13.7.16

Operadores ecológicos: amigos do meio ambiente

A geração total de resíduos sólidos urbanos, comumente chamados por lixo urbano no Brasil em 2014 foi de aproximadamente 78,6 milhões de toneladas, segundo pesquisa Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). De acordo com os dados, representa um aumento de 2,9% em relação, índice superior à taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 0,9%. Na região sul do Brasil, há a finalidade correta em 84,7% do lixo. Os responsáveis por isso, em grande número, foram empresas públicas de limpezas, a conscientização de pessoas e os catadores de material reciclável.
Uma pesquisa do Ipea (Instituto de pesquisa econômico aplicada) publicada em 2013, mostrou que no Brasil existem mais de 387.500 operadores ecológicos. Mais de 58 milhões deles estão no Sul. Os operadores têm grande importância na preservação do meio ambiente, pois de modo geral, eles atuam nas atividades de coleta, triagem e comercialização dos resíduos reutilizáveis e recicláveis, contribuindo de forma significativa para a cadeia produtiva da reciclagem.
Na cidade de Guarapuava, os operadores ecológicos contratados pelo programa jogue certo, conseguem atender 14 bairros da cidade. Há também três caminhões que realizam a coleta seletiva, além dos carrinhos de operadores ecológicos. De acordo com a Prefeitura de Guarapuava, são recolhidas cerca de 400 toneladas de lixo reciclável todo mês. 
                Esse não é o caso do Juliano Antunes, 28 anos, morador de Guarapuava - PR. Ele trabalha com seu próprio carrinho. Começou a vender papelão há quase três anos, após ser demitido da empresa onde trabalhava.  Como tem uma mulher e um filho para sustentar, se viu obrigado a começar nesse trabalho.  Quando questionado se o valor que recebia era suficiente, a resposta é desanimadora: “Na verdade dá pouco, em torno de R$15 a R$20, ou R$30 depende da altura da carga que você leva. Geralmente, você paga uma conta ou você faz uma comprinha”, comenta ele.
                Diariamente, ele leva seu carrinho pelas ruas de Guarapuava. Além do peso do carrinho, tem de aguentar o peso das palavras que ouve. “Sempre tem motorista que xinga, tem motorista que manda tirar “essa ‘caiera’ da rua tá atrapalhando e tal, ou tira essa ‘bicheira’ da rua. No dia a dia, você sempre encontra isso” conta ele.
                Para não fazer parte dos 32 milhões de pessoas que passam fome, ou dos 65 milhões de pessoas que não ingerem a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária, no Brasil, Juliano aguenta esse tipo de desaforo calado, porém ainda sonha com o futuro melhor. Futuro esse que, para ele seria a carreira como policial.
                Diferente de Juliano, seu Dari de Jesus, 55 anos, não trabalha como catador apenas pela questão financeira, mas também pela psicológica. Quando nasceu, sua mãe faleceu no parto. Após algum tempo, seu pai morreu de câncer, e quando achou sua “mulher perfeita”, ela cometeu suicídio. Invadido por lembranças, seu Dari, que já é aposentado, começou a catar lixo reciclável para não pensar em seus familiares.  “Me dá uma tristeza, então eu tenho que sair caminhar, pra não colocar coisa na minha cabeça. Eu começo a pensar na família, no que aconteceu e começo a lembrar, é aí que eu tenho que sair, caminhar”, conta ele.
                 Morador atualmente do Xarquinho, seu Dari já morou em diversos estados e teve várias profissões. Mora em um quartinho perto de um de seus dez irmãos e conta que prefere recolher lixo reciclável que ficar em casa “incomodando”. Tem dias que ele sai de casa às cinco horas da manhã e volta às duas da madrugada. O dinheiro é o que menos lhe interessa. “Eu não gosto de ficar parado, gosto de ficar por aí contando causo, fazendo amizade”, relata. Seu sonho? “Eu espero que Deus me ajude de volta, refazer tudo, reconstruir a vida”.
                Muitos operadores ecológicos nem percebem que estão contribuindo para o meio ambiente, e ainda assim retiram seu único sustento dessa prática. O dinheiro não é muito, mas a preservação da natureza e das gerações futuras estão sendo gradativamente preservadas.
Você sabe quantos anos demora para um pedaço de papelão se decompor? No mínimo 02 meses. Quer saber mais sobre o tempo de decomposição de outros produtos? Confira o gráfico: 





Texto de: Daiane Cristina                                                                                           


12.7.16

Youtubers em Guarapuava

Por Carlos Souza

Nos últimos anos uma plataforma que vem se destacando na internet é o Youtube. E lá tem de tudo, desde vídeos virais, que são aqueles que tudo mundo acaba assistindo e dando risada, tem vídeos falando de filmes, de jogos, de política, economia, enfim, qualquer conteúdo tem no YouTube. Não é à toa que essa moda de produzir conteúdo nesse site tem feito tanto sucesso, afinal, além do retorno financeiro que você receber, você está passando alguma informação ou entretendo seu público.
E os guarapuavanos não marcaram bobeira e também estão lá, falando sua vida, sobre a academia e também de games. A Julia Justus que está no terceiro ano de Publicidade e Propaganda da Unicentro faz um conteúdo com dicas sobre cabelo, sobre suas séries favoritas, dicas de Snapchat e etc. Ela se inspira em Youtubers como a Kéfera, que tem cerca de 8 milhões de inscritos no seu canal. “ No meu canal eu penso assim: O que eu gosto de ver? Aí eu faço o vídeo e se eu vejo que é interessante e também o que eu gosto de fazer é mais dicas. ” Explica Júlia.

 Um outro segmento do Youtube que vem ganhando grande repercussão são os vídeos sobre academia e os conhecidos “marombas”, que são pessoas que vivem a vida para a academia e seguem uma dieta regrada para ter o corpo como desejam. Vendo esse conteúdo crescer cada vez mais e juntando alguns amigos que possuem uma academia, Richard Matheus Cordeiro criou o canal “ Vida de Maromba” e lá ele conta com vlogs diários sobre a vida dele e de seus amigos na academia, contando o que comem, o que treinam e o que pode ajudar na vida de uma pessoa que sempre está na academia. “Tudo começou com uma página no Instagram, a gente postava coisas lá e depois fomos para os Facebook. Nós começamos bem amadores, só com o celular. Daí o canal foi mais por influência dos canais que a gente conhecia e também por conta que meus amigos tem uma academia, daí juntou isso” conta Richard, que hoje vê um canal como um hobby, mas têm planos futuros para profissionaliza-los. Hoje o canal “Vida de Maromba” conta com cerca de mil inscritos.


Coloca que outra possibilidade de formato são os gameplays; há uma infinidade de vídeos relacionados com essa área. E nessa leva de pessoas produzindo tal conteúdo apareceu a Elisa Seidel, dona do canal “ElisaGamer” e no canal dela, o conteúdo principal é o jogo Crossfire, que é um jogo de tiro em primeira pessoa online. Mas o conteúdo do canal não é limitado a esse game. Outros jogos famosos como o Slither.io e mesmo os vlogs são frequentes nos vídeos da acadêmica. Há pouco tempo Elisa chegou aos seus 60 mil inscritos no canal, uma marca expressiva, mas que também foi conquistado com muito esforço. "Quando tiro um dia para gravar vídeo, preciso de muito tempo livre, para poder produzir algo interessante e com qualidade. Pois sou eu mesmo que edito os vídeos, por isso sempre que vou gravar preciso de umas 3 horas disponíveis. ” Termina Elisa, que leva seus vídeos como um hobby, afinal, ao mesmo tempo que faz algo que gosta que é jogar, ela também aproveita e posta os vídeos.

Todo mundo pode criar um canal no YouTube e postar conteúdo por lá, por que você também não tenta?



Violência doméstica e homossexualismo na Idade Média



      A casa remete a uma arquitetura simples, do campo, na era medieval talvez. Paredes brancas e piso bege dão espaço a móveis rústicos de madeira. A janela é apenas um buraco quadrado na parede, sem ao menos uma cortina, por onde não se vê nada além dos relevos no horizonte. Logo abaixo da janela tem um balcão com vários objetos pessoais, dentre eles uma grande escova de cabelo.
Uma mulher usando um vestido longo e de mangas compridas pega a escova e vira-se à direita para sentar-se em um pequeno banco com assento de palha de frente ao espelho. Para ela, pentear seus cabelos longos em seu quarto é a melhor parte do dia. Depois, vai dormir.
Voltando para casa, uma jovem menina com longos cachos ruivos está com os olhos brilhando e um lindo sorriso no rosto. Se sentindo determinada e confiante, ela decidiu que vai contar para os pais que está apaixonada.
Ao adentrar no que seria a sala da residência, seu pai, usando uma camisa branca e uma calça cinza, está deixando o quarto do casal, onde a esposa encontra-se deitada na cama. O corpo alto e forte e o olhar sério não intimidam a menina.
-Pai, eu preciso contar uma coisa. Estou namorando a vizinha do bosque.
O sorriso permanece no rosto e o brilho no olhar aumenta. Ao contrário disso, o pai capta a surpresa, amarra a cara e começa a andar em direção a filha.
-Minha querida, a melhor parte do dia para mim é quando eu coloco sua mãe sentada no banco de frente para o espelho e bato nela antes de dormir. Vai ser um prazer colocar você e sua namorada no banco também.
Os batimentos da menina aceleram, brilho e sorriso somem. O horror instala em seu peito. Ela não sabia que o pai batia na mãe. Não conseguia processar o que acabava de ouvir. Em meio a um turbilhão de pensamentos, dois ganharam mais atenção. Fugir e deixar a mãe ou ficar e matar o pai?

Acordei com o coração acelerado também. Pude sentir exatamente o que a jovem sentiu. A sensação desagradável foi passando e voltei a dormir.
Não sei qual foi a escolha dela.

Texto: Marcelo Junior.

11.7.16

O que é a cultura do estupro?

            Numa rápida pesquisa na internet, é fácil de encontrar pessoas se posicionando contra a existência de uma “cultura do estupro”. Alguns posicionamentos colocam essa ideia como um “terrorismo psicológico do feminismo”, ou, ainda, como simplesmente uma fantasia da esquerda brasileira. Será mesmo?
            Estadão: “Brasil tem 1 denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos”. G1: “Médico detido, suspeito de estupros, tem prisão revogada em Valadares”. G1: “Mulher é encontrada morta com sinais de abuso sexual em Araras”. Diário de Maringá: “Mulher é estuprada ao lado do filho bebê em São João do Ivaí”.  Estadão: “Suspeito de estupro coletivo...”. Veja: “Justiça determina soltura de suspeito de estupro no Rio”. Uol: “Veja quem são os suspeito de estupro coletivo contra adolescente no Rio”. G1: “Polícia Civil investiga suposto estupro de menina de quatro anos em Vilhena”
            - Se formos pensar que cultura são todos os hábitos do nosso cotidiano, essas atitudes que cometemos na fala, nos gestos, na maneira como nos comportamos – e não necessariamente precisamos pensar para fazer – é possível dizer, sim, que há uma cultura do estupro. Isso porque as palavras, os xingamentos, as piadas, as músicas, termos, tudo o que usamos para nos referirmos às mulheres fazem parte de uma aceitação social. A língua, já que falamos em expressões, ela é fundamental para entendermos o que é uma cultura de estupro porque constrói nossa cultura. Se formos fazer uma análise linguística nós podemos afirmar que existe uma cultura do estupro no Brasil.
            Mas, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a violência contra a mulher – e o próprio estupro – não se limita apenas como o abuso físico, e, sim, como um ataque moral, psicológico e, sobretudo, verbal. “A cultura do estupro vai muito além da violência sexual em si. Ela está implícita em todas as atitudes machistas que acontecem diariamente, que oprimem e rebaixam as mulheres a algo inferior. É uma cultura machista. Desde que somos pequenas somos ensinadas a sermos inferiores aos homens, somos ensinas a sermos Amélia”.
            - Isso não é uma coisinha simples, é algo que é ensinado desde pequeno. Eu havia comentado com você das brincadeiras tradicionais, como nas festas juninas onde têm aquelas cadeias onde a menina fica presa, como um objeto, por ordem de um menino, e a única forma dela sair é beijando ele. Esse tipo de brincadeira é aceito socialmente, e até financia muitas escolas que só conseguem dinheiro através dessas festas. É absurdo. E como uma menina se sente numa situação dessa? Ela se sente como um objeto que pode ser jogado para qualquer canto.
            - No Brasil temos uma população extremamente conservadora e machista, e isso está enraizado. Não tem como falar de outra forma... até mesmo nas universidades com os universitários, que fazem essa cultura se proliferar. Um exemplo são as baladas, ‘ah, a guria bebe então ela pode ser abusada’, isso é um absurdo. Criam-se idealizações da mulher, de como ela deve ser e como não deve.
            - Acredito que a cultura do estupro existe por situações que eu passei, de assédio. Eu estava num ônibus e um cara estava com as calças abaixadas quase do meu lado, e muitas pessoas viram mas ninguém fez nada. Quando saí do ônibus ele ainda foi atrás de mim. Foi bem complicado. A cultura do estupro existe, e quando eu conto isso as pessoas logo perguntam qual roupa eu estava usando, como e isso fosse justificar o que o cara fez.
            - Aqui na universidade esses abusos vão desde os apelidos que você não pede, como ‘flor’, ‘querida’, ‘amorzinho’. Por que se referem a nossa aparência? Por que você está encostando em mim? ‘Ah, é melhor você não estudar isso, não é um campo do seu perfil. É muito violento pra uma mulher’, entende? São muitas as situações de abuso e de opressão que as mulheres sofrem aqui na universidade. Um professor casado falou das preferências dele, ‘eu particularmente prefiro a menina com o cabelo comprido, com um perfume, de vestido’. Pô, eu não pedi sua opinião sobre mim. Por que você está infligindo sua opinião como homem, o que você prefere, qual seu tipo de carne preferida? Entre colegas e professores parece que o que prevalece é a preferência deles de nós como objetos.
            E num cenário tão pessimista como o atual, uma das formas começarmos a mudar o pensamento das pessoas e criarmos uma sociedade mais igualitária e humana é o feminismo. “Se a gente desejar uma mudança social, cultural, essa mudança que vejo que está acontecendo em alguns âmbitos, é imprescindível a gente considerar o feminismo. Ele que faz que haja essa percepção das mulheres através de uma visão das mulheres.” 

SORVETE DE CHIMARRÃO

Por Carlos Souza


O Chimarrão é uma iguaria típica do Rio Grande do Sul, mas que conquistou a região sul do Brasil inteira e até o spaíses com que fazemos fronteira. Essa erva é presente na rotina de muitas pessoas. Seja na escola, no trabalho ou em casa não pode faltar a garrafa térmica cheia de água com o mate ao lado.

Essa bebida é originariamente tomada quente, há algumas exceções e pessoas que bebem fria, mas são raras. A Chaiane Leutner, que é formada em gastronomia teve uma ideia diferente para usar o mate e pensou em fazer um sorvete de Chimarrão diet, mas tudo isso por uma causa nobre.
  
A ideia foi criar um sorvete para pacientes renais de uma Clinica de Hemodiálise da cidade de Guarapuava, os mesmos tem restrição a vários tipos de alimentos, incluindo os líquidos. Através de uma pesquisa feita com a nutricionista da clinica estudada, foram coletadas informações referentes às restrições, hábitos e preferências alimentares dos pacientes.”  Explica Chaiane.

 De acordo com a nutricionista que a gastrônoma consultou, o chimarrão é uma das bebidas prediletas da maioria dos pacientes, porém ele se torna um vilão por ser considerado líquido.
A partir dessas informações surgiu a ideia de transformar a bebida preferida da maioria em algo que fosse saboroso, refrescante (sabor da calda de hortelã) e com o gosto do chimarrão, se tornando uma opção para saciar a sede no verão. Transformando o chimarrão que costuma-se beber quente em algo gelado.

A ideia deu muito certo, e segundo Chaiane quem prova do sorvete, não se decepciona. “Várias pessoas provaram o sorvete e se surpreenderam com o gosto, bem como eu me surpreendi com as reações sensoriais. Praticamente todas as pessoas acharam excelente o gosto e textura, as pessoas que não gostaram tanto e que foram poucas, não apreciaram por não terem hábito de tomar chimarrão.” Conta Chaiane, toda orgulhosa de sua descoberta. Vamos a receita?

Ingredientes:

500 ml Leite
15 g Erva mate peneirada
25 g adoçante culinário
5 g Liga neutra
1 g Emulsificante

Calda
1 porção Hortelã pimenta fresca
100 g Adoçante culinário
125 ml água

Modo de preparo do Sorvete: Ferva o leite, após fervido acrescente a erva mate peneirada e deixe esfriar. No liquidificador, coloque a mistura do leite com a erva, acrescente o adoçante e a liga neutra. Bata durante dois minutos. Leve ao freezer até que fique com uma consistência firme (se utilizar um utensílio de alumínio, o tempo será de uma hora). Retire do freezer corte em pedaços pequenos  e leve para uma batedeira, acrescente o emulsificante e bata até ficar cremoso. Leve para gelar até que fique firme (consistência de sorvete).
Modo de preparo da calda: após higienizar as folhas de hortelã, leve para o liquidificador juntamente com a água, bater até que fiquem bem trituradas. Em uma panela leve ao fogo, acrescente o adoçante e deixe ferver até formar ponto de calda, mais ou menos uns dez minutos. Sirva o sorvete com a calda por cima.
O
bservações: Pode ser trocado o adoçante por açúcar refinado, para 500ml de leite, 100g de açúcar. Para a calda, 100g de açúcar no lugar do adoçante.


10.7.16

Marcos Bebici deixa seu nome na história da música guarapuavana

“Hoje eu não tenho nada, mas nunca deixei de fazer o que quis”, diz o músico.

Por Douglas Kuspiosz


            Simples. Essa palavra o define. Entrevistei-o em seu estúdio, alguns metros de sua casa. Sempre sereno, com o violão em seu colo, tocava alguns acordes para tentar lembrar do artista que falara alguns segundos antes. “Inofensiva meu amor... Como é? Ah, Antônio Carlos e Jocaff!”, dizia ao lembrar dos músicos. Marcos sempre foi apaixonado pela música brasileira. Em sua casa, com uma música de Chico Buarque tocando ao fundo, não hesita ao citar Elis Regina como a maior voz feminina do Brasil. “Para mim, no Brasil, a Gal Costa é a quinta melhor cantora. A primeira, segunda, terceira e quarta é a Elis.”
            Sua identidade musical surgiu aos poucos. Sempre gostou de música popular. “Assim como hoje, na época tinha cantores pops, e eu gostava de cantar isso”, fala, mas, não hesita ao criticar a música pop atual. “Ivete Sangalo, por exemplo, eu acho um lixo”.
            Marcos conta sua história com um misto de alegria e de saudade. Lembra de seus parceiros e não deixa de sorrir ao falar de Hermes Kaminski, seu maior aliado na música. “O Hermes é um dos maiores poetas que conheci na vida”. Mas, além de Hermes, Marcos teve outros parceiros, tocou em outras cidades e tem muita história para contar.
           
Marcos, quando você começou a ganhar dinheiro com a música?
Marcos: Eu estreei como músico aos 16 anos de idade. Já comecei a ganhar dinheiro, a ser profissional. Durante bom tempo da minha vida eu trabalhava durante o dia, estudava à noite e nos fins de semana tocava. Isso tudo na década de 1960 e 70.

Quais foram as principais bandas que você participou nessa época?
M: Eu gostava de música popular. Assim como hoje, na época tinha cantores pops, e eu gostava de cantar isso. A primeira banda que eu toquei tinha um gaiteiro, um saxofonista, mas minha vontade era tocar em uma grande banda de baile que tocasse música mais popular. Participei dos Monzas aqui em Guarapuava, no Apolo 7, que era uma banda muito boa e etc.


Chegou a ter uma banda sua?
M: Sim, montei uma banda, Novo Testamento.

E como era?
Era uma banda de baile, apesar do nome. A gente trabalhava aqui e no Paraná todo, tocávamos música para dançar. Tinha seis componentes.

Quando você começou a formar sua identidade musical?
No começo dos anos 1980 eu saí de Guarapuava e fui pro Rio de Janeiro Aí comecei a trabalhar em casas noturnas. Foi lá que tive contato com o samba, a bossa nova e principalmente a música popular. Isso foi bom, porque a partir daí eu comecei a formar uma personalidade musical, que até hoje é baseada nesses três gêneros.

E quais músicos que mais o influenciaram?
A música mineira teve muita importância porque eu morei em São José dos Campos, que é praticamente divisa com Minas. Foi então que conheci todo o repertório do Milton Nascimento, Fernando Brant, Beto Guedes, todos os mineiros legais dali. Também tive influência de Chico, Caetano, Gil, Tom Jobim e as boas bandas de rock como Led Zeppelin e Beatles, que é a maior de todos os tempos.


Depois do Rio, qual foi seu próximo passo?
Depois de algum tempo no Rio, tocando em várias casas em Búzios, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, eu fui para São José dos Campos montar um bar com um amigo.  Esse bar durou seis anos.
 
Como foi esse período?
Nesse bar nosso principal produto era a música. Era meu e de um amigo que era baterista. A gente cantava em dupla. Tinha convidados e tal, e nessa época o Chiquinho, o trompetista do Jô Soares foi nosso sócio. Depois ele saiu do bar e foi trabalhar com a Elba Ramalho. Ficou um tempão trabalhando com ela até ir pro Programa do Jô.

E quando você voltou para o Paraná?
Depois de seis anos com esse bar a gente acabou vendendo e eu voltei para Guarapuava. Aqui eu trabalhei algum tempo no Barzinho do Hotel Atalaia e depois comprei o Flash Pizza Bar que foi uma casa que marcou época em Guarapuava. Era legal porque na época o pagode estava no auge. Nas quintas-feiras a gente fazia a noite do pagode, que era o melhor dia da semana. Lotava!

Depois dessa época você permaneceu por aqui?
Um tempo depois eu fui morar em Faxinal do Céu para tocar nos bailes da Universidade do Professor que funcionava lá. Depois disso fui para Maringá, onde montei uma banda de casamento. Ficamos nove anos lá, tocando em muitas cerimônias e festas. Finalmente voltei para Guarapuava com essa banda e trabalhei também na organização de formaturas por um tempo.

Marcos, você também é compositor. Quais foram seus parceiros?
Tive vários parceiros importantes, entre eles o Olavo Rodrigues, de São Paulo. Aqui em Guarapuava o meu principal parceiro foi o Hermes Kaminski. Fizemos músicas legais que originaram o disco que gravei em 1991, um LP (vinil) com músicas minhas, do Hermes, do Olavo e outros parceiros.
 
Como era ter o Hermes como parceiro?
Difícil! O homem era muito marrento. Dois "casca grossa". Ele era muito impulsivo, temperamental e eu também não sou das pessoas mais boazinhas. A gente brigava muito, apesar de se gostar e se respeitar. Para mim, o Hermes é um dos maiores poetas que conheci na vida. Eu sempre disse que se ele quisesse seria um poeta tão famoso quanto o Paulo Leminski, mas ele se dizia preguiçoso. Ele fazia lindas poesias e contos mas não era muito dedicado. Só não se tornou conhecido nacionalmente porque nunca quis se dedicar integralmente, apesar do grande talento.

Você disse que começou sua carreira nos anos 60, então, posso dizer que acompanhou toda a evolução da música brasileira após a ascensão da Bossa Nova?
O bom de ser mais velho é que tive a chance de ver nascer coisas importantes. Eu consegui acompanhei toda a evolução da Bossa Nova. E junto ainda tinha a Jovem Guarda. Eu era jovem, então gostava muito. Foi uma fase muito importante, cantei muitas músicas da Jovem Guarda, Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Agora falando do disco que você gravou em 1991, como você o avalia?
Até hoje eu acho que sou o único compositor guarapuavano que gravou um disco de MPB. As músicas, modéstia à parte, são boas, é MPB mesmo. Eu gravei ele em São Paulo mas já tinha voltado para Guarapuava na época. Tive apoio de pessoas, de empresas aqui da cidade pra gravar, porque na época era muito caro. É um disco que me dá muito orgulho por causa da parceria com o Hermes. Na minha opinião, sem querer ser pretensioso, é um disco histórico.

            Você também chegou a produzir músicas comerciais, certo?
Ah, fiz sim... bastante! fiz muitos jingles quando morava em São Paulo. Para empresas de Guarapuava também . Produzi músicas para campanhas políticas para praticamente todos os políticos importantes de Guarapuava: Nivaldo Krüger, Fernando Carli, Cesar Franco, Cezar Silvestri, Vitor Hugo Burko...

Dá para viver de música?
Durante um tempo eu trabalhava durante o dia, e tocava à noite. De 1987 para frente eu comecei a viver dos meus bares juntamente com a música. Dá pra viver sim, mas não para ficar rico.


Como você avalia a música no Brasil hoje?
Música comercial sempre existiu, na minha época era a Jovem Guarda. Mas eu acho que a música popular hoje tá muito nivelada por baixo, não existe criatividade. As músicas sertanejas são todas iguais, a forma como os caras cantam é sempre a mesma. É um copiando o outro! Falta criatividade, não sei se a culpa é dos compositores ou da mídia. Mas é assim mesmo, por mais que hoje esteja pior, não dá pra dizer que é o fim da picada. O importante é saber que sempre tem bons artistas, o problema é que eles não tem espaço.
 


Você já disse que Gil e Chico te decepcionaram. Por que?
Gilberto Gil é um grande ídolo meu, mas eu tive uma decepção enorme com ele. Ele e o Chico Buarque! O Gil foi ministro durante um tempão e não fez nada pelos músicos. Fez por ele, pela família dele. Nós somos a única classe no Brasil que não tem direito trabalhista nenhum, não tem direito a nada: fundo de garantia, férias, décimo terceiro, seguro desemprego, nada! Só por que músico pode beber no serviço não precisa de nada disso? Ele teve uma grande chance de fazer muito pelos músicos e não fez. O Chico brigava contra a ditadura, a gente pensava que ele queria a democracia, mas não. Ele sempre quis e até hoje pensa em instaurar o comunismo, o socialismo no Brasil, que está provado que não funciona e ele sonha com isso até hoje. O Chico tá parado no tempo também.

Esses problemas com as pessoas como Gil e Chico não o impedem de apreciar a obra, certo?
Sim, não deixam de ser grandes ídolos para mim. É só não misturar o artista com a obra, assim como Caetano sempre fez. O Caetano nunca foi de política, e sempre esteve certo.

Qual sua opinião sobre a lei Rouanet?
Tinha que acabar com isso. Só serve para beneficiar quem não precisa. É igual banco. O banco só oferece dinheiro para quem não precisa. Lei Rouanet é a mesma coisa: o cara não precisa do dinheiro e eles arrumam. Quem precisa, como é o meu caso por exemplo, que não sou famoso, que não tive a sorte de estourar, não tem apoio nenhum do governo. Nem que faça um projeto e mostre para eles,  não consegue, não aprovam. Só pra Chico Buarque, Ivete Sangalo, que não precisam. E muitos desses artistas são muito ruins, muitos não tem valor cultural nenhum. Ivete Sangalo, por exemplo, eu acho um lixo.


Sobremesa de inverno: pudim de pinhão

Pudim de pinhão, criado pela gastrônoma Chaiane Leutner

    A gastronomia é um meio que expressa cultura. Não vista apenas como alimento, a comida revela um modo e um estilo de um grupo, de uma região, assim como seus hábitos e costumes, a origem de quem a aprecia. Quem mora no sul do Brasil, certamente, ouve falar dele desde criança e come todo inverno: o pinhão. Muito tradicional na região, principalmente no Paraná, ele é, hoje, uma marca da culinária local.
   Famoso pelo seu sabor, a semente da araucária é versátil na cozinha, utilizada em preparações simples, como o pinhão cozido ou assado, e também em receitas mais elaboradas. Uma das dicas para aproveitar a semente no inverno é o pudim de pinhão, criado pela gastrônoma Chaiane Leutner. Entre os variados pratos, Chaiane, que se formou no início do ano, conta porque escolheu criar uma sobremesa diferente: “Era um trabalho da faculdade em que tínhamos que escolher um prato para ser preparado. Eu escolhi o pinhão porque é um ingrediente da região sul que aprecio muito. Fiz o pudim para diversificar um pouco dos pratos existentes.”
   A receita é simples, fácil de fazer e não leva muito tempo para ser preparada: 

    Ingredientes
1 xícara de pinhão cozido
1 lata de leite condensado
1 lata de leite
2 ovos
3 colheres de sopa de açúcar

    Modo de preparo
Primeiro, triture os pinhões no liquidificador. Depois, acrescente todos os outros ingredientes, menos o açúcar, e bata novamente. O próximo passo é colocar o açúcar na forma para caramelizar.
Em seguida, coloque a massa do pudim batida no liquidificador no forma caramelizada e cozinhar por 45 minutos em banho-maria com a forma coberta.
Após o cozimento, é só desenformar e levar à geladeira por 30 minutos e, então, o pudim está pronto para ser servido.

Texto: Marina Pierine

 
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