28.11.17

Na Islândia, o Natal tem cheiro de papel

Lima Barreto, uma voz que nasceu negra na literatura


Lima Barreto


Em biografia de Lilia Schwarcz, escritor discute o racismo no Brasil recém saído da escravidão.


"No topo da ficha da primeira internação de Affonso de Henriques de Lima Barreto no Hospício Nacional, o escritor é identificado como branco. O ano era 1914, o diagnóstico alcoolismo, a cidade Rio de Janeiro. Logo abaixo do cabeçalho, contudo, uma foto em sépia desmente a informação sobre sua cor. Assim como um sem número de intelectuais e homens públicos brasileiros, que eram negros, mas foram repetidamente retratados como brancos, Lima, ainda em vida, foi tomado pelo que não era. No seu caso, contudo, o “branqueamento” é ainda mais absurdo, pois ser negro, no último país a abolir a escravidão no mundo, foi questão central da vida e obra do escritor brasileiro."



Lima Barreto em sua primeira internação por alcoolismo


“Nos personagens, nas tramas, em escritos pessoais, a atenção para a questão racial e as descrições dos tipos físicos dos personagens estão sempre em evidência”, diz a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Se no começo do século XX, o determinismo racial – que dizia que populações mestiças e negras eram biologicamente mais fracas – estava em voga, Lima aparecia como uma voz dissonante, combativa e, muitas vezes, solitária. “A capacidade mental do negro é medida a priori, a do branco a posteriori”, escreveu em seu Diário, em 1904, oferecendo um retrato claro do teor de racismo que vicejava no Brasil pós abolição da escravatura."

O tema racial, não por acaso, é também o de maior relevância na biografia Lima Barreto: Triste Visionário, que Schwarcz lança em 10 de julho, pela Companhia das Letras. “O Lima é um personagem bem interpretado. Toda a leva de pesquisadores que seguiram o Francisco de Assis Barbosa, seu primeiro biógrafo e difusor de sua obra, é excelente. A pergunta que eu fiz, que não se tinha feito muito ainda, é sobre a questão racial”. Neto de escravos e filho de pais livres, nascido no dia 13 de maio de 1881, na mesma data em que sete anos depois a lei áurea colocaria um fim na escravidão, Lima abordou o tema a partir de sua própria experiência. Sua obra, nesse sentido, é extremamente autobiográfica."
Escrito por André De Oliveira (24/07/2017)

O resto da reportagem pode ser encontrada em:

Acesso em: 28/11/2017



3.10.17

Monteiro Lobato e uma breve passagem pela literatura infantil brasileira

             





Monteiro Lobato e uma breve passagem pela literatura infantil brasileira


      
       
Em 1921, inicia-se a Literatura Infantil no Brasil com a história: “Narizinho Arrebitado”, publicação de Monteiro Lobato, no que diz respeito à técnica literária é um dos mais completos autores da Literatura Infantil.
Monteiro Lobato criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore, buscou o nacionalismo na ação das personagens que refletiam na brasilidade, na linguagem, comportamentos e na relação com a natureza. Em 1931, Narizinho Arrebitado muda para Reinações de Narizinho – dentro do universo do faz de conta, que Lobato criou. Nos anos 60 e 70 ocorre uma discussão em torno da Literatura Infantil, instituições se preocupam com a leitura e o livro infantil, como a (FNLIJ) – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, apoiando e agilizando o envolvimento com a leitura.
Algumas transformações ocorridas no século XVIII, aliadas às questões educacionais, marcaram algumas acepções sociais voltadas à família, entre elas o namoro, que marca o início da liberdade entre os jovens, entra em cena, então, a figura do pai e da mãe, os quais deviam estar ligados à educação dos filhos, assim, recaia sobre a família a responsabilidade de fazer com que a criança chegasse à idade adulta sadia e com uma boa educação.
É neste século que surge a educação para todos, priorizando, assim, a criança. Com a valorização da criança surgem textos adaptados a elas, os livros adultos tomam forma de livros infantis. Começa-se a formação de pequenos leitores. Através da leitura literária se poderia adquirir cultura e conhecimento. Foi criado, então, um Tratado de Pedagogia, que assegurava a educação infantil e adulta, desta forma, a educação perde sua inocência e a escola a sua neutralidade. Com isso, surge a necessidade de obras que despertassem o interesse das crianças, que lhe chamassem a atenção, na qual pudessem viajar e sonhar, baseadas no mundo do faz-de-contas. A literatura de Lobato cumpre muito bem este papel.
Além de despertar o interesse da criança através do imaginário, Lobato conscientiza com a sua literatura denunciadora, que envolve fatos políticos-econômicos-sociais. A sua principal obra, “O Sítio do Pica pau Amarelo”, tem traços de um Lobato indignado com a exploração do Petróleo, logo depois surge o livro “O Poço do Visconde”, que conta a história da descoberta do Petróleo nas terras do Sítio (mundo fictício), que eram terras de sua família. Não podendo se expor, criou as personagens fantásticas, as quais dizem tudo o que ele pensa sobre a descoberta, entre elas Emília, a qual representa a sua voz. A Literatura Infantil recebe esta denominação quando incorpora o sonho e a magia nas obras, o que Lobato faz com grande competência. No século XIX, principalmente, houve a preocupação em apresentar aos jovens textos considerados adequados à sua educação – foi reelaborado o acervo popular europeu – neste período destacam-se as histórias dos Irmãos Grimm. Assim, a renovação chegou à Literatura Infantil, a qual incorporou um pensamento progressista.
            A literatura infantil nem sempre teve a atenção adequada dos escritores, mas com o decorrer da história, muitos escritores se se voltaram para os jovens, por isso a literatura passa a ter mais visibilidade e importância, tendo ela mais qualidade e densidade. Por isso cabe ao leitor buscar mais sobre nossa rica e fantástica literatura infantil brasileira.                                     

Referência

26.9.17

Paulo Leminski
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         Curitibano, Paulo Leminski (1944-1989) foi um escritor brasileiro que se consagrou através de “Catatau”, também professor e tradutor.
            Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes, ingressa em um mosteiro aos 12 anos, onde começou seus estudos de: Latim; teologia; filosofia e literatura clássica. Em 1963, vai para Belo Horizonte após abandonar o Mosteiro, participa então da Semana Nacional da Poesia de Vanguarda, onde conhece os criadores da Poesia Concreta, tendo então um grande incentivo. Após isso em 1964 tem seu primeiro poema publicado em uma revista que passava pela edição do Concretistas, no mesmo período, consegue exercer a função de professor de história e de redação em cursinhos pré-vestibulares.
            Em 1976 publica seu primeiro sucesso, o romance Catatau, nessa época trabalhava como diretor e redator de publicidade, e publica seus textos em revistas alternativas.
            Paulo ficou famoso principalmente pelo seu jeito de escrever poesia, pois criou uma maneira única, onde brinca com trocadilhos ou ditados populares, usa muitas vezes de uma linguagem tida como chula. Além de seus poemas diferenciados, também escreveu a Biografia de Matsuô Bashô. Escreveu também letras de músicas, em parceria com grandes nomes como Caetano Veloso. Também exerceu grande atividade como crítico literário e tradutor, trazendo para o português grandes obras de nomes conhecidos como James Joyce entre outros.
             Em 7 de Junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática que já o acompanhara por anos, Paulo Leminski falece, deixando grandes obras para nossa literatura:


Catatau (1976)
Não Fosse Isso e Era Menos/Não Fosse Tanto/e Era Quase (1980)
Caprichos e Relaxos (1983)
Agora é Que São Elas (1984)
Anseios Crípticos (1986)
Distraídos Venceremos (1987)
Guerra Dentro da Gente (1988)
La Vie Em Close (1991)
Metamorfose (1994)
O Ex-Estranho (1996)

14.9.17

À poesia

Mensagem à Poesia
Vinicius de Moraes

Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.
Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

Vinicius de Moraes, o verdadeiro poeta brasileiro, tenta resistir à poesia. O poema acima foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 160.
Conheça a vida e a obra do autor em "Biografias".

5.9.17

Tarsila do Amaral

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Tarsila 
Em setembro comemora-se o 131º aniversário da pintora, desenhista e tradutora Tarsila do Amaral. Nascida a primeiro de setembro de 1886 no interior de São Paulo, filha de uma família abastada, recebeu educação condizente com os padrões da época, aprendeu a ler, escrever, bordar e estudara francês. Em meados da década de 1910, Tarsila foi casada, no entanto, o relacionamento durou pouco pelo fato de que ela desejava seguir sua carreira na arte, desafiando a convenção social de que como mulher, ela deveria somente cuidar de seu marido e do lar. Somente em 1922, ao entrar em contato com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e formar o “Grupo do Cinco”, que Tarsila aderiu ao movimento modernista. Posteriormente, depois de conhecer Pablo Picasso, a pintora incorporou em suas obras certa influência cubista, como a técnica de pintura lisa. Em 1928, depois de entrar na sua chamada “Fase Pau-Brasil”, a qual era repleta de temas e cores tropicais, Tarsila pintou seu quadro mais famoso, o “Abaporu”, que vem do indígena e equivale a “homem que come carne humana”
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Abaporu (1928)

 Entre 1931 e 1932, com a venda de algumas de suas obras, Tarsila fez uma viagem a então URSS, e após ficar sem dinheiro para voltar ao Brasil, foi obrigada a trabalhar como operária de construção, e também pintando paredes, momento crucial para seu trabalho como artista, dando forma à fase social de sua arte, como pode ser observado em “Operários”(1933). Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973 devido a depressão. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.
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Operários (1933)

31.8.17

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.

Contexto Histórico

Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíblicas. Muitos apresentam um tom pessimista. A maior parte das histórias se passa no Brasil do séc. XIX, sobretudo na segunda metade do século, de modo que os contos retratam bem o contexto sociocultural da época.

A Obra 


Várias histórias é uma coletânea de 16 contos. Segue-se o resumo das histórias.
“A cartomante” é sobre o triângulo amoroso envolvendo Vilela, Camilo e Rita. Vilela e Camilo são amigos. Vilela e Rita são casados. Rita e Camilo são amantes. Rita, certa vez, consulta uma cartomante sobre Camilo, a qual a alivia dizendo que Camilo a ama. Um dia, Camilo é intimado por Vilela a ir à casa do casal. Apesar do receio, vai. Por conta de um acidente, ele para em frente da casa da cartomante. Resolve então consultá-la. Ela diz que nada de mal acontecerá. Camilo chega à casa de Vilela, mas a previsão da cartomante se mostra equivocada: Rita está morta no chão, e Vilela o mata.
O segundo conto é “Entre santos”, em que um velho padre narra um milagre que viu anos atrás. Numa noite, cinco santos da igreja, vivificados, contam entre si as orações feitas pelos fiéis no dia. A principal narrativa é de S. Francisco de Sales: é sobre Sales, um avaro e usurário, cuja mulher está à beira da morte, e vai à igreja para pedir intercessão divina para ela. Por sua disposição de avaro e usurário, prefere prometer mil padre-nossos e mil ave-marias ao invés de gastar dinheiro com alguma outra promessa.
“Uns braços” é sobre a paixão juvenil de Inácio, um rapaz de quinze anos, por D. Severina, esposa de seu patrão, Borges. D. Severina acaba descobrindo a paixão do jovem, mas mantém o segredo. Num dia, estando ela sozinha com o rapaz, que dormia, dá um beijo nele. Mas ninguém descobre. No fim, Borges despede o rapaz.
“Um homem célebre” é a história de Pestana, compositor de polcas famoso nas redondezas. Suas polcas são tocadas por toda a cidade, mas o que ele mais quer é se equiparar aos grandes compositores, como Mozart. Pestana se casa com uma viúva cantora, e acredita que com a mulher conseguirá realizar seu sonho. Mas sua ambição de compor algo grande sempre fracassa.
Em “A desejada das gentes”, um conselheiro conta sua história de juventude com Quintília, a jovem mais bonita da cidade. Ela era muito bonita, atraindo muitos pretendentes, mas recusa todos. O conselheiro e Quintília se tornam íntimos amigos. Ela promete nunca se casar, mas acaba se casando com ele quando está à beira da morte.
“A causa secreta” é a história de Garcia, Fortunato e Maria Luísa. Garcia e Fortunato são amigos. Fortunato é casado com Maria Luísa. Fortunato funda uma casa de saúde, onde trabalha muito. Ele é sádico, fazendo, por ex., experimentos com animais. Garcia se apaixona por Maria Luíza, mas ela não trai seu marido.
“Trio em lá menor” é dividido em quatro partes como uma sonata. É a história de um trio: uma moça, Maria Regina, e seus dois pretendentes, Maciel e Miranda. Ela é apaixonada pelos dois, e os dois por ela, mas ela não se decide por um apenas; ao contrário, se mantém fantasiando um homem perfeito. No fim, ela acaba sozinha.
Em “Adão e Eva”, o juiz-de-fora Veloso conta uma história alternativa do Jardim do Éden. Segundo Veloso, o mundo é criação conjunta de Deus com o Tinhoso, tendo este começado a criar. O homem reúne instintos maus e a alma divina. Odiando Adão e Eva, o Tinhoso os tenta, por meio da serpente, para comer da árvore da ciência do bem e do mal. Adão e Eva rejeitam a tentação, e são levados para morar no céu.
Em “O enfermeiro”, Procópio conta sua história como enfermeiro do coronel Felisberto. O coronel era conhecido por sua crueldade e maus-tratos aos empregados. O coronel trata Procópio muito mal. Procópio acaba matando o coronel não propositalmente. Procópio sente remorso, mas ninguém descobre, e ele se torna herdeiro da fortuna de Felisberto, uma vez que o coronel o nomeara em seu testamento.
“O diplomático” é a história de Rangel, chamado de “o diplomático”, um quarentão solteiro que anseia por se casar. Numa comemoração de S. João, ele tem interesse por Joaninha, filha do dono da casa. Mas chega inesperadamente um rapaz, Queirós, que atrai a atenção de todos, inclusive de Joaninha. Isso frustra Rangel. Joaninha fica interessada por Queirós, e Rangel a perde para ele.
Em “Mariana”, Evaristo volta, depois de vários anos, da França para o Brasil, ao saber do fim da monarquia. Ele decide rever Mariana, seu amor de juventude, esperando que ela ainda o ame. Mas ele descobre que Mariana o não ama mais. Ela se casou, e ama seu marido, Xavier, que se encontra então à beira da morte. Ele volta à França.
Em “Conto de escola”, o menino Pilar recebe de Raimundo, filho do professor, uma moeda de prata para ajudá-lo nas matérias. No entanto, seu colega, Curvelo, dedura-os para o professor, e ambos, Pilar e Raimundo, são castigados.
“Um apólogo” é o conto de um novelo de linha e de uma agulha da costureira de uma baronesa, que discutem sobre quem é mais importante na costura. A agulha se vangloria por ir à frente enquanto a costureira trabalha. Mas, no fim, é a linha que vai à festa na roupa da baronesa, enquanto a agulha serve só para abrir caminho para a linha.
Em “D. Paula”, Venancinha e Conrado, casados, brigam por conta do envolvimento de Venancinha com o filho de Vasco Maria Portela. A tia do casal, D. Paula, intercede para conciliá-los. D. Paula descobre que o Vasco pai é o mesmo com que se envolveu na juventude, e, enquanto aconselha a sobrinha, relembra o passado.
“Viver!” é a história de Ahasverus, o último homem. Ahasverus foi condenado a vagar eternamente pelo mundo por ter injuriado Jesus, quando Ele passava por sua casa para ser crucificado. Ahasverus odeia a vida por ver tanto sofrimento, mas encontra Prometeu, que o convence de que o mundo tem sua face boa e que haverá um novo mundo, em que Ahasverus será o rei. Todavia, tudo não passa de delírios de Ahasverus.

Em “O cônego ou Metafísica do estilo”, um cônego tenta escrever um sermão. Enquanto isso, o narrador expõe a “metafísica do estilo”: segundo ele, todas as palavras têm sexo, sendo os substantivos masculinos, e os adjetivos, femininos. Eles se amam, e sua união forma um dado estilo. A busca por inspiração, que o cônego faz durante uma pausa, é vista como um mergulho na inconsciência, sendo seu conteúdo os obstáculos para a união dos casais de palavras.

RESUMO DA OBRA LUZIA-HOMEM, DOMINGOS OLÍMPIO


 
Contexto histórico:
 "Luzia-Homem" é uma obra publicada em 1903, que é considerada um clássico, enquadrada no gênero "Ciclo das Secas", da Literatura Nordestina. Ela narra à triste história do sertão nordestino nos anos de 1877, que viveu mais uma terrível seca, que devastava o gado, trazia escassez nos alimentos, entre outros. “Aproveitando” esse quadro de seca, Domingos soube ver bem os problemas de ordem social e humana surgidos entre os retirantes. Pois se mostrou tocado pela dolorosa miséria e sofrimento que assolava o sertão.

Sobre o autor:
DOMINGOS OLÍMPIO BRAGA CAVALCANTI ou Pojucan, um de seus pseudônimos, é cearense de Sobral. Nasceu em 18 de setembro de 1851 e faleceu em 06 e outubro de 1906, no Rio de Janeiro. Deixou diversos trabalhos, entre romances e peças, a maioria inédita em livro, além de ter trabalhado também como advogadodiplomatajornalista e parlamentar. É patrono da oitava cadeira da Academia Cearense de Letras. Apresentou candidatura para a Academia Brasileira de Letras, mas foi derrotado pelo poeta Mário de Alencar, filho do romancista cearense José de Alencar, tendo contado apenas com o apoio de Olavo Bilac, que faria um elogioso necrológio de Domingos Olímpio.

Resumo:
       A obra trás uma mescla entre a descrição da miséria, os dias de trabalho dos retirantes e a vida de Luzia, conhecida por Luzia-Homem, denominada assim, por sua grande desenvoltura no trabalho braçal. No entanto todas as atenções estão voltadas para a personagem central, Luzia-Homem, uma retirante que, em busca de sobrevivência, sai da cidade de Ipu na companhia de sua mãe doente.”. “Luzia encontra em Sobral abrigo e emprego na construção da cadeia pública, mas pressentia um perigo iminente, pois era perseguida pelo soldado Crapiúna, o qual nutria uma obsessão pela moça e queria-a possuir a qualquer custo”. “Luzia encontra em Sobral, abrigo e fáceis meios de subsistência; mas pressentia iminente perigo do capricho ou paixão brutal de Crapiúna” (Luzia-Homem, 1984, p. 15). O decorrer da história vai trabalhar com um triângulo amoroso, entre Luzia, Crapiúna e Alexandre, o último, seu fiel escudeiro. “[...] Alexandre, o amigo dedicado e afetuoso, que se lhe deparara entre a multidão de desconhecidos e indiferentes, moço de maneiras brandas, muito paciente, muito carinhoso, com a tia Zefa (mãe de Luzia), passando serões, noites em claro junto dela e da filha, num recato de adoração muda e casta [...]” (Luzia-Homem, 1984, p.8). “O escritor busca deixar claro que Luzia gosta de Alexandre, mas ela não admite a afeição que sente por ele. Alexandre acaba indo para a prisão por roubar o empório do qual fazia a segurança. Com isso, Luzia começa a visitá-lo na prisão e Teresinha, uma moça que tinha fugido da família e se prostituído, passa a cuidar da mãe de Luzia, que ficara doente. Ao final do romance, Teresinha, ao ver Crapiúna abrindo uma bolsa com a quantidade de dinheiro roubada do armazém, descobre que o responsável pelo assalto foi Crapiúna e conta para Luzia. Crapiúna é preso e jura vingança. Alexandre é absolvido. Livre, Alexandre propõe a Luzia que partam para viver na serra com sua mãe e os familiares de Teresinha. A mulher aceita e Alexandre parte no outro dia junto à família de Teresinha para procurar moradia. Porém, Luzia, Teresinha, a mãe de Luzia (D. Josefina), Raulino e outros homens combinam de ir na tarde do próximo dia. Teresinha parte para a serra acompanhada pelos homens, que carregavam D. Josefina, e por Luzia, que ia atrás. Chegando à serra, um dos homens indica um caminho mais fácil à Luzia, pois seguiriam pela estrada com D. Josefina. Para se guiar, Luzia seguiu as pegadas secas que Teresinha deixara no barro. Após chegar a um rio, Luzia depara-se com Crapiúna segurando Teresinha pelos braços. Ele avança na direção de Luzia, mas a mulher se defende com unhadas em seu rosto. Porém, o homem crava uma faca no peito de Luzia e desaparece pelo desfiladeiro. Raulino chega e vê o desespero de Teresinha. Ao olhar para Luzia no chão, percebe que a mulher está morta.”.“A importância desse romance reside no fato de ser ele um dos grandes romances regionais de um estilo de época que floresceu na segunda metade do século XIX: O naturalismo. Estilo marcado pela objetividade, concepção de amor baseado na atração sexual, com ênfase nas características negativas das personagens, o Naturalismo legou-nos romances em que é possível perceber a grande influência de Darwin e A Origem das Espécies: o meio ambiente condiciona todos os seres, deixando sobreviver apenas os mais fortes. Por isso, a natureza de todos os seres, inclusive a do homem, seria determinada por circunstâncias externas. A vida interior é reduzida a nada.
Em Luzia-Homem, tais pressupostos são nítidos, basta que o leitor observe a caracterização e trajetória das personagens. Luzia, por exemplo, está fadada a sucumbir, pois num jogo de forças com o vilão, de nada valeu sua força física, assim como não valeram seus bons sentimentos e até a doçura de alma escondida atrás de tantos músculos. Tornou-se, portanto, vítima da fatalidade das leis naturais, que a impediam de ter outro destino. A morte como desfecho vem coroar esse determinismo, pois é a única saída possível para a personagem. Não há a menor possibilidade, nos romances desse estilo, de ocorrer um acaso ou ‘‘milagre’’, comuns em romances românticos, em favor da personagem.
Referências

30.8.17

RESUMO DA OBRA "QUARTO DE DESPEJO", DE CAROLINA MARIA DE JESUS

Contexto histórico:
Carolina Maria de Jesus escreveu os diários que compõem a obra entre 1955 e 1960, quando foi finalmente editado e publicado pelo repórter Audálio Dantas, que havia sido encarregado de escrever uma matéria sobre a crescente favela ao redor do Rio Tietê, o Canindé, e acabou por encontrar a escritora e também catadora de papel. Os textos foram produzidos sob o governo de Juscelino Kubitschek, o espírito de “50 anos em 5”, a construção de Brasília e inúmeras outras obras simbolizavam a expansão e crescimento da infraestrutura do Brasil, no entanto, assim como o país se desenvolvia, mais e mais pessoas eram marginalizadas e aglutinadas em favelas sob condições miseráveis, vide o Canindé, lar de Carolina Maria de Jesus e os sofrimentos que relata em seus cadernos.

Resumo da obra:
Quarto de despejo (1960) consiste de um compilado de diários editados por Audálio Dantas, escritos por Carolina Maria de Jesus de maneira intermitente ao longo de 5 anos (entre 1955-1960). Carolina criou sozinha 3 filhos: João José, José Carlos e Vera Eunice na favela do Canindé trabalhando como catadora de papel, e vendendo materiais recicláveis, apesar de ter estudado apenas 2 anos, ela prezava muito pela educação dos filhos e os fazia ir à escola mesmo com medo da violência da favela. Nunca foi casada por escolha, ela retrata dois envolvimentos amorosos (Manoel e Raimundo), não fica com nenhum pois afirmava que conseguia sustentar os filhos sem precisar de homem nenhum. Outro traço sempre presente nos diários é a fome, Carolina muitas vezes sente-se doente e fraca devido à pobre alimentação, ou às vezes nenhuma; fome que deixa o mundo triste e amarelo, segundo a escritora. O leitor se sente tocado ao ver a angústia de Carolina por não conseguir juntar dinheiro o suficiente para comprar comida para alimentar os filhos, e emociona-se igualmente ao ler sobre a felicidade estampada no rosto das crianças quando a mãe conseguia comprar arroz, feijão e carne. Em momentos de maior dificuldade, quando não havia dinheiro algum, a família comia restos encontrados no lixão. Além de seus próprios sofrimentos, Carolina escreve sobre a realidade na favela, ela toca em assuntos presente no seu cotidiano, como a violência doméstica, muitas vezes causada pelo alcoolismo, e brigas entre vizinhos. A escritora, como sempre foi contra todo tipo de violência sempre chamando a polícia era chamada pelos vizinhos de intrometida. Carolina Maria de Jesus, preocupava-se com a situação político- social do país, falando em nome de todos os marginalizados do país, seus diários são a melhor descrição de realidade das favelas brasileiras da época (ou até mesmo das atuais). Após a publicação de Quarto de despejo (1960), que foi traduzido para 13 línguas, Carolina mudou-se para uma casa no subúrbio, e se por um lado Carolina conquistou o apreço dos leitores com sua escrita ora coloquial, ora rebuscada, conquistou também o desprezo de seus vizinhos do Canindé por escrever “coisas ruins” sobre eles.

RESUMO DA OBRA "TODA POESIA", DE PAULO LEMINSKI


No Livro Toda Poesia é possível encontrar tudo que foi escrito e publicado por Leminski. O texto é curto, mas possui muita profundidade naquelas palavras. Caminhar pelas páginas do livro é viajar pelos sentimentos que perpassam cada poesia. Deparamos com temas sobre o amor, a vida, alegrias, medos, tristezas são assuntos que permeiam o cotidiano de cada um. Quem é Paulo Leminski?
Poeta, escritor, crítico literário, letrista. Sua poesia deixou marcas, porque ele inventou uma maneira própria de escrever (trocadilhos, brincadeiras, ditados populares e influência do haicai), como também se utiliza muito das gírias, palavrões de uma forma bem interessante. Paulo Leminski Filho nasceu em 24 de Agosto de 1944. Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Ingressa aos 12 anos no Mosteiro de São Bento (SP) e aprende latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Entretanto em 1963, abandona a vocação religiosa. Participa da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, no mesmo ano. Nessa semana conhece Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos – criadores do movimento Poesia Concreta. Paulo Leminski faleceu em Curitiba em 7 de junho de 1989.

Em sua trajetória, Leminski aproxima-se de Augusto de Campos. Essa aproximação rende a participação na Revista Invenção, onde publicará seus primeiros poemas. A influência do Concretismo pode é perceptível na sua disposição poética para o humor, pois entre os elementos do movimento é o exercício de (des) montagem de palavras sobre o papel que coloca em jogo as relações sintáticas e semânticas. Esses traços, do concretismo, na poesia leminskiana traz a eminência do rigor formal, da estrutura que acarreta a construção do poeta crítico.

Leminski recebe influencias dos poetas modernas como Mallarmé, Rimbaud e vários outros que vivenciaram posturas de ruptura, além de que o poeta é formado em um contexto de contracultura. A linha do poeta está voltada para a poética da resistência, da negação da modernidade. Essa resistência mostra um elemento que segue para o espírito das vanguardas (concretismo). Podemos citar as posturas marginais que encontramos em suas poesias, foi absorvido entre os concretos e equilibrados com o seu despojamento contracultural. Toda Poesia é a coletânea completa das poesias que fogem dos clássicos que sempre vemos nas escolas, no dia a dia.

29.8.17

RESUMO DA OBRA "CONTOS DA MONTANHA", DE MIGUEL TORGA.

SOBRE O AUTOR: Escritor português natural, de São Martinho de Anta, Vila Real. Proveniente de uma família humilde teve uma infância rural dura, que lhe proporcionou conhecer a realidade do campo, feita de árduo trabalho contínuo. Após uma breve passagem pelo seminário de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde durante cinco anos trabalhou na fazenda de um tio, em Minas Gerais, como capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profissão de médico em São Martinho de Anta e em outras localidades do país, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941. Miguel Torga era ligado inicialmente ao grupo da revista Presença.
CONTEXTO HISTÓRICO: 
Miguel Torga faz parte do Presencismo, movimento literário de grande relevância. O Presencismo, também conhecido como a segunda fase do modernismo português, teve início no ano de 1927 com a publicação da Revista Presença: Folha de Arte e Crítica. Revista Presença reuniu aqueles que não participaram do Orfismo em virtude de divergências estéticas. Ao contrário do Orfismo, que tinha como objetivo apresentar uma poesia que rompesse com os padrões literários vigentes, chocando e provocando a crítica e público, sobretudo a burguesia, o Presencismo tinha como ideal interrogar o sentido da existência humana.

RESUMO DA OBRA: 
Contos da Montanha remete o leitor para um espaço situado no interior, composto por 23 contos, neste livro Miguel Torga apresenta aos seus leitores textos que representam descrições do comportamento humano, das suas emoções e dos seus sentimentos. O leitor da obra deve voltar sua atenção para o que existe de comum nos 23 contos, que está altamente voltado para as ações humanas, pois, Miguel Torga traz fortes traços do humanismo em suas obras, dentro dos contos as pessoas são heróis e sobreviventes da suas vidas de miséria, de fome e de sofrimentos.

Os 23 contos são: A Maria Lionça; Um roubo; Amor; Homens de Vilarinho; O Cavaquinho; A ressurreição; Um filho; A promessa; Maio moço; O bruxedo; A paga; Inimigas; Solidão; A ladainha; O vinho; O lugar de sacristão; Justiça; A vindima; Um coração desassossegado; A revelação; O desamparo de S. Frutuoso; O castigo; O pé tolo.
Vejamos resumidamente três dos vinte e três contos:
"A Maria Lionça"
Maria Lionça é a personagem principal deste conto. Maria é uma mulher respeitada, amada, pobre, bonita, forte. Ela viveu em Galafura durante setenta anos onde encontrou o amor da sua vida, Lourenço Ruivo, com quem se casa e tem um filho, Pedro. Lourenço acaba lhe provocando um grande desgosto de amor, pois Ruivo foge para o Brasil sem dar noticias. Quinze anos depois ela acaba o perdoando quando ele volta à terra muito doente, onde morre passado pouco tempo, Maria fica de novo sozinha cuidando do filho, que também acaba adoecendo e por consequência morre nos braços da mãe e ela morre também ao final do conto, depois de uma vida dedicada a ajudar os outros.

”O cavaquinho”
É narrada a história de uma família muito pobre que vivia num casebre a "três léguas" de Vilela, onde o pai, chefe de família, promete uma prenda de Natal ao filho de 10 anos, pelo seu bom desempenho no primeiro exame da escola. A criança estava entusiasmada e bastante curiosa em saber o que iria receber, uma vez que já conhecia os fracos rendimentos dos pais e aquela situação, o fato de poder receber algo novo e "gratuito", deixava-o fascinado. Porém, na noite em que, supostamente, iria descobrir o que seria a sua recompensa, recebe a triste noticia de que o pai falecera com uma facada, perto de um cavaquinho que lhe trazia. Um conto que começa por uma notícia boa (o exame do filho e promessa da oferta de uma prenda) e termina com a morte do pai, de forma dramática.

“Homens de Vilarinho”
Neste conto Torga conta a história de Firmo, personagem cuja principal marca é a infidelidade à terra natal. Nem o fato de ter mulher e filhos a zelar o prendia ao território. Aliás, as suas visitas a Vilarinho duravam pouquíssimo tempo. Foram inúmeras as tentativas do padre João, pároco do povoado, para convencê-lo da necessidade de corrigir-se, mas o “desejo de mundos” que tinha Firmo, não o permitia ficar. Por possuir esse caráter, Firmo é caracterizado no conto como aquele que “desorientava Vilarinho”. Por não cultivar o sentimento de pertença à terra nem à casa, de maneira mais específica, o seu lugar na narrativa é a de um desordenado, um desertor.

REFERÊNCIAS:
TORGA, Miguel. Contos da montanha. 9. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1999. 214p. (Biblioteca de bolso)

27.8.17

RESUMO DA OBRA "VIAGEM NO ESPELHO", DE HELENA KOLODY

Autora: A poeta Helena Kolody, filha de imigrantes ucranianos, é um dos nomes mais expressivos da poesia contemporânea paranaense. Nascida no dia 12 de outubro de 1912, com apenas 16 anos seu primeiro poema fora publicado, intitulado "A Lágrima". Com 20 anos de idade Helena iniciou a carreira de professora.
Seu primeiro livro publicado, “Paisagem Interior”, foi dedicado a seu pai, em sequência foram publicados: "Música Submersa", "A Sombra do Rio", "Vida Breve", "Era Espacial" e "Trilha Sonora", "Tempo", "Correnteza", "Infinito Presente", "Sempre Palavra", "Poesia Mínima", "Viagem no Espelho", "Ontem Agora" e "Reika". Nas primeiras obras percebe-se que a poeta vai se encaminhando cada vez mais para a poesia íntima, confessional e auto indagadora em que predomina o subjetivismo, a introspecção e o mergulho no mundo interior.
Entretanto, em suas obras posteriores, nota-se que aos poucos seus poemas vão se tornando sintéticos, condensados. Vale destacar que já em sua primeira obra são publicados três haicais: “Prisão”, “Arco-Íris” e “Felicidade”. O haicai é uma forma de poesia japonesa, caracterizado por seus pequenos poemas de três versos, com cinco, sete, e cinco sílabas poéticas sucessivamente. Conhecida como grande poetisa, que conciliava perfeitamente a experiência da subjetividade com a objetividade, faleceu em 2004 aos 92 anos de idade.
Obra: “Viagem no Espelho” é uma antologia da poetisa Helena Kolody, reunindo livros publicados pela autora, de 1941 a 1986. Essa produção literária é considerada uma viagem ao contrário, como se fosse um espelho, pois os poemas aparecem em ordem inversa, iniciando-se pelos mais recentes até chegar aos primeiros. Justificando assim o título da obra, que representa a poesia breve, portanto, nela predominam os poemas curtos.
Simpatizante do haicai, Helena tem o poder de transformar sua sabedoria de vida em poemas belíssimos, ainda que seus temas possam ser densos e trágicos. O “eu lírico” em viagem no espelho vê a vida como um mistério e o simples fato de existir o fascina. A concentração verbal dos haicais kolodyanos trabalha com muito lirismo e apresenta uma sonoridade rítmica que é marcada pelo processo de elaboração criativa e lúdica. Os poemas de Reika exploram a metapoesia, ou seja, o poema diante de si mesmo. Kolody, como poetiza vigorosa, concilia perfeitamente subjetividade e objetividade, emoção e razão, com poemas densos de significado, numa atualização constante em relação à modernidade.
Nessa obra, seus poemas são sugestivos e cheios de imaginação, intelectuais e emotivos, sintetizados e modernos, marcados por uma procura semântica inventiva de múltiplos sentidos. Percebemos a presença eminente de sentimentos de fugacidade, transitoriedade, temporalidade, mutabilidade, esperança e procura. Cada livro com
características próprias, formando um todo cheio de significados. A linguagem é bastante metafórica e simbólica. Possui um transcendentalismo, um forte sentimento de humildade e reconhecimento de um atavismo ancestral.
O temperamento da autora ao escrever, oscila entre soltar-se e reprimir-se. Seus pensamentos de natureza selvagem embatem com a religião e a opressão de sua época, em um desejo constante de liberdade. Aqui ela fala de amor e paixão por meio de um “eu lírico” sentimental. Os poemas são longos e predominantes da forma clássica dos versos regulares. Há também uma forte conexão sanguínea e espiritual com sua pátria de origem (Ucrânia), ela eleva a história do seu povo e vemos o tema da migração definida pelo “eu lírico” como uma luta dolorosa. Portanto, essa obra é indicada para aqueles que queiram obter a coletânea em apenas um volume, e explorar o mundo da poetisa paranaense de uma forma única.

25.8.17

RESUMO DA OBRA "LAÇOS DE FAMÍLIA", DE CLARICE LISPECTOR


Contexto social e histórico: O ano de 1945 marca o fim da Segunda Guerra Mundial e mostra o mundo que sobreviveu a Hitler e aos campos de concentração, à bomba atômica de Hiroshima e a todos os horrores da guerra. No Brasil, o ano de 1945 marca o fim do Estado Novo de Getúlio Vargas e o início de certa experiência democrática que terminaria bruscamente em 1º de abril de 1964.

Estilo literário da época: Modernismo. A prosa de ficção da terceira fase do Modernismo brasileiro, sobretudo a de Guimarães Rosa e a de Clarice Lispector, é o exemplo melhor do uso da linguagem como instrumento para captar o universo humano e sugerir a amplitude de sua dimensão, apresentando o corpo humano e a natureza.

Sobre a obra: Laços de família é uma coletânea, publicada em 1960 que traz histórias da classe média carioca, mais ou menos na década de 50. É um livro constituído de 13 contos, e eles se interligam através de uma temática comum a quase todos: o desentendimento familiar.

Os contos que compõe a obra são:

· Devaneio e Embriaguez duma Rapariga;

· Amor;

· Uma Galinha;

· A Imitação da Rosa;

· Feliz Aniversário;

· A Menor Mulher do Mundo;

· O Jantar;

· Preciosidade;

· Os Laços de Família;

· Começos de uma Fortuna;

· Mistérios em São Cristóvão;

· O Crime do Professor de Matemática;

· O Búfalo.

Sobre a autora: Clarice Lispector, nasceu na Ucrânia em 1920, mas veio para o Brasil quando ainda era criança, a família, que era judia, estava fugindo da perseguição religiosa. Em 1925 muda-se com a família para a cidade do Recife onde Clarice passa sua infância no Bairro da Boa Vista. Aprendeu a ler e escrever muito nova. Com 19 anos publica seu primeiro conto "Triunfo" no semanário Pan. Em 1943 forma-se em Direito e casa-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Em novembro de 1977 soube que sofria de câncer generalizado. Clarice Lispector morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977.

24.8.17

RESUMO DA OBRA "PONCIÁ VICÊNCIO", DE CONCEIÇÃO EVARISTO


A escritora Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte, em 1946, numa favela no alto da Avenida Afonso Pena, como era uma área valorizada da capital, a população que lá vivia foi removida para outros bairros da cidade e da área metropolitana, para que novos prédios e ruas fossem construídos na região. Conceição carrega nas memórias acontecimentos e pessoas do seu tempo de infância, algumas vezes, participam de suas narrativas. Dona Joana, sua mãe, teve nove filhos, era doméstica e lavava roupas para fora, mesmo assim, encontrava tempo para lhes contar histórias que também fazem parte do acervo de Conceição Evaristo, que se diz nascida cercada delas. Enquanto estudava, a autora trabalhou de doméstica na capital mineira. Em 1971, formou-se professora no antigo curso Normal e depois se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi aprovada em um concurso municipal para magistério e, posteriormente, no curso de Letras na Universidade Federal daquele Estado. Conceição Evaristo é uma das principais escritoras da literatura Brasileira e Afro-brasileira atualmente, em sua literatura traz importantes reflexões sobre as questões de raça e de gênero, com o propósito de revelar a desigualdade e de recuperar uma memória sofrida da população afro-brasileira em toda sua riqueza e potencialidade. A obra Ponciá Vicêncio é o primeiro romance de Conceição Evaristo. Nela são narrados problemas do cotidiano das mulheres afrodescendentes sob um ponto de vista claramente feminino e negro.

RESUMO: A obra narra a trajetória de Ponciá Vicêncio, uma mulher negra, desde sua infância até a idade adulta. Ponciá mora com a mãe, Maria Vicêncio, na Vila Vicêncio, no interior do Brasil, onde vive numa população de descendentes de escravos. Seu pai e seu irmão trabalham no cultivo da lavoura da família Vicêncio, que é proprietária das terras onde todos moram e trabalham, ademais são donos do sobrenome dos habitantes da vila, como a família de Ponciá. A narrativa feita em flashbacks, descreve a infância da menina na vila junto da mãe e do artesanato com o barro que elas fazem. Narrado em terceira pessoa, somos levados ao íntimo dos personagens, assim, conhecemos a felicidade da menina Ponciá, que brincava de passar por debaixo do arco-íris com medo de mudar de sexo, segundo uma crendice popular, era diferente desde a infância, principalmente pela semelhança física com o avô Vicêncio. Este, quando escravo, teve um momento de loucura e grande indignação com a escravidão, mata a esposa e tenta o suicídio se mutilando, corta o próprio braço, esse braço cotó que desde pequena Ponciá imita, apesar de quando o avô faleceu, apenas era uma criança de colo, ela modela um boneco de barro idêntico a ele, que deixa mãe espantada e por esse motivo todos dizem que ela carrega a herança do avô. Depois de perder o pai, Ponciá parte para a cidade grande em busca de uma vida melhor, viaja de trem e ao chegar à cidade sem ter para onde ir, passa uma noite na porta da Igreja e consegue um emprego de doméstica. Durante o tempo que junta dinheiro para compra um barraco e trazer a mãe e o irmão para morar com ela na cidade, seu irmão Luandi decide migrar para a cidade grande, deixando sua mãe triste. Ao chegar na cidade, o rapaz arruma emprego de faxineiro na delegacia, com a ajuda do soldado Nestor, negro que conheceu ao chegar na estação de trem e serve de inspiração para Luandi, que sonha em ser soldado. A mãe, Maria Vicêncio, sozinha na casa, decide viajar pelas vilas sem rumo até que chegue a hora de encontrar os filhos. Nisso, Ponciá volta à vila buscar sua mãe e o seu irmão, mas não entra ninguém, apenas o boneco de barro do avô guardado no fundo de um baú, ao visitar Nêngua Kainda, descobre que encontrará a mãe e o irmão e cumprirá a herança. Ao retornar à cidade, ela se junta a um homem que conhece na favela, no início apaixonada, mas depois sofre agressões físicas, causadas pelo seu estado de apatia, que deu pelas perdas sofridas: a ausência dos familiares e os sete abortos. Enquanto isso, Luandi aprende a ler e escrever, ficando cada vez mais próximo de realizar o sonho de ser soldado. Conhece Bilisa, uma mulher negra, que veio para a cidade em busca de uma vida melhor, mas ao ser roubada na casa onde trabalhava, torna-se prostituta, os dois se apaixonam e fazem planos. No entanto, ela é assassinada brutalmente por Negro Climério, fato que interrompe os planos do casal. Anteriormente, Luandi empresta uma farda do soldado Nestor e retorna à vila para encontrar a mãe, mas não encontra ninguém, apenas uma pista: o sumiço do boneco do avô. Ele deixa seu endereço com Nêngua Kainda para que esta o entregue à mãe e retorna à cidade. Sua mãe, vai ao encontro dele na cidade grande, ao chegar na estação de trem, encontra um soldado e entrega o bilhete com o endereço do filho, o soldado era Nestor, que leva ela até a delegacia onde está Luandi. Na favela, Ponciá, delira com saudades do barro, decide retornar à cidade natal, e na estação de trem reencontra a família e retornam juntos para a Vila Vicêncio, onde Ponciá faz o cumprimento de sua herança ancestral, junto do rio, do arco-íris e do barro.

Referências

ARRUDA, Aline Alves. Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo: um Bildungsroman
feminino e negro. 2007. 106f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de
Minas Gerais, Belo Horizonte.

23.8.17

RESUMO DA OBRA "RELATO DE UM CERTO ORIENTE", DE MILTON HATOUM


Relato de um certo Oriente, de 1989, é um relato composto de outros relatos distribuídos em oito capítulos, os quais se assemelham ou resgatam a forma oral do narrar, em que uma história é evocada para completar outras à medida que é um ou outro narrador quem detém a posse de certa informação que vai esclarecer uma outra apontada anteriormente ou outra que ainda virá.
A trama se passa numa cidade marcada pelo hibridismo cultural e atravessada pelas idéias de fronteira e trânsito: Manaus, uma capital que se separa da floresta pelas águas fluviais e se situa num estado que faz divisa com três outros países. No livro também estão presentes a diversidade de costumes, línguas, e a convivência entre indivíduos de diferentes nacionalidades.
Uma mulher visita a cidade de sua infância depois de ter passado quase 20 anos fora, e a partir dos acontecimentos que se desenrolam após sua chegada, ela vai relembrando e descobrindo histórias do seu passado e da família que a criou. Ao retornar a Manaus, após ter permanecido internada em uma clínica de repouso em São Paulo, a narradora chega justamente na noite que precede o dia da morte de Emilie, sua mãe adotiva.
Inicia-se, então, um outro trabalho, o de recuperar Emelie através da memória, não apenas a sua, mas também a de outros personagens que entrelaçaram seu percurso de forma significativa ao daquela família: o filho mais velho, o único a aprender o árabe e que também irá se distanciar de todos, ao mudar-se para o sul; o alemão Dorner, amigo da família e fotógrafo; o marido de Emelie, recuperado, mesmo depois de morto, através da memória de Dorner, e Hindié Conceição, amiga sempre presente, a partilhar com a conterrânea a solidão da velhice. Muitas vozes a compor um mosaico, nem sempre ordenado, nem sempre claro naquilo que revela, mas sobretudo rico em pequenos detalhes de extrema significação.
No intuito de enviar uma carta ao irmão, que se encontra em Barcelona, a fim de lhe revelar a morte de Emilie, acaba escrevendo um relato com depoimento de membros da família e de amigos, conforme o irmão lhe pedira na última correspondência que lhe enviara. Esses testemunhos proporcionam uma verdadeira viagem à memória, com regresso à infância e aos fatos marcantes da vida familiar.
Logo no primeiro capítulo, a narradora nos descreve uma parte da casa na qual acabara de acordar, em Manaus. A descrição das duas salas contíguas é repleta de marcas identificatórias do Oriente, indicando uma representação estilizada desse território: tapete de Isfahan, elefante indiano e reproduções de ideogramas chineses são alguns dos objetos de consumo dos ocidentais, tomados como símbolos, que estão presentes nos cômodos.
As histórias falam das possibilidades e das dificuldades do trabalho com a memória, das tensões e da convivência de culturas, religiões, línguas, lugares, sentimentos e sentidos diferentes das personagens em relação ao mundo. A casa de Emilie, matriarca da família na narrativa do Relato, é um microcosmo onde estas tensões aparecem e são vividas cotidianamente.O que mantêm a tensão no romance é a narrativa centrada em incidentes – o atropelamento de Soraya Ângela, o afogamento de Emir.
A obra, em sua estrutura e estratégia de composição, parece transitar e oscilar entre a narração, em que a figura do narrador é extremamente importante e o relato é feito principalmente com base nas tradições orais, como uma tentativa de rememoração das experiências coletivas do passado, e o romance, que apareceria como um gênero literário decorrente das transformações da sociedade capitalista, que destrói cada vez mais a possibilidade que a experiência comum viva e se revele no relato dos narradores.

 
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