22.6.17


                  William Butler Yeats

   Ontem foi aniversário de nosso grande poeta e escritor, Machado de Assis, 178 anos desde que veio ao mundo. Mas hoje vamos falar de um outro poeta, também nascido em junho, posto que de Machado de Assis muitos devem saber em nosso meio e no país, ao contrário desse outro. Estamos falando do poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939). Ele nasceu em meio a uma minoria protestante anglo-irlandesa que havia controlado a católica Irlanda social, econômica e polititcamente desde o século XVII, pelo menos. Também viveu 14 anos de sua juventude em Londres. Todavia, ele manteve suas raízes culturais irlandesas, afirmando sua identidade não como inglesa, mas irlandesa, inclusive no campo literário, onde trabalhou com as lendas e heróis nacionais.
   Yeats é um dos grandes nomes da poesia de língua inglesa dos tempos modernos, bem como da Irlanda. Foi também um intelectual engajado na causa nacional, quando os irladeses ainda estão sob domínio da Coroa britânica. Abaixo temos dois poemas seus, traduzidos e no original.


Versos escritos em desalento 

Quando é que eu vi pela última vez 
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes 
Dos leopardos escuros da lua? 
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres, 
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas, 
Suas lágrimas de raiva, fugiram. 
Os santos centauros das colinas desapareceram; 
Não tenho nada para além do amargado sol; 
Banida mãe lua heróica e desaparecida, 
E agora que cheguei aos cinquenta anos 
Tenho que aguentar o tímido sol. 

( tradução: António de Campos )



Lines written in Dejection

WHEN have I last looked on 
The round green eyes and the long wavering bodies 
Of the dark leopards of the moon? 
All the wild witches, those most noble ladies, 
For all their broom-sticks and their tears,         
Their angry tears, are gone. 
The holy centaurs of the hills are banished; 
I have nothing but the harsh sun; 
Heroic mother moon has vanished, 
And now that I have come to fifty years
I must endure the timid sun.

Com o tempo a sabedoria

Embora muitas sejam as folhas, a raiz é só uma; 
Ao longo dos enganadores dias da mocidade, 
Oscilaram ao sol minhas folhas, minhas flores; 
Agora posso murchar no coração da verdade.

(tradução: José Agostinho Baptista)



The Coming of Wisdom with Time

THOUGH leaves are many, the root is one; 
Through all the lying days of my youth 
I swayed my leaves and flowers in the sun; 
Now I may wither into the truth.

14.6.17

Carolina Maria de Jesus


           Desconhecida para muita gente porém muito importante para nossa literatura,nascida em Minas Gerais, mais precisamente em Sacramento,  Carolina Maria de Jesus catadora de lixo, escrevia sobre seu cotidiano e pensamentos em cadernos encontrados no lixo, esses que viraram um diário onde Carolina descrevia seus pensamentos, sobre seu cotidiano, a desigualdade, e as coisas que compõe a condição humana. Os erros gramaticais, livres de edição, talvez para mostrar o valor de seu conteúdo mesmo fora da norma culta, nos trazem uma literatura única.
          Quarto de despejo foi seu maior sucesso, porém é um material difícil de ser encontrado em livrarias, mesmo Carolina sendo uma das escritoras brasileiras mais expressivas, sendo traduzida para mais de dez idiomas.
          Em todo o material escrito por Maria (seis romances, cerca de 67 crônicas e mais de cem poemas, além é claro de "Quarto de despejo") vemos claramente sua opinião do mundo, desigual, discriminando isolando e ignorando a existência de minorias, a escritora então pode fazer com que seja ouvida  a voz de quem ninguém ouvia, fazer com que vissem aqueles que eram invisíveis para a sociedade.
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"Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia.
Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.
Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. É só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela."
(Trecho de Quarto de Despejo, 1960)
A filha de Carolina, Vera Eunice, hoje professora, contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.
Aos quase 63 anos, em 13 de fevereiro de 1977, Carolina faleceu, vitima de insuficiência respiratória.

6.6.17


          William Shakespeare escreveu sonetos durante o apogeu do gênero, pois em 1598 Francis Meres, em seu Palladis Tamia: Wit´s Treasury elogiou Shakespeare e seus: “sonetos açucarados entre seus amigos particulares.” Mesmo se eles não estivessem impressos até o momento, nós sabemos que eles circulavam em manuscritos entre os conhecedores e mereciam respeito. Shakespeare pode de fato ter preferido postergar a publicação de seus sonetos, não por alguma indiferença dos seus valores literários, mas por um desejo de não parecer muito profissional. Os que “faziam a corte” da Renascença Inglesa, aqueles cavalheiros que as realizações supostamente incluíam a versificação, olhavam para a escrita de poesia com uma evocação designada para entreter um companheiro ou para cortejar uma dama. A publicação não era muito polida, e muito desses autores apresentavam consternação quando seus versos eram pirateados na impressão.
Abaixo, o Soneto de n° 88 de William Shakespeare, publicado em 1609.
SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mau e, desprezado, 
Sinto que o meu valor vês com desdém, 
Lutando contra mim, fico a teu lado 
E, inda perjuro, provo que és um bem. 
Conhecendo melhor meus próprios erros, 
A te apoiar te ponho a par da história 
De ocultas faltas, onde estou enfermo; 
Então, ao me perder, tens toda a glória. 
Mas lucro também tiro desse ofício: 
Curvando sobre ti amor tamanho, 
Mal que me faço me traz benefício, 
Pois o que ganhas duas vezes ganho. 
Assim é o meu amor e a ti o reporto: 
Por ti todas as culpas eu suporto.

William Shakespeare


2.6.17

Sejamos Todos Feministas por Chimamanda Ngozi Adichie

“Sejamos Todos Feministas”
Por Chimammanda Adichie

Em seu discurso “Sejamos todos feministas”, lançado em e-book pela Companhia das Letras, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie relata suas experiências sobre a questão do feminismo. A escritora relata que foi definida como “feminista” pela primeira vez em uma discussão com um amigo quando tinha apenas 14 anos, e que não foi um elogio. No momento ela desconhecia o conceito do termo feminista, mas logo que chegou em sua casa foi buscar o significado no dicionário.
Não adiantou terem colado tantos pesos negativos para afastar Chimamanda do feminismo. Ela está mais preocupada em desconstruir essa sociedade que ensina que homens são superiores as mulheres. 



Com o passar dos anos e com a publicação de seus romances, Chimammanda foi considerada pelos críticos como uma autora feminista. A autora coloca em debate, através de seus romances, a questão da desigualdade de gênero. Ela defende que a sociedade deve repensar os ideais de gênero, e que o feminismo é o caminho para entrarmos nessa discussão. Portanto, sejamos todos feministas, em busca de uma sociedade sem desigualdade.   

 
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