31.5.16

Choque cultural

   Vim estudar Jornalismo em Guarapuava ano passado, depois de ser chamado pela Unicentro através do SISU com a minha nota do Enem. Também passei na Universidade Federal de Mato Grosso, na cidade de Barra do Garças, mas pesquisando sobre as duas cidades me interessei pelas lindas fotos de Guarapuava mostradas na pesquisa do Google. Outro fator que interferiu na escolha foi o clima. Minha cidade natal, no noroeste do estado de São Paulo, é muito quente e eu queria conhecer o frio da região sul. No entanto, Guarapuava e seus habitantes me reservavam muitas surpresas além dos belos pontos turísticos, do frio guarapuavano e das expressões locais.
    Comecei a perceber como meus colegas da cidade, ou mesmo da região, davam outros nomes para certas coisas. O exemplo mais clássico é o da vina. Em um primeiro momento não suspeitei que a palavra remetia a salsicha. Escrevendo este texto no Word a palavra vina está aparecendo para mim com um riscado vermelho em baixo. É o corretor informando que a palavra não existe, mas não vamos discutir, acabei de adicioná-la ao dicionário do programa. Agora o riscado sumiu.
    Resolvi juntar este exemplo a outros que tenho conhecimento morando há um ano e meio no município de Guarapuava. Acredito que ainda existam outros para eu descobrir e se você conhece algum, comente aqui no blog. Segue minha lista de aprendizado até aqui:

      Salsicha ou vina?
  

            Óleo ou banha?        Menino ou piá?
  

     Bermuda ou calção?


     Estojo ou penal?

    Cinco reais ou cinco pila?

    Prendedor ou grampo?

    Isqueiro ou bingo?

     Texto e imagens: Marcelo Junior






          

30.5.16

Moças, vocês não estão sozinhas!


 
foto ilustrativa disponível em: https://verbalizandoo.wordpress.com/

  Mais um dia se estende. Meus estudos e trabalhos já foram concluídos. Estou voltando para minha casa. Ainda não tenho carro próprio, por isso dependo de transporte público. Eu gosto. Gosto de saber que em um relativamente pequeno retângulo sobre rodas cabem tantas histórias, tantos sentimentos, tantas expressões.

  Um dos meus costumes é olhar ao redor e perceber pelas expressões ou gestos o que algumas pessoas estão sentindo: algumas estão alegres, outras cantam e sempre há aquelas que deixam claro que o cansaço do dia as venceu.
  Em uma destas observações vejo uma mulher em pé, ruiva, com os olhos distantes olhando o horizonte, e falando alto quase como um pedido de socorro.
  “Agora ele deu pra dizer que eu gosto mais do cachorro do que dele, é um doente. ” Diz ela ao seu colega, alto, moreno e cabelos grisalhos que está sentado no banco ao seu lado. Tentei inúmeras vezes não prestar atenção na conversa dela, mas...
  “Ele diz que sou vagabunda, que tenho “machos” e o pior é que eu nem dou motivo para isso”. Continua relatando. A cada frase proferida por ela, consigo sentir sua dor. Se torno sua amiga, mesmo sem ela saber quem sou.
  O abuso que ela sofre e não percebe, me causa desconforto. Meus olhos que já estão fixos na conversa, hora se arregalam, hora sentem compaixão.
  “Nem trabalhar ele me deixa e ainda diz que se eu largar dele vai me matar, medo eu não tenho...”
  Minha vontade é ir até ela, e dizer quão corajosa é passando por isso a sei lá quanto tempo, mas que ela não deve aguentar isso para sempre.
  Quando ela cita que “ele já comprou “aquilo” para me matar” subentendo que “aquilo” quer dizer uma arma. No mesmo instante percebo que não é apenas um tipo de violência que ela sofre, e que isso já chegou longe demais.
  Percebo também que essa mulher que acabei de conhecer faz parta as pessoas que sofrem violência doméstica e psicológica no Brasil. E ainda com a descrição de marido bêbado que ela dá não é difícil de duvidar que ela também sofre violência física.
  O ponto que tenho que descer é o próximo. E como se ela soubesse que alguém além do seu colega estava sensibilizado com o seu relato ela termina dizendo:
  “Eu só não separo dele porque prometi para a minha sogra que cuidaria dele até o fim...” e com um olhar triste termina “...mas está difícil. “
  Saí do ônibus triste. Triste por alguém que não conheço e provavelmente nunca mais irei ver. Triste pela sua história. Triste por saber que tantas mulheres passam por isso diariamente. Triste por ver o machismo tão presente ainda hoje e mais triste ainda por saber que ele está na nossa cidade, atacando nossas mães, filhas, tias, sobrinhas, enteadas, etc.
  Moça do ônibus, talvez você nunca leia esse texto, mas acredito que alguém perceberá que também sofre violência, através da sua história.
  Tantas outras moças que estão lendo: Não aceitem seus namorados/ companheiros/ maridos menosprezarem vocês. Vocês são incríveis. Vocês têm potencial para o que quiserem. Só precisam perceber isso!
  Moças, não se culpem. Eu sei que vocês fizeram todas as vontades deles, mas eles não mudaram. O problema são eles, não vocês.
  Moças, não importa se a promessa foi para ele, para a mãe, para a vó ou para o papagaio.   Não importa se você fez juras de amor. Não importa se vocês têm filhos juntos. Não aceitem ser violentadas.
  Moças, vocês não estão sozinhas!

  Violência é crime, denuncie!

Texto: Daiane Cristina


18.5.16

Crônica: Pelo Bom Senso

Plena de minhas faculdades mentais e do exercício da minha profissão, decidi por escrever um manifesto em nome de todos os trabalhadores da minha famigerada classe. A quem interesse, subentenda-se, os consumidores de nossos serviços, essa pequena lista também é válida, salvo o motivo de que melhorem certos comportamentos.

Caras clientes dos salões de beleza.

I – As atrasadas
Quando imprimimos em nossos cartões “atendimento com hora marcada”, não estamos apenas preenchendo espaços em aberto. Nossa agenda é como uma fila de dominós. Se o primeiro da fila é empurrado, todos os outros caem com ele. Ao se atrasar para um horário PREVIAMENTE marcado, consequentemente atrasará todos os demais, e pior ainda, retardará o fim do nosso dia de trabalho.
II – As mexedoras compulsivas
Estar com uma mexedora compulsiva é como tentar colocar um polvo dentro de uma sacola plástica, daquelas bem pequenas, metendo o molusco lá dentro de forma que nenhum tentáculo fique para fora. Não queremos que fiquem estáticas, apenas que não dificultem nosso trabalho.
III – As Marias-das-Dores
Sinceramente, nenhum desconhecido (ou até nós, os conhecidos), quer ouvir sobre a sua cirurgia de varizes ou sobre a catarata que te recaiu semana passada. Queremos um ambiente alegre e agradável, não nos importamos em ouvir problemas, de modo algum, somos ótimos ouvintes. Mas se você insiste nos assuntos médicos em geral, o conselho é que escolha ficar em silêncio.
IV – As não marcadas
O pavor de todo profissional da beleza. É chato chegar sem marcar horário, e mais chato ainda insistir em ser atendida. Tenha certeza de que não queremos perder sua fidelidade, mas às vezes, simplesmente não existe um horário disponível. Apesar, é claro, de muitas vezes fazermos mágica, quando dizemos que não tem horário, por favor, levem a sério.
 V – As sovinas
Quando falamos que apenas um tubo de tinta não será suficiente para cobrir todo o seu cabelo, tenha uma fé absurda nessas palavras. Não fazemos parte de um complô com todas as marcas de colorações existentes. Apenas queremos um trabalho bem feito para vê-las bonitas e satisfeitas, e ocasionalmente, isso exigirá mais que um tubo de tinta.
VI – As eternamente insatisfeitas
Mudar é bom, mas não toda semana. E isso só mostra o quão preocupados somos com sua beleza. O excesso de químicas maltrata o cabelo, principalmente quando feitas em curtos períodos de tempo. Quando negamos a você aquelas luzes dois dias depois de você ter feito uma progressiva, é porque não queremos que seu cabelo seja severamente cortado pela química. Sejam pacientes e reflitam qual o motivo dessa compulsão por mudanças.
VII – As sabem tudo
Questionar cada movimento do profissional não é bem quisto. E isso inclui palpitar na mistura de colorações e nos tempos de reação. Nós sabemos o que estamos fazendo, temos anos de prática e experiência. Se você não confia em nenhum cabeleireiro, aconselhamos que faça o cabelo em casa. Após isso a esperamos de braços abertos e prontos para corrigir tudo que deu errado.
VIII – As oníricas
Não adianta levar a foto da Gisele Bündchen, esperando sair do estabelecimento com 1,80cm e casada com o Tom Brady. Fomos agraciados com cabelos únicos, que se estruturam das mais diferentes maneiras. Raramente seu cabelo ficará exatamente igual ao daquela famosa. Por isso pedimos que deem mais atenção ao formato do seu rosto, para que use um corte de cabelo que valorize seus melhores pontos. E aposentem a foto da Gisele.
 IX – As indecisas
Escolher Chanel, Long Bob e Joãozinho, tudo isso no caminho entre lavatório e cadeira, nos deixa um pouco receosos sobre o que fazer. Lembrem-se veemente de que depois de cortados, não poderemos colar os cabelos de volta. Salvo com a técnica de mega hair.
X – As fofoqueiras
Na verdade, não temos reclamações contra as fofoqueiras. Salvo de quando demoram para nos atualizar.



Texto: Amanda Crissi


17.5.16

Projeto Tô no Tênis

O Tênis de Campo, ou simplesmente tênis, é um esporte que surgiu na Inglaterra. A quadra é dividida por uma rede, e o objetivo do jogo é rebater uma pequena bola com uma raquete para o lado do adversário. Parece simples, não é mesmo? Mas não foi assim tão fácil para Agnaldo Meira Silva. Agnaldo sempre teve vontade de jogar tênis e por ter vindo de uma família humilde ele sempre viu dificuldade em iniciar o esporte. Mas foi ajudado aos seis anos de idade por empresários e começou a praticar o esporte. Como uma maneira de recompensar a ajuda que lhe foi dada, criou o projeto social Tô no Tênis.

Foto da página do projeto no Facebook. 

O projeto existe desde 2001 e atende cerca de setenta crianças e adolescentes. Agnaldo conta como veio a iniciativa de fazer o projeto: “Eu via as crianças aqui em volta e elas me perguntavam como podiam entrar para jogar. Como fui ajudado há trinta anos, por que não ajudar essas crianças também?.” Podem participar do projeto crianças a partir dos quatro anos de idade com o Baby Tênis e adolescentes com até 17 anos. As aulas são dadas pelo criador do projeto e professor de tênis Agnaldo Meira Silva.
O projeto tem como objetivo principal oferecer para as crianças um esporte que não é tão conhecido e melhor ainda, é gratuito. O projeto conta com o apoio de empresários que ajudam na compra de lanches e no pagamento das inscrições dos torneios que os alunos participam. A iniciativa que Agnaldo teve já rendeu bons frutos: “Com a prefeitura e a secretaria de esportes a gente vai levar o tênis para os bairros, os cinco bairros mais carentes de Guarapuava”. O novo projeto de Agnaldo vai começar no dia 15 de março.

Texto: Alice Grudeski.


16.5.16

Você já perdeu o controle?



Se não, tudo bem, se sim, espero que você não tenha ultrapassado limites selvagens. Fica a dica de nome alternativo para uma continuação do filme Relatos Selvagens, produzido em 2014 e rodado na Argentina e na Espanha. Dirigido por Damián Szifron (Tempo de Valentes) e estrelado por Ricardo Darín, a produção é digna de Oscar, ao menos de indicação, já que perdeu para o filme polonês Ida na edição de 2015. No entanto, o longa ganhou atenção internacional e outros prêmios, como o de Melhor Filme Estrangeiro, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2015 e o Prêmio Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Espanhol.
Distribuído pela Warner Bros. Pictures, conquistou uma bilheteria de 475.902 ingressos aqui no Brasil. No cinema Belas Artes, localizado no bairro da Consolação em São Paulo, Relatos Selvagens começou a ser exibido no dia 23 de outubro de 2014 e continuou na programação por mais de um ano. Um pouco antes de fazer aniversário, em 18 de outubro de 2015, o público alcançado foi de 37.508 espectadores só no Belas Artes.
A produção chegou ainda a bater o recorde nacional argentino, marcando 3 milhões de bilheteria, mas foi superada logo mesmo em 2015 por O Clã, de Pablo Trapero, que foi visto por 1,5 milhão de pessoas em dez dias de exibição.
Na Inglaterra o longa ganhou um alerta nas sessões por conta da primeira sequência do filme que poderia ser assimilada com a tragédia do avião da Germanwings, resultante da morte de 150 pessoas no dia 24 de março de 2015. A história conta sobre o comissário de bordo Gabriel, que tem problemas psicológicos e na tragédia real as investigações apontaram para o copiloto Andreas Lubitz, que fez tratamento psiquiátrico por tendências suicidas.
Composto por seis episódios com diferentes personagens e protagonistas, os relatos têm um tema em comum, a perda de controle de um indivíduo mediante diferentes situações cotidianas ou não, já que os dois primeiros episódios trabalham mais com uma ideia de vingança. Os demais sim trazem casos da rotina e o acúmulo das consequências. A frase “qualquer um pode perder o controle” é exemplificada com relatos desde uma garçonete até um pai de família rica.

Cartaz do filme
 

O primeiro episódio do filme, o mais curto, tem um final que nos deixa ansiosos para os próximos relatos, pela grandiosidade e engenhosidade da “selvageria”, terminando com a imagem congelada sensacional de um casal de idosos e deixando qualquer um congelado também.
Em seguida vem a sequência dos créditos do filme com o nome dos atores ao lado de imagens de animais selvagens e os nomes dos envolvidos na produção com imagens de bandos de animais, deixando claro a intenção de comparação.
O papel de Darín se desenrola no meio da produção, fazendo mais uma crítica social na verdade, tema também dos filmes dirigidos pelo ator. Outras sequências que merecem atenção é a dos dois motoristas fazendo ultrapassagem e a última do casamento, com uma noiva excelente interpretada pela atriz Erica Rivas.
Justificando, a história dos motoristas nos prende pela ansiedade e apreensão criados pela narrativa lenta que vai deixando o ar mais pesado conforme os personagens vão interagindo, até chegarem no extremo do comportamento humano.
Já a história do casamento traz uma reviravolta inesperada depois dos desdobramentos. O ingrediente que influencia a perda de controle é claro que é o amor.
A montagem em contos de Szifron pode não agradar aqueles que preferem uma história ou várias que sucedem simultaneamente em um filme, mas o diretor soube trabalhar com os relatos colocando um de ponto mais alto no início (do avião), um de ótima sequência no meio (da ultrapassagem) e o melhor no fim (do casamento), que termina até de forma otimista depois de várias fatalidades.
Relatos Selvagens possuiu uma ironia por trás das atitudes representadas para justificar seu gênero comédia, o que nos faz pensar: ainda somos primatas?
Ele poderia muito bem virar uma série de televisão com diferentes casos de perda de controle que poderiam ser desenvolvidos em meio a uma trama maior, com vários episódios, ou talvez até mesmo com um episódio para cada conto, separadamente.
            O desafio ficaria no ingresso de uma produção argentina em meio ao domínio norte-americano na indústria de seriados, considerando como isso já ocorre na indústria cinematográfica. Porém, a solução pode estar com a alta dos populares serviços de streaming. Pega aí Netflix.

 
Trailer legendado do filme

Texto: Marcelo Junior.

 
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