23.5.17

Trem de Ferro, de Manuel Bandeira

O poeta Manuel Bandeira (1881-1968) nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Publicou seu primeiro livro "A Cinza das Horas", de nítida influencia Parnasiana e Simbolista, no ano de 1917.  Em 1938, é nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II. Em 1940 foi eleito para Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº24. Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968.
O poema "Trem de Ferro" foi escrito por Bandeira na década de 1930. O poema é muito conhecido, principalmente, pelas crianças, no entanto, parece que não foi escrito apenas para criança, apesar da linguagem de fácil compreensão, ele nos instiga a buscar a criança que mora dentro de nós, conduzindo-nos a uma viagem de trem. A linguagem coloquial é muito marcante no poema, tomemos como exemplo as palavras: "prendero", "canaviá", "matá", "mimbora". O uso desse tipo de linguagem valoriza a cultura nacional
Os versos fazem-nos acompanhar o andar do três, por exemplo: "Café com pão/ Café com pão/ Café com pão Virgem Maria que foi isto maquinista?". Ao lermos esse poema, temos uma imagem acústica que cria o som de um trem. O trem naquela época era muito utilizado, era o principal meio de transporte da agricultura, essencial para nossa economia. Além disso, temos aqui versos tetrassílabos, e pressupõem uma velocidade linear, e correspondente ao início de uma viagem. Nos versos seguintes, temos as palavras "muita força", que se repetem em três versos, e possuem três sílabas poéticas - Mui (1ª) / ta (2ª) / For (3ª) ça (não conta, pois é pós-tônica), o que dá a entender que o trem começa a andar mais rápido.
Neste poema, percebemos a influência do Modernismo, pois há o rompimento com as normas poéticas, versos livres e com menos rimas. Há uma buscar pela cultura popular, principalmente a nordestina. Aqui podemos citar uma cantiga antiga folclórica nordestina, denominada "Trem de Ferro": “O trem de ferro quando sai de Pernambuco vai fazendo vuco-vuco até chegar no Ceará Rebola pai, rebola mãe, rebola filha eu também sou da família também quero rebolá".
Por fim, notamos a melancolia do eu-lírico ao mencionar a saudades de sua terra e versos trissílabos continuam dando a ideia de velocidade e continuidade para a viagem, já que o poema termina com reticências.

Referências

BANDEIRA, Manuel. Bandeira de bolso: uma antologia poética. Organização e apresentação de Mara Jardim. Porto Alegre: L&PM, 2015



https://www.ebiografia.com/manuel_bandeira/

16.5.17

RONALD DE CARVALHO


Ronald de Carvalho nasceu 16 de maio de 1893 no Rio de janeiro e faleceu dia 15 de fevereiro de 1935. Poeta, ensaísta e memorialista. Filho do engenheiro naval Artur Augusto de Carvalho, integrante da Revolta da Armada, 1893 a 1894, que é fuzilado pelas forças legalistas do governo Floriano Peixoto. Criado e instruído pelo avô até 1899, conclui os estudos primários e secundários aos 14 anos. Nesse período, ingressa na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, e inicia a carreira de jornalista, colaborando com a revista A Época e o Diário de Notícias.
Publicou seu primeiro, Luz gloriosa (1913) que revela influencia de Verlaine e Baudelaire, e ingressou na carreira diplomática (1914), estabelecendo-se em Lisboa, Portugal. Continuou conciliando a atividade literária com a diplomacia, publicou mais poemas, de forte cunho simbolista.

Interior


Poeta dos trópicos, tua sala de jantar
é simples e modesta como um tranqüilo pomar;

 
no aquário transparente, cheio de água limosa,
nadam peixes vermelhos, dourados e cor de rosa;

 
entra pelas verdes venezianas uma poeira luminosa,
uma poeira de sol, trêmula e silenciosa,

 
uma poeira de luz que aumenta a solidão.

 
Abre a tua janela de par em par. Lá fora, sob o céu de verão,
Todas as árvores estão cantando! Cada folha
é um pássaro, cada folha é uma cigarra, cada folha é um som...
O ar das chácaras cheira a capim melado,
a ervas pisadas, a baunilha, a mato quente e abafado.

 
Poeta dos trópicos,
dá-me no teu copo de vidro colorido um gole d’água.
(Como é linda a paisagem no cristal de um copo d’água!)


Publicado no livro Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922).
In: CARVALHO, Ronald de. Poesia e prosa. Org. Peregrino Júnior. 2.ed. Rio de Janeiro: Agir, 1977. (Nossos clássicos, 45). p.34.
 
 

11.5.17

Talentos do Paraná



Buscando enaltecer os talentos paranaenses, falemos um pouco sobre o escritor Domingos Pellegrini Junior.


       Domingos nasceu no dia 23 de julho de 1949, na cidade de Londrina onde vive até hoje. Escritor paranaense, formado em letras lançou seu primeiro livro em 1977, uma coletânea de contos chamada “O homem vermelho”, que foi a obra que fez com que Domingos ganhasse, no mesmo ano, um dos mais importantes prêmios literários do país (Prêmio Jabuti), o autor voltaria a ganhar o mesmo premio em 2001 com o romance “O caso da chácara chão”. Além da literatura, Domingos escreve para jornais, revistas e atua na publicidade. Uma das obras de grande destaque chama-se “Terra vermelha’, onde o autor conta a história da colonização do estado do Paraná.
         Atualmente, ele vive em uma chácara (chácara chão) em sua cidade natal e é colunista em um jornal local. Domingos é considerado um autor pós-moderno e seus escritos são voltados para contos, poesias, romances e romances juvenis.


Mudanças
Por: Domingos Pellegrini Jr.
O tempo pôs a mão na tua cabeça e ensinou três coisas.
Primeiro:
Você pode crer em mudanças quando duvida de tudo, quando procura a luz dentro das pilhas, o caroço nas pedras, a causa das coisas, seu sangue bruto.
Segundo:
Você não pode mudar o mundo conforme o coração. Tua pressa não apressa a história. Melhor que teu heroísmo é tua disciplina na multidão.
Terceiro:
É preciso trabalhar todo dia, Toda madrugada para mudar um pedaço de horta, uma paisagem, um homem.
Mas mudam, essa é a verdade.
 

2.5.17

Baudelaire e Guys: O pintor da vida Moderna

At the teather - Guys
Charles Baudelaire escreveu um ensaio chamado “O pintor da vida Moderna” iniciado em 1863, sendo concluído em 1868 sob o título de L’Art Romantique. Baudelaire analise a figura do pintor na vida moderna e sua relação com vários setores e pessoas que estão ligadas a arte.
No inicio da obra o autor expõe uma crítica em relação as pessoas que valorizam mais as obras de arte clássicas do que aquelas produzidas por artistas menores. Salienta a importância da moda e da sua contextualização para compreendermos o passado e o presente, pois segundo Baudelaire “o passado é interessante não só pela beleza que dele souberam extrair os artistas para os quais ele era o presente, mas igualmente como passado, por seu valor histórico”. Nesse trecho Baudelaire explana que as vestimentas antigas que provocam risos e espanto carregam valores de uma determinada época. Ao longo da reflexão sobre o “artista” e o “homem do mundo”, o poeta francês utiliza como exemplo um amigo que é Constatin Guys – pintor e desenhista (1805-1892), que conhece muito o mundo da moda. Para Baudelaire, C. G é um típico “homem do Mundo”, pois ele não é somente um artista é um individuo que possui interesse pelo mundo inteiro, que deseja saber, entender e conhecer. Enquanto o “artista” vive no mundo moral e político o “homem do mundo” é uma pessoa espiritual do universo. O “homem do mundo” esta sempre atento com os olhos de águia contemplando as pequenas mudanças, as coisas que parecem insignificantes. Um dos elementos que o “homem do mundo” busca é a modernidade. Esta caracteriza-se pelo transitório, efêmero, como aponta Baudelaire “a modernidade é metade da arte e a outra metade é o eterno e o imutável”. São os pequenos detalhes que o pintor da modernidade arrebata da multidão e tenta representar por meio de seus elementos.

A França, especialmente Paris estava passando por múltiplas transformações urbanas arquitetadas por Haussmann que mudaram profundamente o cotidiano das pessoas. Esse contexto de mudanças permite que Baudelaire escreva e reflita sobre a modernidade em Paris focalizando na arte. Para ele os pintores do século XIX deveriam ter o compromisso de retratar os elementos de seu tempo, ou seja, retratar as mudanças que estavam ocorrendo, a vida moderna. Por isso Baudelaire denomina Guys como “homem moderno”, pois, considera que em suas pinturas o artista contempla as paisagens da cidade (as carruagens, o andar das mulheres, as belas crianças, a limpeza reluzente dos lacaios, a destreza dos criados. Ele torna-se diferente de outras artistas para Baudelaire porque buscou a beleza passageira do presente.


 
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