30.9.16

Crônica - O respeito efêmero



  Ri. Muito. Era tudo que podia fazer.

  Havia acordado a pouco e checava as notificações da madrugada, que inundavam meu celular. Uma delas realmente me chamou atenção, minha prima, uma das melhores pessoas que já conheci, me falava sobre uma festa que achava desrespeitosa. Ela, cristã praticante há boa parte dos seus 25 anos, sentia-se ofendida pela próxima festa que ocorreria na cidade. Decidi saber do que se tratava.

  “Não escolhi, mas estou esperando”. Deparei-me com um evento no Facebook onde pessoas buscavam pares para seus amigos, senti certa ironia nas publicações que li, mas em geral achei tudo muito engraçado. Ela não achou. Explicou-me que tal tema era chacota de um movimento sério na comunidade cristã. “Eu escolhi esperar”. Senti empatia.

  Particularmente não sou devota de uma religião específica. Tento praticar o hinduísmo. É difícil, trabalho diário, constante. Porém gosto de acreditar. Saúdo Rá, o deus egípcio do Sol, todas as manhãs. Gosto de ouvir tempestades porque acredito que Thor está batendo seu martelo de felicidade ou desgosto. Acredito no poder dos Xamãs e na sua espiritualidade. Também creio nas orações diárias que minha avó, católica apostólica romana, faz por mim e acredito ferozmente que o deus dela me protege de alguma maneira. Não vou nem entrar na parte sobre alienígenas ou sobre a nossa consciência cósmica porque posso encher um livro de teorias sobre isso.

  Aprendi, não há muitos anos atrás, a respeitar as escolhas alheias. Porém, não ache que isso vai me impedir de levantar e defender meus ideais sempre que necessário. E esse é o ponto, são meus ideais, eu posso ser maluca por acreditar neles, mas ninguém pode me impedir de acreditar. As pessoas podem achar insano acreditar em alienígenas, já eu, tenho certeza de que fui abduzida em algum momento da minha vida.

  Dito isso, quero passar a uma observação, por que usar a crença -e não apenas a religiosa- alheia como motivo de chacota?

  Não me refiro especificamente ao episódio da festa, mas sim ao comportamento mundial que impede os seres humanos de seguirem felizes com a sua ‘pira’ de vida sem interferir na ‘pira’ alheia. Por que nós temos que criticar tudo que não faz parte da nossa seleta de verdades universais? Não podemos simplesmente ter uma epifania universal de que até hoje ninguém está totalmente certo, nem totalmente errado? Acredito que é preciso sempre estar em busca do meio termo.

  A contra ponto, as redes sociais são inundadas de publicações onde o respeito a tudo e a todos prevalece. Assim como os grupos que exigem respeito para suas crenças, mas utilizam o desrespeito a outras para firmar sua reivindicação. Como isso é possível?

  Aprendemos mais quando ouvimos sobre as experiências alheias e sobre as motivações que levam a tais crenças. É como a metáfora da caixa de bombom, você compra a caixa, mas não necessariamente gosta de todos os bombons que estão nela.


  A questão é, a sua caixa é melhor que a do outro? 


Amanda Crissi

É hora de caçar postais

Foto do arquivo pessoal

Em tempos de grande convergência das redes sociais, onde ter 5 mil amigos no Facebook (o número máximo) virou algo fácil, a internet é o que ajuda o fotografo Dan Jaeger Vendrusculo coloca suas ideias em prática. Imagine-se em uma caça ao tesouro, onde as pistas são postadas virtualmente e se você morar em Pato Branco pode sair andando pelas ruas e se deparar com o envelope amarelo com a frase Pra Você, essa é a brincadeira que ele propôs aos internautas patobranquenses.

Dentro do envelope uma coleção de postais da cidade é o tesouro dos que acertarem as pistas, e a concorrência é grande, quem acompanha o fotografo pode perceber que nos comentários das fotos que tira como pista dos esconderijos as pessoas tentam adivinhar o mais rápido possível, todos pedem e procuram pelo pacote amarelinho nos muros, jardins e pedras do município. 
Foto do arquivo pessoal

Apesar da grande repercussão, essa não é a primeira vez que a ideia foi colocada em prática. “ Eu deixei uma vez ano passado, mas ninguem encontrou, eu não tinha avisado. Eu fui deixar de novo e dessa vez avisei e foi na hora, a galera saiu atrás, ai começaram a pedir mais e eu comecei a pegar o que tinha pronto e achar mais coisa”.
E se é um sucesso em Pato Branco, no seu perfil no Facebook o recado foi dado: outras cidades também estão em seus planos para participar da caça. Dan gosta de fotografia desde  crianças e administra outras páginas como a Patópolis onde também compartilha sobre os postais e o Mundialmente anônimo, em que fotos de pessoas, mesmo que famosas, são postadas apenas com seu nome e sua profissão.

 Texto: Sabrina Ferrari 


29.9.16

Paratleta, para exemplo

Após acidente de motocicleta, Geriel Batista fica paraplégico, mas não abandona o esporte e a alegria de viver.
Foto do arquivo pessoal
Só risos, exemplo e esporte. Geriel Batista, 21, não sabe esconder a alegria de viver em momento algum. O esportista que aos 20 anos sofreu um acidente na cidade de Guarapuava – PR, deixa todo problema de lado e ri de um mundo que para si é só felicidade.
Geriel é como a mãe, que o cuidou durante os quatro meses em que estava impossibilitado de sair da cama. Os dois conversam pelo olhar, olhos que sorriem um para o outro e fazem as bocas só rirem uma para outra. A mulher é só agradecimento pela vida do filho, esse que faz o mesmo repetindo a cada pouco o quanto é grato a Deus pela sua oportunidade de continuar na vida, no esporte.
É bonito o ver com a cadeira de rodas, a forma como a conduz e quando tenta fazer movimentos diferentes com ela. Geriel e a cadeira parecem um só. A cadeira virou suas pernas, ele o tronco dela. Se vê nos olhos que Geriel, a cadeira e o esporte são melhores amigos e a amizade é sincera.
Em entrevista para o Blog Plural, atleta conta sobre sua vida esportiva antes e depois do acidente.
Sabrina: Com quantos anos e como você começou no esporte?
Geriel: Em 2009, tinha quinze anos. Começou como uma brincadeira, eu jogava futebol e meus amigos começaram a me chamar para correr e fui. Ganhei de um homem que era campeão paranaense, eu não sabia, ele tinha acabado de ser campeão em Campo Mourão. Então comecei a treinar e me arrumaram um treinador. Acabei indo também para lá, me federei durante dois anos e pouco e Londrina comprou minha federação, lá competia em nível nacional. Fiquei um ano e seis meses, voltei para Guarapuava, mas continuava federado. Era metido a jogar vôlei também, mas só quebrava meus dedos, não deu muito certo.
S: Sua corrida era profissionalmente?
Geriel: Sim, desde 2012. Me federei pela CBAT que é como uma carteirinha que prova que sou atleta. Eu corria só prova que possui um calendário, lá tem uma meta e quem não a cumpre não pode participar.
S: Qual foi a meta que você alcançou e te surpreendeu?
G: O Brasileiro de 2013 em Timbó – Santa Catarina. Os corredores eram os dois melhores de cada estado e dois que o estado apenas levava para participar. Nunca tinha ido para uma competição como essa, quase cinco mil atletas no total que se dividiam nas competições. Fiquei deslumbrado com a estrutura, com o hotel, algo que nunca tinha visto. Cheguei para correr quatro quilômetros, pensei que faria em torno de 12 minutos que é um tempo bom. O calor estava em 40º, meu tempo foi 11 minutos e 50, mesmo treinando não pensei que faria isso, mas na emoção fiz. Depois disso demorei cerca de três meses para conseguir o mesmo tempo.
S: Como você chegou até o campeonato brasileiro?
G: Eu estava com o pé machucado, eram quatro provas, índices que chamamos. Uma prova é em janeiro, a outra em julho, outubro e dezembro, para que consiga um bom índice e corra na corrida nacional. Eu havia perdido três, estava gripado e era a única chance. Uma semana antes fui em uma chácara e um cavalo pisou no meu pé, desanimei até que mandaram a passagem que a prova era em São José dos Pinhais.
S: A média que você teria que conseguir era alta?
G: Era, eu teria que correr oitocentos metros e a média dos outros corredores era um minuto e 55 e havia feito um min e 57, mas eles haviam corrido pelo FAP e nessa competição feito um min e 53, essa era a média que e precisava. Fiz um min e 52 e empatei com mais dois atletas. Para o Brasileiro só iria os dois melhores tempos, o outro até vai para a corrida, mas sem credencial que era o que queria. Então, consegui passar e fui para o Brasileiro.
S: O Brasileiro foi o campeonato que você mais gostou de participar?
G: Foi, é muito difícil de conseguir estar lá.
S: Fora corrida, quais esportes você costumava praticar:
G: Vôlei e handebol, eu gostava muito. A gente tinha um terreno baldio aqui e ficamos mais de um mês carpindo e arrumando para criar um campo de jogo de vôlei. Em dias de semana a gente até jogava em estádio, mas era vôlei e handebol mesmo.
S: Em qual momento da sua vida você se viu um bom atleta?
G: Vários, na verdade. Quando fui convidado para uma corrida na Argentina, por exemplo, o pessoal me chamou para correr lá porque tinha um tempo bom, e era tudo pago para mim. Chegando lá havia muita gente, larguei pela elite, fiquei em sexto lugar. Todo mundo vinha falar comigo. essa é a sensação de chegar em uma prova e fazer melhor do que esperava. Mas também já fiz pior.
S: Qual era sua média de treino?
G: Eu tinha uma planilha de treino e dava em torno de cento e vinte quilômetros semanais com descanso. Esse descanso era nas segundas-feiras, porque as provas são sempre em sábado e domingo, o corpo acaba criando rotina e se descansasse final de semana iria acostumar.
S: Como é o basquete para você?
G: Faz pouco tempo que estou jogando, mas acerto bem mais cesta do que antes. O que muda é o fato de jogar sentado, é mais difícil, a bola fica mais pesada. Esse ano teve o Paranaense, ainda não participei porque estou jogando a quatro meses. Melhorei muito, não só no basquete, mas fisicamente e psicologicamente também. Eu também estou procurando uma cadeira para hand-bike, mas ela é cara. Quando conseguir vou treinar para as paraolimpíadas.
S: Esse é seu novo objetivo?
G: É. Daqui um ano, um ano e meio quero estar em uma paraolimpíada. Coloquei isso na cabeça, mesmo que demore mais ou menos, quero isso.
S: Você considera que o esporte te deu certo ânimo?
G: Sim, muito. Eu até brinco que posso fazer várias coisas, mas não é igual. Sou muito competitivo, me sinto melhor praticando esporte. Me sinto alguém, me identifico muito
S: Como foi para você o momento que você voltou a jogar depois do acidente?
G: Foi difícil, mais que quando comecei a jogar antes do acidente. É que era acostumado a fazer tudo em pé e de repente era tudo sentado. Na verdade, até o peso das coisas muda. Eu sinto só os braços e pescoço, no peito já não tenho movimento nenhum. Eu fui me adaptando na verdade.
S: Como aconteceu o acidente?
G: Foi em 26 de outubro do ano passado, eu e minha esposa estávamos voltando para casa, subindo a Manoel Ribas, um carro veio sentido Lagoa – Santana e era nossa preferencial. O médico deu dois por cento de chance de sobrevivência. Não lembro de nada, o acidente foi domingo e só acordei na quinta. Minha esposa acordou na segunda-feira. Fiquei quatro meses e seis dias só de cama, não podia erguer um copo de água. Minha coluna possui ferros que estão dos dois lados para dar sustentabilidade. O rompimento medular foi completo, mas penso que isso não é nada, tenho cadeira de roda e vou para lá e para cá. Algumas vezes eu desanimo, mas é questão de alguns minutos, uma hora, mas é normal, qualquer pessoa acorda meio chateada e isso é normal.
S: Com quantos anos você estava?
G: 20.
S: O que passou na sua mente sobre essa adaptação que você teria que fazer?
G: O médico foi explicando sobre meu acidente e só pensei que havia complicado tudo. Eu sabia que existia esporte para quem tem deficiência como eu, só que eu não tinha movimento do pescoço para baixo, estava tetraplégico. O movimento do braço foi voltando, comecei a mexer os dedos e a fisioterapia ajudou. Meu braço esquerdo tem três fraturas, mas voltei a ter movimentos até a parte do peito. Dizem que meus movimentos das pernas não vão voltar, mas quem sabe um dia e se não voltarem não tem problema acho que tenho que aproveitar a vida da mesma forma.
S: Como foram suas primeiras fisioterapias?
G: Doídas (risos). Comecei a praticar esporte nelas a quatro meses atrás. Faço fisioterapia na Guairacá e eles fazem uns questionários, sempre falei de esporte e a fisioterapeuta elaborou os tratamentos com bola e agora não paro mais.
S: Foi com a fisioterapia que você voltou para o esporte?
G: Sim, eu estava esperando ficar mais seguro porque doía. Cheguei na fisioterapia e mesmo assim doía, mas fui fazendo lançamento, era em um círculo e eu jogava no chão, ela mal pingava e foi até que me convidaram para jogar basquete. Fui assistir ao jogo, mas como não conseguia me transferir de uma cadeira a outra o pessoal me ajudava. Comecei a participar dos jogos, agora já faço transferência e sei jogar.
 S: Depois de quanto tempo do acidente que você voltou para o esporte?
G: Depois de seis meses.
S: Qual a sensação no seu primeiro contato com o esporte?
G: Na hora parecia que não era verdade. Quando cheguei em casa chorei, foi uma sensação de alívio, de que poderia fazer algo. Esse foi um incentivo. Fui ao médico e ele me disse para parar que eu teria que fazer mais uma cirurgia e eu disse que não e nem fiz a cirurgia. Com os treinos de basquete criou uma musculatura e fortaleceu, nem precisei fazê-la.
S: Você prática mais algum esporte no seu tratamento?
G: Não, me convidaram para jogar ping-pong, mas fora da fisioterapia. Se der vou, o que der para fazer eu faço sabe, mas quero ficar mesmo no hand-bike que é o ciclismo.
S: Aqui em Guarapuava há pouca opção para paratletas?
G:  Apenas duas. Na verdade, é muito pouco, só o baquete e o ping-pong que vai abrir. Havia o pessoal que fazia um treino fechado e eles que vão estar ensinando a jogar.
S: Aqui no município ainda não há competições?
G: Não. De hand-bike só tem em Curitiba e Maringá.
S: Como funciona o hand-bike?
G: É como um triciclo. Duas rodas dos lados e uma na frente, o banco é inclinado e você regula conforme a lesão que você tem e controla tudo na frente. Conforme seu movimento a perna vai junto, mas o controle é todo com a mão.
S: Antes você recebia patrocínio, mas e agora há ofertas?
G: Não, aqui na verdade, não tem muito esporte. Antes recebia um pouco, o que a gente chama de incentivo.
S: Você acha que Guarapuava ter um crescimento no sentido de esporte?
G: Acho que pouca coisa, porque desde quando eu corria a cidade nunca foi federada em algumas coisas. Por isso que normalmente o pessoal daqui vai praticar esportes por outras cidades.
S: Isso acontece só em Guarapuava ou em todo o estado?
G: Eu acho que mais aqui. Nas outras cidades que morei a secretaria de esporte por exemplo estava sempre procurando coisas novas. Não só projetos tão grandes, mas o pessoal que participa consegue evoluir.
S: Como você tem vontade de participar de campeonatos, o que acha que isso vai mudar para você?
G: Força de vontade eu já tenho, mas é que coloquei na cabeça e quero conseguir, caso não consiga vou continuar treinando, não vou parar. O que aconteceu comigo abala muito o psicológico, alguns amigos meus que jogam basquete também não sabiam dessa possibilidade. Uns fazem dez e até 15 anos que são cadeirantes, eles me falaram que já pensaram em suicídio, ficavam o dia todo trancado e quando saiam acabavam caindo com a cadeira.
S: Em algum momento passou na sua cabeça esse desânimo e o pensamento de não ter mais vontade de viver?
G: Não. Já fiquei triste, e quando soube que havia perdido os movimentos parecia que estava me acidentando de novo. Mas nunca pensei nisso, sempre tive na cabeça que vou melhorar, isso demora, mas mesmo assim estou vivo e me divertindo porque vou desanimar tanto? Tenho a oportunidade de estar vivo e essa outra ideia não bate comigo.
S: Vocês possuem um time fechado?
G: Sim, treinamos em torno de 12 pessoas e uma é mulher também.
S: São todos cadeirantes?
G: Olha, tem gente por exemplo que não tem uma perna e joga com a muleta, mas a maioria é cadeirante.
S: Como é a rotina de treino de vocês?
G: A nossa treinadora Bruna faz um treino puxado, mas cada um vai até seu limite. Ela tem que exigir e você exigir de si para não ficar na mesmice.
S: Alguma coisa muda na sua alimentação para o treino?
G: Como algo mais leve, porque se comer algo pesado pode ser que passe mal, é que com a cadeira embala muito quando jogo. E se hidratar muito.
S: Você disse que é competitivo, mas e nos treinos como é essa competição entre vocês?
G: Todos somos, principalmente quando fazemos competições de arremesso. É tudo na brincadeira, mas ninguém quer perder, acho que é meio normal. Se alguém erra algo rimos e criamos essa rivalidade que não é ruim, é uma forma de melhorar e se dedicar mais.
S: Tem alguém fora da fisioterapia e família que te incentivou ao esporte?
G: Meus amigos Luciano e Ailton, eles que vinham me buscar e me incentivando. Um deles está seis anos com cadeira de rodas e sofreu acidente de moto também e o outro já tem vinte anos com a cadeira. Um joga a quatro anos e o outro a doze.
S: Você tem eles como exemplo?
G: Exatamente, eles eu falo que são meus padrinhos. Eu até sabia que tinha o basquete, mas não havia como me locomover até lá e eles me buscavam, eu quase nem gostava de ir e ficava duas horas antes esperando (risos).
S: O basquete foi sua primeira opção?
G: Foi. É muito legal. Eu sempre falava que odiava basquete e agora é tão bom, é um esporte que você evolui muito. Não é só o basquete, só o esporte, isso te abre várias portas e através de um você conhece outro e troca experiência.
S: A visão que você tinha antes do esporte e a que tem agora possui diferenças?
G: Pouca coisa diferente, para mim ele continua no mesmo patamar. Só o que muda é a forma de como fazer as coisas e a pouca oportunidade. Aqui em Guarapuava eu conheço uns quarenta cadeirantes e tem mais pessoas que não conheço. Imagina se tivesse um esporte diferente e disponível para todas e isso faz sentir bem, alegra o psicológico. A dificuldade é muita, mas se houvesse mais opção de lazer tinha mais pessoa mais felizes.
S: Há algo além de esportes que você pratique?
G: Academia. Tem muita coisa que não consigo fazer na academia, mas também que posso fazer. Eu brinco, chego pedindo para fazer esteira e bicicleta e passa o tempo que nem vejo. Faço duas vezes por semana, e conforme vai evoluindo também vou aumentando os pesos normal. Acho que tudo que queremos é só ter força de vontade de fazer.
S: A acessibilidade em Guarapuava como é?
G: Aqui na cidade é muita subida e descida, quando encontro uma rua reta fico tão feliz (rindo). A cadeira embala e quando coloca a mão para frear queima e nas decidas ou machuca a mão ou cai. Dizem que aqui tem rampa, mas as rampas são muito inclinadas e você acaba precisando de alguém para ajudar a subir e tem lugar que tem a rampa, mas não precisa.
S: No ônibus como é a acessibilidade e o respeito das outras pessoas?
G: Alguns dias atrás cai do ônibus aqui, o motorista baixou a rampa em um morro de terra e não vi, na verdade, só vi quando tombou. A acessibilidade está boa, a maioria dos ônibus tem e funciona. Já peguei ônibus que não funcionava, mas as pessoas que estavam no ônibus me ajudaram erguendo a cadeira. Tem também um lugar no ônibus que é para os cadeirantes e algumas pessoas não respeitam.
S: Tem algo que você quer falar incentivando as pessoas a praticar esporte?
G: A pessoa que faz esporte é mais ela, se sente melhor, faz bem para a saúde e tem uma vida mais ativa. Tem algumas pessoas que são mais agressivas e bravas que com o exercício relaxa. Você se sente bem, aliviado e te traz mais felicidade. É uma vida que todo mundo deveria levar.

Texto: Sabrina Ferrari 

23.9.16

Minha primavera favorita

             Hoje encerra-se o inverno. O inverno que veio para acabar com as cores, os sabores, os cheiros. Hoje encerra-se o inverno. O inverno que deixava tudo cinzento, frio, deserto. Hoje encerra-se o inverno. O inverno que entristece. O inverno que chega sem aviso, e deixa mãos e corações gelados. Hoje encerra-se o inverno. E volta a primavera. A primavera que floresce, encanta, renasce. A primavera que aquece. A primavera que dá vida, no que já não tinha mais cor. A primavera dos sorrisos, das novas energias.
             E depois da primavera, chega o verão. Depois da calmaria, o fervor. O verão de calor intenso. O verão com chuvas, fracas, apenas para refrescar o abafado dia. O verão com dias mais longos, e felizes.
              E logo mais vem o outono, quando começa-se esfriar. Quando as folhas vão perdendo a vida. Quando as flores murcham. Quando o outono chega, temos certeza que não demorará muito até o inverno chegar novamente. E nós passamos por todas as fases, em um círculo sem fim.
             Eu e você somos a primavera, mas isso não significa que nunca fomos verão, outono, e muito menos o inverno. Passamos por dias de calmaria, por dias de paixão ardente, mas os dias sem graça e frios também chegaram. Os dias que o nosso calor parecia não ser suficiente. Passamos por dias em que parecia que o sol nunca mais chegaria, ou quando chegava, não nos aquecia. Passamos por dias gelados, e sem vida. Passamos por dias em que achávamos que morreríamos. Não morremos.
         Estamos aqui, seguindo em mais uma primavera. Onde não sei dizer se prefiro o cheiro das flores, ou o seu. Onde tudo está florescendo de novo. Onde o amor está renascendo mais uma vez.


              Você sempre será a minha primavera favorita, mesmo nos dias de inverno!!!!


Texto de: Daiane Cristina

Um pouco sobre séries do verão norte-americano 2016




Terminou o inverno no Brasil e o verão nos Estados Unidos. Com o frio que fez por aqui eu aproveitei para acompanhar algumas das novas séries e novas temporadas quentinhas que lançaram lá, as season e summer premiere do verão norte-americano 2016.
Dentre as séries que começaram eu assisti Dead of Summer (DOS), Guilt e Wrecked e das que voltaram com novas temporadas eu vi a sétima de Pretty Little Liars (PLL), a segunda de Scream e a quarta de Young & Hungry (Y&H).

Primeiramente, assista Guilt! A série é da Freeform, mesma emissora que transmite PLL e tem uma história de suspense com investigação criminal que te prende do começo ao fim da temporada. Ela tem mesmo um quê de PLL com suas personagens adolescentes que estão envolvidas com um assassinato, mas a semelhança para por aí, Guilt traz um universo muito mais real do que o das meninas de Rosewood em PLL, mas digamos que Grace, a protagonista de Guilt, seria uma excelente Liar também. A série traz personagens curiosíssimos envolvendo diferentes classes sociais de uma Londres moderna com policiais e detetives em busca de pistas do assassinato de Molly, a melhor amiga de Grace. As revelações não deixam o ritmo da narrativa cair até a última cena do último episódio. Em meio as investigações do assassinato, ainda tem um caso de prostituição que envolve o príncipe da Inglaterra, meio Christian Grey de Cinquenta Tons de Cinza.

Guilt encerrou a primeira temporada com dez episódios no dia 22/08/16 e ainda não há informações sobre um possível retorno.

Já que citei PLL diversas vezes, precisamos falar da sétima temporada que será também a última! Amém? Eu sei que vou chorar quando acabar, mas penso que é hora de dar tchau. Aria, Hanna, Emily, Spencer e Alison continuam sendo perseguidas por mensagens de texto e mentiras, mas agora a série cresceu, as personagens cresceram e tudo está cinco anos mais velho do que quando terminou a sexta temporada. Não vou mentir não, gostei. As Liars não estão mais no colégio e suas vidas tomaram diferentes rumos antes de retornarem para Rosewood. Enquanto em Guilt o mistério é “Who killed Molly?” em PLL a sétima temporada trouxe o “Who killed Charlotte?”. Um ponto positivo para a narrativa foi trocar os casais e ir revelando aos poucos o que aconteceu que motivou essas mudanças durante os cinco anos que a série saltou. Se o objetivo da roteirista Marlene King era amadurecer a série, o objetivo foi atingido e deixo aqui minha observação sobre a personagem Spencer, que parece ter se enquadrado muito bem nessa nova fase. As cenas dela foram as que mais me surpreenderam, parabéns para a atriz Troian Bellisario. E não desista de PLL!
Pretty Little Liars encerrou a primeira parte da sétima temporada com dez episódios no dia 30/08/16 e tem previsão para retornar com a segunda parte em abril de 2017.

Mudando de gênero, você assistiu DOS? O terror que se passa no acampamento de Stillwater também é da Freeform e surtiu para mim como uma tentativa de concorrência da série Scream, já que chegaram inclusive a terem exibições nos mesmos dias. Eu vi porque um acampamento de verão amaldiçoado me pareceu um bom tema de seriado. Entretanto, o negócio só melhora lá pelos três últimos episódios e a narrativa se mostrou fraca até mesmo para apenas uma temporada. A trama é interessante por revelar o passado dos monitores de Stillwater com flashbacks que mostram mais sobre suas personalidades e motivações para procurarem o acampamento. A escolha dos atores para interpretar esses monitores é que me incomodou, não me apeguei a nenhum deles, os papeis não são marcantes e distintos como os de Audrey, Brooke e Noah de Scream, por exemplo, mas o casal Blair e Drew merecem destaque, com uma questão de opção e orientação sexual. A reta final de DOS fica boa com a reviravolta da protagonista Amy que muda da água para o vinho.

Dead of Summer encerrou a primeira temporada com dez episódios no dia 30/08/16 e ainda não há informações sobre um possível retorno.

O terror continua também na cidade de Lakewood com a série Scream. A segunda temporada não perde em nada para primeira, até melhora no meu ponto de vista. O cúmplice de Piper, a assassina da primeira temporada, é quem está atormentando a vida de Emma, Audrey e seus amigos com mais assassinatos e perseguições. Novos personagens são inseridos de uma maneira objetiva para termos novos suspeitos e novas relações para ir contra ou a favor. Com base nos assuntos do momento no Twitter, o sucesso da série é notável pelas aparições quase diárias nessa lista com o número de tweets dos fãs e parece que muitos estão aguardando os episódios especiais de Halloween que foram anunciados pela MTV, pois é fácil encontrar contagens regressivas na rede social. FALTAM 26 DIAS!

Scream encerrou a segunda temporada com doze episódios no dia 16/08/16 e retornará com dois episódios de Halloween no dia 19/10/16.

A Freeform não me pagou para escrever isso, eles nem sabem que eu existo, mas vou falar de mais um seriado deles. Y&H é uma comédia muito saborosa, fazendo aqui um trocadilho com o tema de culinária dessa série que é estrelada por Emily Osment no papel de Gabi. Eu não conheço ninguém que assiste Y&H, mas existe um público regular que ajudou a chegar na sua quarta temporada e ainda ganhar um spin-off! O 4x08 de Y&H é também o primeiro episódio da nova série Young & Sofia. Nesta quarta temporada Gabi e Josh continuam sua história de amor complicada com muita loucura e diversão. O ritmo da narrativa de Y&H é bem leve e descontraído, não deixando sobrar tempo para o telespectador pensar em enjoar da série.

Yong & Hungry encerrou a quarta temporada com dez episódios no dia 03/08/16 e ainda não há informações sobre um possível retorno.

O que eu não gosto de séries de comédia é que elas são muita curtas, com episódios de vinte minutos geralmente. Queria que cada episódio tivesse quarenta minutos e por isso fui procurar outra comédia para acompanhar. Foi assim que eu descobri a estreia de Wrecked. Procurei o trailer e já fiquei animado com mais vinte minutos de humor que viriam. A história me parece uma sátira da aclamada Lost, mostrando sobreviventes de uma queda de avião em uma ilha deserta. Owen trabalhava como atendente de voo no momento do acidente e na ilha ele acaba virando amigo de Danny, um passageiro que finge ser policial. Os dois personagens convivem com várias personalidades bizarras dessa série que coloca algumas críticas da nossa sociedade moderna, como dependência de eletrônicos e memória cada vez mais guardada na internet.

Wrecked encerrou a primeira temporada com dez episódios no dia 02/08/16 e foi renovada para segunda temporada com mais dez episódios em 2017.

Texto por Marcelo Junior.

 
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