi a última vez que se viram.

O Ladrão

Toda vizinhança é acordada por gritos de pega ladrão, aos poucos todos saem de suas casas e se mobilizam para encontrar o tal ladrão, porém, ninguém viu nada e a existência desse começa a ser questionada. Isso tudo valeu para reunir os vizinhos durante aquela madrugada paulista.

Primeiro de Maio

Conta os conflitos e as emoções do operário chamado de chapinha 35 que vê o dia do trabalhador passar em um momento histórico do Estado Novo. 35 espera ver mudanças e liberdade democrática a todos.

Atrás da Catedral de Ruão

Uma professora de francês Mademoiselle que tinha quarenta e três anos ainda é virgem, mas tem grandes desejos carnais o que faz duas moças compartilharem experiências com a professora. Sente-se perseguida por alguém atrás de uma catedral, o que acaba nunca acontecendo.


O Poço

Um fazendeiro de setenta e cinco anos chamado Joaquim Prestes queria construir um poço em sua propriedade, então mandou que seus empregados construíssem, mas o fazendeiro era autoritário e não respeitava os trabalhadores.  A obra atrasou por estar frio e chovendo, o que deixou o patrão descontente, quando vai reclamar aos empregados sua caneta tinteiro cai no poço e ele força que os mesmos encontrem seu pertence, dois dias depois a caneta é encontrada e devolvida à Joaquim mas esse a joga no lixo pois já não prestava, e ao fim abre a gaveta com várias outras canetas tinteiro.

Peru de Natal

Após a morte do pai Juca resolve proporcionar a família (irmã, mãe e tia) um natal diferente para afastar as tristezas do luto, para tal sugere que na ceia degustem um peru, afinal, em vida o pai nunca havia oferecido para família um natal assim.

Frederico Paciência

Juca e Frederico são dois adolescentes que estudam juntos e mostram-se muito amigos tão amigos que acaba gerando comentários homossexuais, depois que terminam o ginásio Frederico se dedica mais aos estudos, Juca nem tanto. Quando o pai de Frederico morre vem à tona o que Frederico escondia e confirma as suspeitas. Ele e a mãe se mudam para o Rio pouco tempo depois a mãe acaba morrendo também, Frederico e Juca desde então só se comunicam por cartas.

Nélson

Nélson é um homem misterioso e quando está em um bar sentado sozinho em uma mesa quatro homens da mesa ao lado começam a tentar descobrir quem é ele e de onde vem. Ao perceber que está sendo observado Nélson se levanta e vai embora.

Tempo de Camisolinha

Um menino que já estava crescendo recebe a notícia que seus cabelos irão ser cortados, esse fica abalado tendo apenas de lembrança de quando era menor a camisolinha que vestia. O garoto vai para uma casa na praia para melhor conforto da mãe que está grávida, lá ele conhece um operário que lhe dá três estrelas dizendo que essas trariam sorte. A criança fica toda feliz, mas encontra um homem que lhe conta que não tem sorte na vida, então o menino entrega uma das estrelas para que o homem tenha sorte e volta par a casa triste por ter agora somente duas estrelas.

Referências

ANDRADE, Mário de. Contos Novos. Rio de Janeiro: Itatiaia. 17 ed. 1999.


De - Jaqueline e Almeida de Lima
Por: Diana Pretto



A Jangada de Pedra – José Saramago

Autor

José de Sousa Saramago (16/11/1922 – 18/06/2012) nasceu em uma aldeia ao sul de Portugal. Autodidata, antes dedicar-se unicamente à literatura foi mecânico, serralheiro, desenhista industrial e também trabalhou como gerente de produção numa editora, e em 1947 iniciou sua atividade literária com o romance “Terra do Pecado”. Atinge a notoriedade em 1980 com a obra “Levantado do Chão”, tida hoje como seu grande primeiro romance. Em 1998 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura com A Jangada de Pedra, sendo o primeiro autor de língua portuguesa a fazê-lo.

Contexto Histórico

A Jangada de Pedra foi publicada quando Espanha e Portugal passaram a integrar o MCE – o Mercado Comum Europeu, hoje União Europeia. Tomando como ponto de partida uma série de casos insólitos, Saramago expressa claramente o descaso europeu ante as nações ibéricas. Neste contexto se instaura o realismo mágico na narrativa como meio de transgressão. Ao servir de instrumento à navegação exposta em texto, Saramago expressa assim a sua insatisfação em relação à Europa.

Análise da Obra

      Publicada em 1986, a obra de Saramago elenca uma série de ocorrências sobrenaturais que culminam no apartamento da Península Ibérica, que abandona a Europa ao tornar-se uma ilha enquanto se desloca à deriva através do Oceano Atlântico. A narrativa, tomada num tom de pressentimentos incertos e apocalípticos tem como ponto de partida a exposição de casos insólitos que permeiam as suas personagens principais, casos os quais se interligam no decorrer da narrativa que corre sobre o tempo psicológico.
      O Oceano Atlântico é o espaço onde a Península Ibérica perambula aos olhos de suas personagens principais: José Anaiço, professor português sempre acompanhado de uma nuvem de estorninhos, Maria Guavaira, moradora da Galiza que tem nas mãos um interminável fio de lã azul puxado de uma meia, Joaquim Sassa, português do Porto, turista numa praia ao norte de Portugal, o farmacêutico idoso Pedro Orce, espanhol da região de Orce, e a divorciada da região de Ereira Joana Carda, protagonista que ao riscar com uma vara o chão, dá início a série de acontecimentos que compõem a trama da obra.
      Usando uma crítica afiada e agressiva, Saramago, ao excluir literalmente a Península Ibérica da Europa fazendo-a navegar pelos oceanos de forma errante, faz-se valer do discurso irônico e do realista mágico, quase partindo para o lado surreal da literatura, não objetivando a dessacralização da história como já fez anteriormente em outras obras, mas sim para questionar o porvir, através de diálogos com antecedentes históricos expressos na intertextualidade, sugerindo uma solução para o futuro configurado pela mítica de um novo mundo.
      Toda a obra é remetida às diversas fases da literatura portuguesa, percebidas no heroísmo e estoicismo do homem português deslumbrado. A tradição camoniana tem forte presença inspiradora no texto, dando-lhe apelo dramático e épico. A Península ostenta o papel de um novo país, ou império, em busca de seu lugar no mundo. Enquanto vaga através do oceano traz dentro de si uma analogia secundaria com o expansionismo do latim, e em primeiro plano aponta o retorno de Portugal à navegação num sentido de descoberta de novo mundo.
      A longa viagem da Península tem seu fim após descer em direção das Américas, quando ancora na costa do Novo Mundo, chegando a uma nova terra em desenvolvimento, de cultura mais aberta em relação ao purismo europeu, de povos nascidos da miscigenação da colonização, espanhola e portuguesa.
       Por fim, a narrativa da obra descreve todo o caos instituído na Península a partir de sua separação da Europa, elencando seus problemas políticos, a falta de alimentos, apagões e mesmo alterações ecológicas, suscitando o prelúdio de um apocalipse dado em razão do descaso dos países europeus e pelos movimentos marítimos da “jangada.

Referências:

SARAMAGO, JOSÉ. A jangada de Pedra. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


De - Felipe Soares
Por: Diana Pretto


21.8.13

Dois Irmãos - Milton Hatoum



Autor
  O escritor brasileiro, Milton Hatoum, nasceu em Manaus, em 1952. Começou sua trajetória literária já com um livro premiado, Relato de um Certo Oriente publicado em 1990, onde foi reconhecido e recebeu o  Prêmio Jabuti.
Em seus livros, vemos um  certo sabor autobiográfico, pois neles o autor resgata o universo familiar que testemunhou no século XX, quando ocorreu o desembarque dos primeiros imigrantes em Manaus.  Ao abordar terríveis conflitos familiares, Milton enfoca a decadência dos princípios convencionais, sufocados pelo espaço cada vez mais dominado pela voracidade da globalização.                                      
   Milton Hatoum aborda em seus livros as consequências deste aniquilamento das convenções, o seu reflexo na desorganização das relações familiares, adotando igualmente um certo tom crítico na esfera política, principalmente no que se refere à Ditadura Militar vigente nos anos 60 e 70 no Brasil. O autor evoca os fantasmas do passado para reconstruir no presente as experiências já vividas. Consagrado pela crítica, é considerado um dos principais escritores da literatura contemporânea.                                                                                                                                    
Contexto-histórico
  Um forte traço a pontuar na obra é a questão da identidade, que perpassa toda a cultura pós-moderna, especialmente a literatura, pois representa a busca do próprio ser humano, que hoje se sente como um nômade, um incessante exilado, onde quer que esteja. Este traço é ainda, mais acentuado nesta obra, povoada por personagens que deixaram sua pátria para tentar uma vida nova no Brasil e por seus descendentes, que ainda não se sentem à vontade no lugar que ocupam.
  O fio condutor que guia a construção desta identidade é a memória, praticamente a protagonista da produção literária de Milton Hatoum, pois é ela, bem como sua eventual ausência, que orienta a narrativa. Dois Irmãos  é a obra mais explorada e analisada deste autor, ela apresenta avanços e recuos no tempo, sem uma cronologia linear. Os problemas vão sendo revelados ao leitor aos poucos, conforme o narrador rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar os enigmas da história.

Obra
   No início do século XX a cidade de Manaus recebeu vários estrangeiros, entre eles estavam o aprendiz de mascate chamado Halim e a menina Zana, que chegou sob a asa do pai, o viúvo Galib, dono de um restaurante perto do porto.
Halim e Zana casam-se e geram três filhos: Rânia, que nunca irá se casar, e os gêmeos Yaqub e Omar, que vivem em conflito. O casarão que habitam é servido por Domingas, a empregada índia, e mais tarde também pelo filho de pai desconhecido que ela terá. Esse menino chamado Nael — o filho da empregada — será o narrador. Trinta anos depois dos acontecimentos, ele conta os dramas que testemunhou calado. Dois irmãos é a história de como se faz e se desfaz a casa de Halim e Zana.                                                                                                                    
  Apaixonado pela mulher, depois do nascimento dos filhos Halim se condena à nostalgia dos tempos em que não era pai, em que não precisava disputar o amor de Zana, em que os dois tinham todo o tempo do mundo para deitar na rede do alpendre e se entregar aos prazeres sensuais. Pelo que nos conta o narrador, Halim estará sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares: a desmedida dedicação de Zana a Omar, seu filho preferido; o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família supostamente para amenizar os conflitos com Omar e a relação amorosa entre os gêmeos e a irmã Rânia.                                               
  Sobre Domingas, Nael relata que ela teve uma grande paixão por Yaqub, mas foi estuprada por Omar.  Diante disto a sua paternidade se torna um enigma.
  O enredo se desdobra a partir da volta de Yaqub, que na adolescência foi afastado do convívio familiar por 13 anos, para que as brigas entre ele e Omar fossem amenizadas. Esta decisão marca definitivamente a vida deste personagem, desprezado em prol do irmão.  Ao voltar para casa Yaqub casa-se com Lívia, um antigo amor dos dois irmãos, o que gera mais raiva entre eles.  Nael é marcado pela condição de bastardo e mantém a ideia fixa de desvendar sua paternidade.

Referências:
Hatoum, Milton. Dois irmãos. Disponível em: <www.resumosdelivros.com.br>. Acesso em: 21/06/2013.
Hatoum, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
De: Tatiane


Por: Amanda Bastos Maciel


19.8.13

Muitas vozes de Ferreira Gullar



Autor: José Ribamar Ferreira nasceu em 10 de setembro de 1930 em São Luís, Maranhão. Ao completar 18 anos, mudou seu nome para Gullar, uma adaptação do sobrenome de sua mãe, Goulart. Sobre a mudança de nome, Ferreira Gullar declarou que se tudo na vida é inventado, ele também inventaria seu nome. Publicou seu primeiro livro, Um pouco acima do chão, em 1949, mas esta obra acabou sendo excluída de sua bibliografia oficial. No ano seguinte ganhou um concurso promovido pelo Jornal de Letras com o poema “O galo”. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor na revista O Cruzeiro.  Além dessa, trabalharia também em outras revistas e jornais. Em 1954, publicou A luta corporal. Dois anos depois, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). Em 1959, publica o que ele próprio denominou o “Manifesto Neo-concreto” no “Suplemento Dominical”.

Relações do autor com o contexto histórico: Ferreira Gullar viveu e produziu durante o pós-guerra no Brasil, período no qual a sociedade brasileira sofreu profundas mudanças, o fim do governo Vargas e os chamados anos dourados. A década de 1950 que recebeu a alcunha de Anos dourados é considerada uma época de transição entre o período de guerras da primeira metade do século XX e o período das revoluções comportamentais e tecnológicas da segunda metade. Esta época foi considerada a "idade de ouro" do cinema e também foi a época em que Seleção Brasileira de Futebol faturou o seu primeiro título mundial.
Gullar é preso durante a ditadura militar em 1968 e parte para o exílio em 1971.Morou em várias países entre eles Moscou, Peru e Buenos Aires. Em Buenos Aires, escreve sua mais famosa obra, Poema Sujo, que foi publicada no Brasil em 1976 e serviu como um ato pela volta de Ferreira Gullar ao país. No ano seguinte ele retorna ao Brasil, publica diversos outros livros e ganha vários prêmios

A obra “muitas vozes”:
A obra “Muitas Vozes" reúne 54 poemas divididos em quatro partes, sendo que a primeira não recebe nenhum título e as outras três são “Ao rés da fala”, “Poemas recentes” e “Poemas resgatados”.
Ao contrário das outras partes, “Ao rés da fala” surpreende pela forma diferente de tratar alguns de seus temas. Gullar inclui nesta parte os poemas que tratam de seu exílio no Chile e da morte de sua primeira esposa. Por fim, convém ressaltar que após anos de experimentação literária e busca por novas formas de fazer poesia, Gullar volta a realizar em "Muitas Vozes", poemas metrificados e rimados – como pode-se notar mais fortemente na terceira parte do livro, “Poemas recentes”. 
 Assim, através de experiências diversas com a linguagem e o fazer poético, Ferreira Gullar consegue firmar-se como um poeta de vanguarda dentro da literatura nacional. Em "Muitas Vozes" podemos ver reflexões sobre a vida, a morte, memórias da infância, o silêncio e outros temas. O tema da morte, muito frequente no livro pode ser o reflexo da perda do seu filho e sua primeira esposa, na década de 1990.
 Porém, a morte não é vista com medo ou horror, mas sim como objeto de reflexão. Em contraste ao sentimento de dor e perda que o tema da morte traz, vê-se também a celebração da vida e do amor. Gullar havia encontrado um novo amor em sua segunda esposa, a poetisa Cláudia Ahimsa.
"Muitas Vozes" tem como preocupação central a própria palavra e em diversos poemas ele apenas “escuta”, “observa” e “reflete” a vida. Assim, o título do livro pode ser compreendido como a reunião das “muitas vozes” que possuem a poesia de Gullar: as experiências com a poesia formal, o concretismo e neo-concretismo, as temáticas da morte, infância, vida e diversos outros aspectos da poesia do escritor, estão presentes em "Muitas Vozes".


Referências: Caio Navarro de Toledo. 1964: O golpe contra as reformas e a democracia. Revista Brasileira de História vol.24 no.47. 2004. Página visitada em 22/04/2013. http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/muitasvozes/
Gullar, Ferreira: “muitas vozes”. Jose Olimpio editora, 1999.
De: Jean pruchniak


Por: Amanda Bastos Maciel

17.8.13

Manifestações Estudantis


Via  Adunicentro Sindicato Dos Docentes.
Na quarta-feira, dia 07 de agosto, o Restaurante Universitário no campus Santa Cruz/UNICENTRO foi interditado pela Vigilância Sanitária, por uma denúncia do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Os alunos então elencaram fatores que estão em falta ou precários (incluindo a estatização do R.U), com a ajuda dos departamentos. Na quinta-feira, 08 de agosto, a UNICENTRO foi ocupada.
Os estudantes exigem a negociação com o Governo do Estado e prometem desocupar a Universidade apenas após resultados visíveis, pois dizem querer resolver a situação e não apenas negociar por melhores condições e receber propostas vazias.
Estudantes dos três campi reuniram-se no saguão do campus cede e recebem colaborações dos demais estudantes, como dinheiro para a marmita e movimentações durante o dia.
Os manifestantes afirmam que o desleixo com a educação já vem acontecendo há muito tempo no nosso Estado e que devemos lutar por melhores condições, que vão de  fatores gerais, como condução entre os campi da cidade, limpezas regulares, compra de livros para a biblioteca, isenção das taxas de protocolo, criação de centros de convivência, instalação de bebedouros, nomeação de aproximadamente sessenta professores, e problemas específicos de cada departamento, como compra de reagentes novos, para eliminar os químicos vencidos, no departamento de química e farmácia e a digitalização dos laboratórios e a compra de softwares para o departamento de comunicação social.
Essas questões complicam a situação acadêmica de forma tão significativa, que a evasão da UNICENTRO chega a 45%. Não há casa de estudantes, centros de atendimento ao estudante e outros apoios que em outras universidades sempre foram realidade.
O DCE criou três pautas, uma que diz respeito à administração do campus, uma à reitoria e outra ao Governo do Estado. As três pautas unidas acabarão com grande parte dos problemas que vem sido encontrados no cotidiano da comunidade acadêmica.
A luta não e direcionada aos estudantes, e sim a melhores condições para a Academia em geral, pois todos serão beneficiados com as pautas feitas.


13.8.13

Dom Casmurro - Machado de Assis


Autor
      Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839.  Machado sempre foi autodidata.
      Aos 16 anos em 12-01-1855, publicou seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense. Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.
       Seus trabalhos são constantemente republicados, em diversos idiomas, tendo ocorrido a adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão.

Contexto Histórico

      "Dom Casmurro" é uma obra publicada na segunda metade do século XIX, período de desenvolvimento do cientificismo, que procura resultados exatos para explicar o mundo. Além disso, dentro de um contexto histórico trata-se de um período repleto de mudanças sócio-políticas e intelectuais, tais como a abolição da escravatura (1888), a Proclamação da República (1889), a entrada de imigrantes no país, e a modernização do Brasil com a dinamização da vida social e cultural. Sendo assim, era um momento propício para as artes absorverem as novas ideias vindas da Europa, tais como o liberalismo, o socialismo e as teorias cientificistas.
     
Obra
      Publicado pela primeira vez em 1899, Dom Casmurro é uma das grandes obras de Machado de Assis e confirma o olhar certeiro e crítico que o autor estendia sobre toda a sociedade brasileira. Também a temática do ciúme, abordada com brilhantismo nesse livro, provoca polêmicas em torno do caráter de uma das principais personagens femininas da literatura brasileira: Capitu.
      O narrador- personagem é um velho solitário que narra suas experiências de vida desde a adolescência, com seu primeiro amor Capitu e o fim trágico de um desfecho de um possível adultério.
      Machado escreve o romance com total ambiguidade, dando sinais de que de fato a mulher poderia ter traído o marido, mas este, contando sua própria história e sendo tão frágil, também pode ser um psicótico. Esse romance é o resultado de um exercício de escrita fabuloso, pois até hoje se discute a força dos argumentos do narrador de "Dom Casmurro".

Resumo da obra
     
      Na infância e adolescência, Bento de Albuquerque Santiago morava na rua de Mata Cavalos (Rio de Janeiro), com sua mãe viúva, dona Glória, a prima Justina, o tio Cosme e o agregado José Dias. Na casa ao lado, vivia Capitolina (Capitu), filha de Pádua e Fortunata. Ao contrário da família de Bentinho, os pais de Capitu são pobres. Mesmo assim, as crianças conviveram como amigos.
      Quando Bentinho completou 15 anos, José Dias lembrou dona Glória da promessa por ela feita de enviar o filho para o seminário. Na verdade, procurava alertá-la para o perigo de envolvimento amoroso do menino com a vizinha. Mas Bentinho e Capitu já estavam apaixonados.
      No seminário, Bentinho torna-se amigo de Escobar, também seminarista, com o passar do tempo e com a ajuda de José Dias e Escobar, Bentinho consegue fazer a mãe desistir da promessa de torná-lo padre. Foi estudar em São Paulo e formou-se em Direito, voltou para o Rio e casou-se com Capitu. Escobar também se casou. Os dois casais tornaram-se amigos, nasce Ezequiel, filho de Bentinho e Capitu. Mas Bentinho, sempre inseguro e ciumento, via no filho a cara de seu amigo Escobar. Assim Bentinho começou a ter dúvidas da relação de amizade entre Escobar e Capitu.
      Escobar morre afogado, e Bentinho ao ver as lágrimas de sua mulher, fica transtornado, pensando em suicidar-se, mas a manda com o filho para a Suíça, onde ela morre. Ezequiel, já moço, retorna ao Brasil, mas Bento não conseguia ver nele, senão o retrato do amigo. Então o filho, volta a viajar pelo mundo, deixando Bentinho na maior das solidões e vivendo do passado coma eterna dúvida. Resolve assim, escrever sua própria história para convencer-se da traição da mulher e para mostrar que não ter agido mal em relação a seu amigo.

Referências:
ASSIS,Machado de.Dom Casmurro. Rio de Janeiro:Martin Claret,2002.

De - Jessiane Almeida e Luciane Fernandes Martins

Por: Diana Pretto

 
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