22.8.17

Conhecendo um pouco da influência da cultura indígena no nosso Paraná



          No Estado do Paraná existem atualmente três etnias indígenas: Guarani, Kaingang e Xetá. a grande maioria vive nas 17 terras indígenas demarcadas pelo governo federal [...]. Professores índios alfabetizam as crianças na língua Guarani ou Kaingang, o que tem contribuído para a valorização dos conhecimentos tradicionais e a conseqüente preservação da identidade cultural. 
       É grande a influência que o paranaense recebeu desses grupos indígenas. Na culinária, além do consumo da erva-mate fria ou quente, adotamos o costume de preparar alimentos com mandioca, milho e pinhão, como o mingáu, a pamonha e a paçoca.
No vocabulário é freqüente o uso de palavras de origem Guarani para designar nomes de espécies nativas de frutas, vegetais e animais. Podemos citar como exemplos: guabiroba, maracujá, butiá, capivara, jabuti, biguá, cutia. De origem Kaingang temos os nomes de municípios como: Goioerê, Candói, Xambrê e Verê. 
       Esses são alguns dos exemplos das influenciais que a cultura indígena trouxe para o Paraná, que está presente no nosso dia a dia, mas que não sabemos das suas origens.


RESUMO DA OBRA "O PAGADOR DE PROMESSAS", DE DIAS GOMES

AUTOR: Alfredo de Freitas Dias Gomes estrutura sua carreira no teatro e na teledramaturgia brasileira, suas histórias ficaram populares também no rádio, no cinema e na televisão. Classificado como um escritor da literatura contemporânea, suas obras costumam apresentar protagonistas fortes e complexos, com problemas sociais que mostram não só uma questão individual, mas uma dificuldade vivida por muitos. Mescla suas narrativas com tradições populares, elementos de humor e devoção. A linguagem utilizada era cheia de regionalismo, e é possível ainda perceber um retrato da realidade brasileira nas obras de Gomes. Durante o regime militar, Dias Gomes teve sua novela mais conhecida censurada, “Roque Santeiro” que só pôde ser exibida em 1985 com o fim da ditadura.
CONTEXTO HISTÓRICO: Livro ganhador de sete importantes prêmios de dramaturgia, O Pagador de Promessas é encenada no ano de 1960 e adaptada ao cinema em 1962, conquistando a primeira indicação ao Oscar de um filme brasileiro. Apresentada ao público em um período de turbulência política, poucos anos antes do início da ditadura militar, traz à tona uma série de conflitos entre o Brasil rural e o urbano, são sintetizados pelo embate entre a crença popular, o sincretismo religioso, a misturadas religiões muito característica da Bahia, o dogmatismo, o ritualismo rigoroso e a burocratização da igreja. O sensacionalismo na imprensa, o repórter que distorce os fatos, e vende uma notícia falsa à respeito do Zé-do-Burro, a incomunicabilidade, a incapacidade que Zé tem de se comunicar e fazer entender sua intenção, e enfim a intolerância religiosa, Dias Gomes retrata muito bem a religião quando não se faz solidária com o povo, mas opressora, o que leva ao tumulto da história.
RESUMO: O pagador de promessas é uma peça teatral, portanto pertence ao gênero dramático. Zé do Burro, um homem muito simples, vivia na companhia da sua mulher Rosa e de seu burro por quem tinha muito apego. Certa vez o animal fora ferido na cabeça por um galho de árvore e Zé, ao ver a situação do animal, faz uma promessa à Santa Barbara, dividiria suas terras entre os necessitados e carregaria uma cruz tão pesada como a de Jesus até à igreja da Santa. Como em sua cidade não havia a tal igreja, fez a promessa em um terreiro de candomblé, onde a santa é conhecida pelo nome de Iansã. Saiu da Bahia, junto com a esposa, e caminham sete léguas até que chegaram à igreja de Santa Bárbara em Salvador. Mantendo-se firme na ideia de que a promessa só seria cumprida se ele deixasse a cruz na frente do altar, alojaram-se na escadaria da igreja, enquanto a cidade ainda dormia. Enquanto isso chega à praça o cafetão Bonitão que se aproveita e seduz Rosa, levando-a a passar a noite com ele em um hotel. Com o passar das horas, a agitação na rua começa e a igreja é aberta. Zé, dirigindo-se ao padre, explicou sua promessa. O padre ouvindo citações do candomblé se recusa a permitir a entrada de Zé na igreja. Ele, frente a isso e muito responsável em relação à promessa, afirma que só sairia dali quando a cumprisse. Uma multidão se aproxima e o homem torna-se assunto na cidade, sendo alvo de um repórter sensacionalista, que distorce os fatos e o retrata como um messias que apoia a reforma agrária. Chega ao local o delegado com alguns policiais, querendo levar Zé do burro preso, mas ele se declarando inocente e sem nada a temer afirmou que dali só sairia morto. Logo uma confusão acontece e um tiro fere Zé mortalmente. A multidão se dispersa, o padre se sentindo culpado libera as portas da igreja, algumas pessoas que estavam na praça pegam o corpo dele, colocam no sobre a cruz e o levam para dentro.

8.8.17

Os ombros suportam o mundo...

Nasceu em Itabira, Minas Gerais em 1902. Consagrado poeta brasileiro, seu conjunto de obras o tornou um dos principais nomes na literatura brasileira do século XX. Esse poeta é Carlos Drummond de Andrade. As obras poéticas retratam: o conflito social, a família e os amigos, a existência humana, a visão sarcástica do mundo e das pessoas e também as lembranças da terra natal.

   Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação


 
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