22.4.16

A beleza que floresce através de lentes fotográficas

“Blossom” é o título do projeto fotográfico da publicitária Camila Barp, que, há quase dois anos, transformou sua paixão pela fotografia na sua atual profissão. O interesse pela câmera surgiu desde cedo, folheando os álbuns de família enquanto ouvia sua mãe contar as histórias por trás daquelas imagens. Depois de aproximar seu contato com a fotografia e estreitar sua relação com a mesma na faculdade, o Projeto “Blossom” tomou forma no início do ano passado. “O Blossom sempre foi muito despretensioso. Mas foi criado por inquietudes minhas em relação ao que se espera do corpo da mulher, a erotização, objetificação até. Quis quebrar esses conceitos em mim, trabalhar conceitos que considero melhores e transmitir isso de alguma forma”, comenta Camila.

                     Carolina Araújo, para o Blossom.
                       Foto: Camila Barp 


Com o objetivo de mostrar a beleza natural feminina, sem retoques, os ensaios do projeto buscam promover a aceitação das mulheres para com seu próprio corpo, além de colocar em discussão o estereótipo feminino. Blossom”, como seu próprio significado diz, busca ajudar a “florescer” a beleza, a segurança, e o amor por si em todas as modelos. “Minha intenção é auxiliar, mesmo que timidamente, as mulheres que posam a se gostarem como são, a respeitarem o próprio corpo”, afirma a fotógrafa.
Os ensaios são orgânicos. As modelos são fotografadas apenas à luz natural, com zero photoshop. Assim, o projeto é uma forma das mulheres se libertarem do padrão de corpo perfeito influenciado pela mídia e imposto pela sociedade atualmente. 

 
Micaela Vorpagel Bündchen, para o Blossom.
                Foto: Camila Barp 

 Neste sábado, 23 de abril, o “Blossom” estará em exposição no Laboratório de Ideias (LAB) da Prefeitura de Guarapuava a partir das 17h, onde também haverá um bate-papo com as modelos do projeto. A exposição segue até o dia 03 de maio. 

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Texto: Marina Pierine

20.4.16

O Centro de Artes de Guarapuava: cultura e arte na cidade

Muitas pessoas caminham todos os dias pela rua Marechal Floriano Peixoto. Algumas olham para o chão, outras conversam ou simplesmente passam. E passa, também, despercebido, um importante lugar que diariamente serve não apenas como espaço cultural, mas também como forma de fomentar a cultura de Guarapuava: o Centro de Artes e Criatividade Iracema Trinco Ribeiro.
            As janelas de madeira, ora abertas, ora fechadas, às vezes ajudam o som a ir às ruas. A pintura é um pouco desbotada. Os degraus servem para entrar. As pessoas passam, e ignoram a porta aberta. É uma casa, tal qual outras que Guarapuava possui, cuja arquitetura é do século XIX. Elas espalham-se pelo centro como lojas, cafés, farmácias. Esta, entre um estacionamento e um prédio qualquer, destaca-se. O som de Balada de Adeline já se tornou uma marca do lugar – o piano também.
À tarde é possível ouvir a música, e algumas pessoas, curiosas, entram. O chão de madeira, o teto alto, os lustres que iluminam os cômodos espaçosos. Tudo é muito característico. O piano, solitário, é tudo o que o cômodo maior possui – em alguns dias também tem cadeiras, pessoas, vozes -, que é iluminada pela janela maior, que quase sempre está aberta.
            As cadeiras poucas vezes estão vazias. O coral, ministrado por Márcia Rickli, é uma marca da cidade. Com pessoas de todas as idades, as aulas são realizadas nas segundas e sextas-feiras, e são abertas ao público, assim como todo o lugar. O Centro de Artes é um patrimônio de Guarapuava. Andreia Turkot é uma das responsáveis pelo espaço, que desde sua criação busca incentivar e divulgar a produção artística em Guarapuava. “A cidade tem muitos artísticas com obras lindíssimas, sejam artes plásticas, poesias etc. Mas muitos têm medo de expor essas riquezas”, conta Andreia.
            A casa foi construída no ano de 1857, por mão de escravos, que trabalharam com barro e pedra, sobre uma estrutura de pau-a-pique. Foi pintada com cal. Pertenceu a Ana Joaquina dos Santos. Chamada hoje de Solar Ana Joaquina. Sua restauração foi feita mais de um século após sua construção, no ano de 1998, tornando-se, assim, o “Salão de Artes de Guarapuava”. Um ano mais tarde, passou a se chamar “Centro de Artes e Criatividade Iracema Trinco Ribeiro”.

            2016: o centenário de Iracema

            Esse é um nome comum para muitas pessoas. Iracema Trinco Ribeiro nasceu no dia 30 de setembro de 1916, em Curitiba. Ela foi uma artista plástica, quem sabe a mais importante de Guarapuava. Produziu cerca de 4 mil obras, e retratou nelas a história, figuras, ruas e locais especiais da cidade, além de outras regiões paranaenses e buscou retratar sobretudo sua religiosidade. Suas obras estão distribuídas não apenas em Guarapuava, mas em várias cidades do Brasil e em outros países, como os Estados Unidos, Alemanha, Itália, China e Suíça.
            Apesar de trazer seu nome, o Centro de Artes não conta com a obra de Iracema. Andreia conta que as obras precisam de um cuidado maior, justamente por trazerem um valor histórico muito grande para a cidade. “Nós fazemos exposições com as obras dela, sim, mais ou menos a cada quatro anos. Deixá-los expostos sempre faz com que os quadros percam um pouco do encanto”.
O que se tem são dois retratos à óleo, colocados logo no corredor de entrada da casa, pendurados um em cada parede lateral. Outro quadro traz a bibliografia de Iracema. Algumas peças foram doadas, segundo Andreia, e fazem parte do patrimônio da Catedral de Guarapuava. “A maioria dos quadros estão com a família, são quadros importantes, premiados, mas alguns foram doados. A Catedral, por exemplo, tem alguns deles. Mas nós, aqui, justamente por uma questão de segurança, só expomos em situações especiais”.
            Situações estas como o aniversário de cem anos da pintora, em setembro. Ana Cláudia Kaminski, também responsável pelo Centro, diz que a ideia é ter uma programação especial em 2016. “Como é o centenário da Iracema, o que pretendemos é fazer sim uma exposição de suas obras durante todo o mês de setembro”, explica.

            “Marias”: luto, superação e amor

            Perder um filho é uma dor inimaginável. Uma dor que ninguém espera ter. É a inversão de uma ordem, um momento delicado e difícil de superar, onde as mães precisam, sem dúvida, de apoio. E foi buscando ajudar essas mulheres que perderam seus filhos que Mirian Baitel criou o projeto “Marias”. “Quando minha filha Mariana faleceu, com um ano e dois meses, eu procurei grupos de mães que também tinham perdido seus filhos precocemente, mas só encontrava coisas pesadas, que não condiziam com o meu sentimento de amor e saudade.”
Pensando em como reunir essas mães com a mesma dor, Mirian procurou a fotógrafa Dani Leela. “Pensei que um projeto fotográfico seria empoderador para quem participasse e inspirador para as mães que veriam as fotos. Então convidei a Dani para captar essas imagens maravilhosas. Ela mergulhou de cabeça junto comigo.”
As "Marias"
Fonte: Dani Leela, exposição "Marias"

Dani conta que o que move o projeto são sentimentos de superação e leveza, e, acima de tudo, uma homenagem carinhosa para quem já partiu. Através de reuniões com as mães, buscou-se mostrar que a união, o acolhimento e a empatia são fundamentais para esse processo de aceitação. “‘Marias’ são mulheres extraordinárias que possuem um coração generoso e uma compaixão digna de grandes almas, que toparam expor sua própria dor para poderem fazer uma transição para a superação”, explica.
E quem são as Marias? Foram convidadas para o projeto cinco mães: Cíntia, Mariane, Mayara, Tatiana e Karin, que trocando experiências e com um apoio mútuo, buscam estancar essa ferida. “Foi uma experiência bem diferente e intensa. Aprendi muito sobre a força visceral das mulheres, e também sua entrega para fragilidade, sobre superação em situações delicadas. Tudo isso acrescenta muita maturidade e sensibilidade no meu olhar como fotógrafa.”
O nome “Marias” é uma homenagem à Mariana, filha de Mirian, à Maria, filha de Mariane e uma à uma das referências mais fortes de doçura e superação: Maria, mãe de Jesus.
A exposição possui 24 fotos que foram feitas de forma orgânica e que traduzem esses sentimentos de gratidão, entrega e resiliência. “A experiência é sensacional. O Centro de Artes ganhou muito com ela. Ninguém quer expor a dor, apenas a beleza. A forma como essas mães se colocaram diante da dor da perda de um filho foi maravilhosa”, disse Andreia, enquanto caminhava entre as fotos dispostas numa das peças da casa.
E nelas há a essência dessas mulheres, com o sol entre seus cabelos. São todas Marias, de branco, com as mãos de pétalas e o coração materno. Cada uma é uma flor. Dani capta a essência e imortaliza essas mães de anjos que já se foram. Imortaliza o amor que permaneceu. São todas Marias, juntas.

"Fomos convidadas uma a uma, e as reuniões antes das fotos foram um verdadeiro grupo de apoio", comenta Mirian. 

Fonte: Dani Leela, exposição "Marias"

            Exposições em Guarapuava: difundindo e incentivando a cultura local

            O Centro de Artes é hoje um dos únicos espaços abertos à comunidade para exposição de produções artísticas. É um processo simples, basta ter disponibilidade. “Liga pra gente, vamos ver a agenda e vamos trabalhar para conseguir organizar o material, incentivar uma abertura bacana”, explica Andreia. O Centro de Artes e Criatividade Iracema Trinco Ribeiro é um espaço aberto ao público e fica na rua Marechal Floriano Peixoto, número 1399, ao lado da Catedral. A exposição “Marias” segue até o dia 27 de abril. 

Texto: Douglas Kuspiosz

14.4.16

Crônica: A Taça

I
Era como se visse seu reflexo num espelho. Conhecia aquele sentimento. Às vezes pegava-se olhando para o nada, enquanto era preenchido por essa ideia de estar vendo outra versão de si. “Isso é bobagem”, sempre dizia. Naquele dia o outono já havia chegado em seu auge, e sentia a ponta dos seus dedos doerem com o frio que fazia há dois dias. As folhas todas estavam no chão, secas, e achava aquilo bonito.
Quando olhava para baixo, via o passado. Sua imagem desfigurada refletida na taça o lembrava de alguns dias idos. O vinho tinto manchara, noutrora, a toalha da mesa, assim como ela manchara sua percepção da realidade. Via-se nela. E era impensável observar o mundo sem notá-la nos pequenos nuances corriqueiros: lembrava e ria, às vezes, dela esticando-se para alcançar a árvore e cheirar as folhas; o vinho que compartilhara à noite agora desce amargo. 
A música é inaudível. Lembranças que em seu âmago traziam felicidade, mas que duravam, em sua maioria, até o momento onde a distância batia à porta, e a realidade tornava-se cruel. 
— Você sabe porque eu gosto do outono, é a melhor parte do ano — ela o ouviu dizer, enquanto caminhavam — não é frio, nem quente, por mais que aqui sempre seja frio, não temos opção. Era a primeira vez que ela estava lá e a primeira vez que viam-se pessoalmente. Conheciam-se, é verdade, há algum tempo, mas moravam longe um do outro.
— O clima de lá é parecido, eu disse, né? — eles caminhavam lado a lado, como se a altura fizesse com quem fossem, de fato, semelhantes, mas ela possuía uma beleza que destoava da dele. Não era feio, mas também não chamava atenção. Ela sempre estava de vestido. Sentia-se livre assim, e aquele era particularmente bonito, preto, com bolinhas, e tinha um decote discreto.
— Você acha? — ela passou a mão pelo vestido e o analisou quando ele disse que achava-o bonito — na verdade não é um vestido, é uma blusa, só é grande o bastante para parecer um vestido em mim.

II
O céu estava nublado. As estrelas escondiam-se nas nuvens e tudo que via-se ao olhar para cima era um cinza-quase-escuro fosco e sem graça. As calçadas iluminadas pelos postes brilhavam por estarem molhadas. Chovera alguns minutos antes deles pisarem na porta do empório.
— Lá em cima está aberto? — e o garçom chegou mais perto para ouvir melhor, a música estava alta e todas as mesas do térreo estavam ocupadas — Está aberto lá em cima?
— Só para maiores — ele ouviu.
— Nós dois somos maiores de idade, então vamos subir.
— Só para maiores — o garçom repetiu, agora sorrindo.
Já estivera naquele lugar em outros momentos e conhecia o garçom. Era pequeno, um pouco gordo e não tinha quase nenhum cabelo. Sua figura sempre remetia a um professor de física que teve no Ensino Médio, e era impossível não rir disso.
— Ele está rindo da sua altura — ela disse, tentando esconder o riso.
Seu rosto ficou vermelho. Era normal que sentisse vergonha nesses momentos, aquele era seu ponto fraco. Ela não ligava, mas ele sim. Tinham mais ou menos a mesma altura. Tentou ignorar.
— Pois eu não volto mais aqui — disse enquanto subia as escadas — isso é um absurdo.
O garçom repetiu mais alguma coisa que ele não pode ouvir. Viu-a subir em sua frente e olhava para suas pernas. Ela tinha pernas bonitas, com duas tatuagens. E sempre sorria.
Sentaram-se na sacada, numa mesa de ferro que balançava. Era uma bela vista, apesar do tempo ruim.
— Então, o que vão tomar? — disse outro garçom.
— Vinho, por favor — ela respondeu. Havia feito há um tempo atrás uma aula de degustação de vinhos.
— Eu peço que vocês desçam, então, porque estamos sem a carta de vinhos aqui em cima.
A estante era humilde, dividida por países. Ela mexia nas garrafas chilenas.
— Eu sempre quis tomar um vinho do Porto — ela não levou a sugestão em conta.
— Os merlots são esses? — e o garçom concordou — quero este, então — e entregou a garrafa.
Subiram. Enquanto passavam pelos degraus, alguns quadros chamavam a atenção. Aquele era um bom lugar, sobretudo pelas mesas de madeira e pelo cappuccino. Quase sempre a música que tocava era agradável. Desde Novos Baianos até Mutantes. Claro que, às vezes, caíam na tentação de fazer os clientes ouvirem Lana Del Rey.
— Imagino se alguém já pulou daqui — ninguém morreria, é verdade, mas serviu para que ela risse. Quando ria fechava os olhos, que eram castanhos. Eles lembravam alguém, que também tinha olhos assim, mas tudo não passava de uma ideia que aos poucos evanesceu.
— Aqui é um bom lugar, acho que ninguém pularia daqui. A não ser que tivesse tendo um dia ruim. Agora ali — havia do outro lado da rua uma escola; grande, branca, com grades nas janelas, com cortinas limpas, tão brancas quanto uma nuvem que desliza sozinha no céu num dia ensolarado; com uma santa na entrada -, ali alguém já teve ter pensado em se jogar da janela, por puro tédio.
— Com licença, o vinho.
O garçom abriu a garrafa. A rolha era de plástico, e ela virou o rosto quanto notou isso — não gosto muito dessas, disse. Serviu as taças, colocou a garrafa d’água ao lado da de vinho e serviu dois copos pequenos com ela. Dez minutos depois, ele havia quebrado a borda da sua taça, com os dentes.
— Eu não estava mordendo ela — disse enquanto olhava fixamente para seus olhos. Eles riram e mais tarde não precisaram pagar a taça, nem o açúcar que caiu da sacada.

Garoava. Foram juntos para casa, e caminharam, lado a lado, por mais alguns dias, até que a realidade veio à tona, e a distância por algum momento havia sumido, retornara. O açúcar da mesa permaneceu a carteira, como lembrança. E o brinco dela também, perdido no lençol da cama. 

 Texto: Douglas Kuspiosz

10.4.16

O rap/reggae guarapuavano.

No dicionário, as definições variam para a palavra república: forma de governo, um local onde vários estudantes dividem espaço e, também,  há o sentido figurado que designa uma casa sem ordem. Na cidade de Guarapuava, os universitários são encontrados as “pencas” pelas ruas, transformando o município em um lugar propício para bandas divulgarem seu trabalho. Foi nessa rotina do dia-a-dia, juntamente com as amizades, que o mundo universitário traz que a banda A República surgiu.

Entre composições, amigos e o gosto por música formou-se há aproximadamente um ano a banda composta por cinco integrantes: Guilherme Damigo no vocal, Rafael Freire na guitarra/vocal, Victor Augusto no baixo, Otavio Tizon na bateria e Luiz Ludwig guitarra. O acaso e o gosto pelo mesmo estilo musical fez com que as reuniões e a unanimidade desse voz ao grupo que ficou em segundo lugar no FUCA 2015, o Festival Universitário da Canção que teve sua 5ª edição em 2015, realizada no campus Santa Cruz da UNICENTRO e que conta com uma fase classificatória. A final aconteceu no mesmo local que as outras fases e as categorias são interpretação e composição. “Foi uma experiência única. Como começamos a banda em 2015 o FUCA se tornou o nosso principal objetivo, e ficar em segundo lugar foi além do que a gente imaginou”, afirma Rafael integrante da banda.


            As composições são feitas pelos integrantes do grupo que toca um rap/reggae alternativo. Foi no Tersarau, que ocorre todas as terças no campus Cedeteg da UNICENTRO, com uma caixa de som, microfones e violão que a banda passou a toda semana tocar e dar mais credibilidade e força ao trabalho iniciado. Atualmente A República faz parte da comissão organizadora do projeto que é programado semanalmente por volta do meio dia. Aos interessados o contato pode ser feito via Facebook na página da banda A República. “Nos shows fazemos uma mescla de músicas autorais e covers, alguns exemplos: O Rappa, Rael, Maneva, Charie Bronw Jr., Natiruts e etc. Quem gostou e tiver interesse só entrar em contato que combinamos”, conta Rafael.

Texto: Sabrina Ferrari 

 
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